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Gritos, ameaças e humilhações: bancários do Santander denunciam assédio e Sindicato cobra soluções

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Gritos, ameaças e humilhações: bancários do Santander denunciam assédio e Sindicato cobra soluções

O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região cobra do Santander providências diante de uma série de denúncias de assédio moral relatadas por bancários e bancárias de diferentes regiões da capital paulista. Os relatos apontam práticas abusivas por parte de gestores, como ameaças frequentes, gritos, humilhações públicas, exposição de funcionários, constrangimentos e comportamentos que prejudicam a saúde e as condições de trabalho das equipes.

As denúncias recebidas pelo Sindicato descrevem situações recorrentes nas regiões Sul, Norte, Leste, Oeste e Avenida Paulista. Diante desse cenário, a entidade cobra que o Santander investigue as denúncias e responsabilize os envolvidos quando as irregularidades forem comprovadas. O Sindicato também reforça que os bancários devem procurar a entidade nessas situações, por meio do Canal de Denúncias ou dialogando com um dirigente sindical.

Denúncias revelam diferentes formas de abuso

Zona Sul: trabalhadores relatam que um gestor incentiva a equipe a cometer fraudes para atingir metas. Segundo as denúncias, o mesmo profissional utiliza expressões ofensivas, chamando integrantes da equipe de “sonsos”, “velhos” e “fracos”. Ameaças frequentes e abuso de autoridade também fariam parte da rotina da agência.

Zona Norte: as denúncias apontam uma conduta direcionada especialmente às mulheres. Bancárias relatam gritos e ameaças constantes, e algumas trabalhadoras teriam precisado se afastar em razão da situação. Segundo os relatos, o gestor bate o mouse contra a mesa e, quando liga para as funcionárias, elas começam a tremer de medo, evidenciando o clima de tensão no ambiente de trabalho.

Zona Leste: uma gestora é acusada de praticar assédio moral desde o período em que trabalhava na região da Paulista. De acordo com as denúncias, intrigas, fofocas, exposição, constrangimentos e humilhações fazem parte do cotidiano da equipe.

Zona Oeste: as denúncias apontam exposição de funcionários durante reuniões e uma postura verbal agressiva por parte da gestora. Os bancários descrevem o assédio como intenso e afirmam que o comportamento tem prejudicado a saúde da equipe.

Região da Av. Paulista: bancários relatam comportamentos de vigilância e controle excessivo. Segundo os depoimentos, a gestora vai atrás dos funcionários quando eles se dirigem ao banheiro, toma o celular de suas mãos e os trata como crianças. Os trabalhadores também relatam que ela vira o rosto quando alguém não consegue vender o produto que deseja.

"Simples, pessoal e justo": onde está a justiça?

Para o dirigente sindical e bancário do Santander, André Bezerra, as denúncias contradizem a imagem que o próprio banco procura transmitir.

“O Santander usa o slogan ‘simples, pessoal e justo’, mas justo onde? Como o banco pode sustentar esse discurso enquanto mantém gestores que adoecem suas equipes, praticam assédio e submetem os trabalhadores a situações que tornam o ambiente de trabalho insustentável? O Santander precisa reorientar esses gestores, mudar a postura deles nos locais de trabalho e tomar medidas concretas para que os bancários sejam tratados com respeito e dignidade”, afirma Bezerra.

O dirigente reforça que o banco precisa ir além do discurso institucional e enfrentar o problema de forma efetiva. Isso significa investigar as denúncias, interromper as práticas abusivas e garantir que os trabalhadores possam exercer suas funções sem medo de ameaças, humilhações ou retaliações.

Nova CCT traz avanços no combate ao assédio

Na Campanha Nacional dos Bancários de 2026, a atuação do movimento sindical garantiu avanços no combate ao assédio moral, ao assédio sexual e a outras formas de violência no trabalho. A nova Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), assinada em 9 de setembro pelo Comando Nacional dos Bancários e pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), amplia os mecanismos de prevenção, denúncia e acompanhamento dessas ocorrências.

Entre as conquistas está a ampliação do canal de combate ao assédio moral e sexual, criado a partir de uma conquista da Campanha Nacional de 2022 e aprimorado em 2024. Com a nova CCT, o mecanismo também poderá receber denúncias de assédio, racismo, violência e outras situações abusivas praticadas por clientes contra funcionários.

Outra conquista importante é a obrigação de os bancos apresentarem às entidades sindicais estatísticas relacionadas às denúncias. A medida amplia a transparência e permite que os sindicatos acompanhem a frequência dessas ocorrências e cobrem ações preventivas e corretivas das instituições financeiras.

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