O índice de erros de um sistema de reconhecimento facial aumenta de 1% entre pessoas na faixa dos 20 anos para até 5% entre quem tem 70 anos ou mais, segundo o Nist, órgão estadunidenses equivalente ao Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia).
Vale destacar que o reconhecimento facial é só um estágio do processo de atendimento bancário pelos canais digitais, como destacou à Folha de S. Paulo Gabriela Agustini, diretora-executiva da entidade de direitos digitais Olabi.
Ela lembra que este processo envolve ainda download de aplicativo, criação de senha, validação da conta por e-mail ou SMS, autorização do acesso à câmera, fotografia do documento, compreensão de instruções, repetição de etapas e lidar com mensagens de erro. Há ainda fatores como possíveis golpes e fraudes.
“Tudo isso deixa os idosos muito vulneráveis na hora de utilizar o atendimento bancário digital e exclui grande parcela dessa faixa etária de um serviço essencial, já que os bancos estão fechando cada vez mais agências e dificultando cada vez mais o atendimento convencional, por meio de um funcionário humano em uma agência física”, pontua Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região.
Fechamento de agências é pauta da Campanha Nacional dos Bancários
Na segunda rodada de negociações da Campanha Nacional dos Bancários, realizada na terça-feira 7, o Sindicato lembrou que, entre 2015 e maio de 2026, os bancos reduziram em 93,3 mil os postos de trabalho. No mesmo período, o setor reduziu em 42% (9,5 mil) a rede de agências, o que representa 30 agências por semana.
“Os números evidenciam um processo de demissões em massa, que impacta não apenas os trabalhadores, mas também a qualidade do atendimento à população. Além de representar um ataque aos direitos dos trabalhadores, essa prática compromete o acesso da sociedade aos serviços bancários", afirmou Neiva Ribeiro durante a negociação com os bancos.
Campanha Eu Quero Mais Agências
Diante desse cenário, o Sindicato dos Bancários de São Paulo lançou a campanha Eu Quero Mais Agências, que está mobilizando a sociedade contra o fechamento de agências bancárias e seus impactos.
A iniciativa reúne no site da campanha dados sobre demissões, superlotação e adoecimento dos trabalhadores.
Além de promover um abaixo-assinado (assine agora), a campanha defende mais empregos, atendimento de qualidade, inclusão financeira e o direito de escolha entre atendimento presencial e digital.
‘Política excludente e injusta’
Neiva lembra que quase metade dos municípios brasileiros não possuem nenhuma agência bancária. “Milhões de brasileiros convivem com dificuldades ou impossibilidade de ter atendimento bancário, porque o digital muitas vezes não é capaz de solucionar todos os casos, e também por causa das dificuldades que o digital impõe, sobretudo aos mais idosos.”
“As instituições financeiras deixam milhões de pessoas sem acesso ao serviço presencial porque preferem reduzir o custo de atender para aumentar os lucros dos acionistas. A campanha Eu Quero Mais Agências continuará denunciando os impactos dessa política excludente e injusta, além de mobilizar a sociedade em defesa da abertura e manutenção de mais agências bancárias, que também é uma pauta central da nossa Campanha Nacional Unificada 2026”, afirma Neiva Ribeiro.