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Melhores condições de trabalho e bem viver: a pauta dos bancários

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Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato, veste uma blusa rosa e um blaser preto

Neiva Ribeiro: "Categoria também coloca no centro do debate o combate às metas abusivas, responsáveis por parte significativa do adoecimento físico e mental dos trabalhadores"

A pauta aprovada pela 28ª Conferência Nacional dos Bancários e entregue à Fenaban, nesta quarta-feira (24), demonstra que a categoria está preparada para enfrentar os desafios de um Sistema Financeiro Nacional em profunda transformação. Os bancários reivindicam reajuste com aumento real de 5%, valorização da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), manutenção dos direitos conquistados e defesa dos empregos, em um momento em que os bancos seguem registrando lucros bilionários enquanto reduzem postos de trabalho e fecham agências.

A defesa dos empregos e da manutenção da rede de atendimento também é uma defesa dos clientes. Não são apenas aqueles que dependem das agências físicas que estão sendo prejudicados. O atendimento está cada vez mais difícil para todos, inclusive para quem utiliza os aplicativos e canais digitais. Basta ter um cartão clonado, ser vítima de um golpe ou enfrentar qualquer situação que exija atendimento especializado para perceber a dificuldade de encontrar uma agência aberta ou um funcionário disponível para resolver o problema. Reduzir agências e postos de trabalho significa piorar o atendimento e deixar clientes e trabalhadores desamparados.

Combate às metas

A categoria também coloca no centro do debate o combate às metas abusivas, responsáveis por parte significativa do adoecimento físico e mental dos trabalhadores. Em um setor que investe cada vez mais em tecnologia e inteligência artificial, os ganhos de produtividade precisam ser compartilhados com quem produz a riqueza, e não apropriados exclusivamente pelos acionistas.

Outro eixo fundamental é a defesa dos bancos públicos e de um sistema financeiro mais regulado, comprometido com o desenvolvimento econômico, a inclusão financeira e a geração de empregos. A tecnologia deve servir para melhorar a vida das pessoas e ampliar o acesso aos serviços, e não para justificar precarização, vigilância excessiva ou exclusão social.

SFN deve contribuir para reduzir desigualdades

As resoluções aprovadas pela Conferência também reafirmam a defesa da democracia, da soberania nacional e do controle social sobre instituições estratégicas para o país. O debate sobre o Sistema Financeiro Nacional não diz respeito apenas aos bancários. Trata-se de discutir qual projeto de desenvolvimento queremos para o Brasil: um modelo voltado exclusivamente para a rentabilidade do mercado ou um sistema financeiro que contribua para reduzir desigualdades, ampliar oportunidades e promover bem-estar para toda a sociedade.

O setor bancário brasileiro continua entre os mais rentáveis do mundo. Em 2025, o lucro do sistema financeiro superou R$ 255 bilhões, enquanto os cinco maiores bancos registraram ganhos de R$ 123,8 bilhões. Ao mesmo tempo, o fechamento de agências e a redução dos postos de trabalho seguem em ritmo acelerado. Desde 2016, a categoria bancária perdeu mais de 83 mil empregos, mesmo diante do crescimento dos resultados das instituições financeiras.

Luta contra o fechamento de agências

O fechamento de agências também produz impactos sociais relevantes. Milhões de brasileiros, especialmente idosos, pequenos comerciantes e populações mais vulneráveis ainda dependem do atendimento presencial para acessar serviços bancários. A inclusão financeira não pode ser medida apenas pelo número de aplicativos instalados nos celulares.

Outro debate essencial envolve o papel do sistema financeiro no desenvolvimento do país. Juros elevados dificultam o acesso ao crédito, limitam investimentos produtivos, aumentam o endividamento e comprometem a geração de empregos. O sistema financeiro deve cumprir sua função social, contribuindo para o crescimento econômico, a inclusão e a redução das desigualdades.

Tecnologia a serviço da sociedade

O movimento sindical tem a responsabilidade de participar desse debate e disputar a narrativa sobre o futuro. Tecnologia e inovação são bem-vindas, mas precisam estar a serviço das pessoas. O desenvolvimento não pode ser medido apenas pelos lucros dos bancos ou pela velocidade das transações digitais. Deve ser avaliado também pela capacidade de gerar empregos de qualidade, promover inclusão social e garantir melhores condições de vida para a população. O desafio é construir um Sistema Financeiro Nacional que combine inovação, regulação, desenvolvimento econômico e justiça social.

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