Bancários do Santander realizaram, nesta quinta-feira 8, um Dia Nacional de Luta em protesto contra a falta de avanços nas negociações para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT).
A mobilização cobrou do banco uma proposta que contemple as reivindicações dos trabalhadores, especialmente a valorização da PPRS, a manutenção dos direitos coletivos e melhorias na assistência à saúde.
Em São Paulo, dirigentes do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região estiveram na sede do Santander, onde dialogaram com os trabalhadores, apresentaram informações sobre o andamento das negociações e reforçaram a importância da mobilização para pressionar o banco a apresentar uma proposta que atenda às reivindicações da categoria.
A manifestação ocorre após a última rodada de negociação, quando a Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Santander rejeitou a proposta apresentada pelo banco por considerá-la insuficiente. Na ocasião, a representação dos trabalhadores cobrou avanços, mas o Santander não apresentou melhorias.
Valorização da PPRS
Entre as principais reivindicações está a valorização do Programa Próprio de Resultados do Santander (PPRS). O acordo em negociação prevê os pagamentos de 2027 e 2028, uma vez que os valores referentes a 2025 e 2026 já foram contemplados no acordo anterior.
O Sindicato alerta que, considerando os atuais indicadores de Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE) apresentados pelo Santander, a aplicação da regra vigente poderá resultar em redução dos valores pagos aos trabalhadores.
“Diante disso, a representação sindical reivindica mudanças nos critérios vinculados ao ROE, de forma a assegurar uma PPRS valorizada em relação aos anos anteriores, reconhecendo a contribuição dos bancários para os resultados do Santander”, pontua Ana Marta Lima, coordenadora da Comissão de Organização dos Empregados do Santander e diretora executiva do Sindicato dos Bancários de São Paulo.
Defesa dos direitos coletivos e da saúde
Outro ponto central da mobilização é a oposição à prática do Santander de encaminhar propostas de acordos individuais a trabalhadores enquadrados pelo banco como hipersuficientes – que possui diploma de nível superior e recebe salário mensal igual ou superior a duas vezes o limite máximo dos benefícios do Regime Geral da Previdência Social (INSS).
“Essa prática ameaça a abrangência dos direitos assegurados pela Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) e pelo ACT. O Sindicato defende que os direitos negociados coletivamente sejam garantidos a todos os trabalhadores, sem exclusões por meio de acordos individuais”, destaca André.
Na área da saúde, os bancários reivindicam a isenção da coparticipação no plano de saúde para trabalhadores com filhos com deficiência ou neurodivergentes. Segundo relatos recebidos pelo Sindicato, os custos de tratamentos e acompanhamentos contínuos têm provocado descontos elevados na folha de pagamento, comprometendo o orçamento das famílias.
O Dia Nacional de Luta reforçou a insatisfação dos trabalhadores com a postura do Santander nas negociações e a cobrança para que o banco retome o diálogo com propostas concretas.
“O Sindicato destaca que seguirá mobilizado, ao lado dos bancários de todo o país, em defesa de um ACT que assegure a valorização dos trabalhadores, melhores condições de trabalho e a preservação dos direitos conquistados por meio da negociação coletiva”, afirma André Bezerra.