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Sindicato alerta para concentração no PPR no Daycoval e cobra retomada das negociações

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O Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região realizou, na manhã desta segunda-feira 28, uma manifestação em frente à sede do Banco Daycoval, na Avenida Paulista, para questionar a postura da diretoria de RH diante do impasse nas negociações para renovação do Programa de Participação nos Resultados (PPR). A atividade ocorreu durante a entrada dos funcionários.

No centro da mobilização está a luta por um PPR mais justo e equilibrado, que distribua os resultados entre todos os trabalhadores que contribuem diariamente para o desempenho do Daycoval, em vez de concentrar parcela cada vez maior dos valores nas mãos dos altos cargos.

O Sindicato vinha negociando a renovação do programa há meses, mas o banco decidiu mudar unilateralmente a condução do processo e constituir uma comissão de funcionários. Segundo a entidade, em um intervalo muito curto após a formação da comissão, o acordo já estava aprovado.

Para Marcelo Gonçalves, diretor do Sindicato dos Bancários de São Paulo, a rapidez do processo e a exclusão da representação sindical são preocupantes, sobretudo porque o modelo defendido pelo banco amplia o teto de pagamento e pode favorecer principalmente uma pequena parcela dos altos cargos já beneficiados com salários altíssimos e muitos outros benefícios.

“Não é aceitável que todos trabalhem e gastando o valioso tempo de vida para construir os resultados do Daycoval, mas, na hora de dividir o resultado, uma parcela cada vez maior dos valores do PPR fique concentrada nas mãos de pouquíssimas pessoas. Se o banco é construído pelo trabalho de todos, o PPR também precisa chegar a todos de maneira mais justa e equilibrada”, afirma o dirigente sindical Marcelo Gonçalves.

Comissão não substitui negociação sindical

A entidade também questiona as condições em que uma comissão formada por funcionários do próprio banco pode negociar diretamente com o empregador. Afinal, esses trabalhadores estão submetidos à estrutura hierárquica e às relações de trabalho da instituição.

Marcelo reforça que a representação sindical existe justamente para garantir uma negociação coletiva independente, na qual os trabalhadores possam defender seus interesses sem estarem sujeitos às pressões existentes e inerentes na relação direta com o empregador.

Direção de RH interrompeu negociação com o Sindicato

Importante lembrar que os acordos de PPR do Daycoval historicamente foram construídos com participação sindical. Mesmo diante de divergências, havia negociação entre as partes. Sempre de forma saudável e de respeito mútuo. Neste ano, porém, uma área do banco interrompeu esse processo e adotou outro caminho.

“Nossa reivindicação é por negociação, transparência e uma distribuição que valorize efetivamente a ampla maioria dos funcionários que constroem o lucro do Daycoval todos os dias”, reforça Marcelo.

Negociação sindical garante isenção de imposto no PPR

Vale ressaltar que o banco e os executivos da empresa já ganham muito, inclusive com o PPR, pois, segundo a legislação, é o acordo com o Sindicato [e não por via da comissão] que garante ao Daycoval a isenção tributária. “Sendo assim, a contrapartida deveria ser o aumento dos valores de PPR para o conjunto dos funcionários”, afirma Marcelo.

Trabalhadores participam da mobilização

Durante o protesto, dirigentes sindicais conversaram com os funcionários e distribuíram material impresso expondo o cenário. O conteúdo foi elaborado também a partir de relatos e contribuições dos próprios bancários do Daycoval.

A mobilização dá continuidade à plenária virtual realizada pelo Sindicato na semana anterior, quando os trabalhadores receberam informações sobre as negociações e puderam apresentar dúvidas, avaliações e reivindicações sobre o programa.

Apelo à presidência do banco

Diante do congelamento no processo negocial, o Sindicato cobra a intervenção da presidência do Daycoval e a retomada imediata das negociações. A entidade lembra que sempre houve diálogo com o banco, mesmo nos momentos de maior divergência, e considera necessário restabelecer esse canal.

Assédio e condições de trabalho também preocupam

Além do PPR, o Sindicato voltou a cobrar apuração das denúncias recebidas sobre assédio moral e problemas relacionados às condições de trabalho. Para a entidade, o banco deve investigar os relatos e assegurar um ambiente de trabalho saudável e respeitoso.

“O Sindicato seguirá mobilizado e buscando uma solução negociada. Caso não haja avanços e o modelo adotado pelo Daycoval resulte em uma distribuição que privilegie uma minoria em detrimento da maioria dos trabalhadores, a entidade afirma que é direito dos funcionários recorrerem aos órgãos competentes para resguardar os direitos de todos”, afirma Marcelo Gonçalves.

“É o trabalho de todos, um trabalho de equipe, responsável pelos resultados. Por isso ninguém deve ser colocado em segundo plano justamente na hora de dividir esses resultados. Queremos um PPR melhor a cada ano, na lógica de se o lucro avança, PPR de todos tem que avançar, com harmonia, distribuição justa e valorização dos trabalhadores, de todas as equipes. O Daycoval precisa retomar a negociação e ouvir quem faz o banco acontecer”, conclui o dirigente.

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