Surpresa?

Dono do Itaú defende reforma trabalhista

Para Roberto Setubal, que também é favorável à reforma da Previdência, CLT é "muito detalhista, burocrática e intervencionista ao extremo"; considerando o tratamento dispensado pelo banco aos funcionários, declaração não surpreende

  • Redação Spbancarios
  • Publicado em 16/05/2017 11:58 / Atualizado em 16/05/2017 13:13

Foto: Cacalos Garrastazu / Febraban

São Paulo – Quando um banqueiro como Roberto Setubal, dono do Itaú, defende a reforma trabalhista, taxando a CLT (Consolidação das Leis de Trabalho) de "muito detalhista, burocrática e intervencionista ao extremo”, fica claro a quem interessam as mudanças na legislação propostas por Temer e sua base aliada no Congresso: a banqueiros e rentistas, não aos trabalhadores.

Ao contrário do que declarou o diretor da OIT (Organização Internacional do Trabalho), Peter Poschen – que afirmou não ver indícios de que a reforma trabalhista criará empregos –, Setubal reproduziu o discurso do governo federal para justificar a retirada de direitos dos trabalhadores.

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"Se não criarmos uma legislação trabalhista equilibrada, que dê condições para as empresas aumentarem a produção e gerarem riqueza, enfrentaremos um problema sério. Nunca teremos como resolver nossos problemas sociais", afirmou o banqueiro em Oxford, no Reino Unido, durante o segundo dia do Brasil Forum UK 2017.

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De acordo com a dirigente do Sindicato e bancária do Itaú Valeska Pincovai, a posição de Setubal não surpreende.

“O Itaú tem uma gestão baseada no assédio moral, na cobrança abusiva por metas, o que leva os bancários ao adoecimento. E, quando doente, o trabalhador corre o risco de ser demitido pelo banco, o que não é nada incomum. O Itaú mal cumpre a legislação atual, não paga devidamente horas extras, praticando a compensação, e até mesmo proíbe férias. É claro que Setubal vai defender a retirada de direitos. Na prática, a reforma legaliza muitas irregularidades que são práticas no banco e abre caminho para a expansão cada vez maior do lucro à custa da saúde e condições de trabalho dos funcionários”, critica a dirigente. 

Além de defender a implosão dos direitos dos trabalhadores brasileiros, Setubal também é um entusiasta do fim da aposentadoria pública no país.

"A reforma da Previdência dará uma perspectiva fiscal permitindo um cenário mais previsível, essencial para que a gente retome o crescimento econômico sustentável. O crescimento econômico é essencial para a solução dos nossos problemas sociais”, declarou o membro da 12ª família mais rica do Brasil, de acordo com a revista Forbes Brasil, com patrimônio de R$ 3,3 bilhões.

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“Também não é nenhuma surpresa que um banqueiro, dono do Itaú, defenda esta reforma da Previdência, que na prática acaba com a aposentadoria pública no Brasil. É um mercado gigantesco que se abre para o Itaú, e demais bancos, para catapultar as vendas de seus planos de previdência privada”, conclui Valeska.

A participação de banqueiros e empresários de outros ramos, como indústria e transportes, na elaboração do texto da reforma trabalhista já foi denunciada pela The Intercept Brasil. A publicação on line constatou que das 850 emendas apresentadas por 82 deputados durante a discussão do projeto na comissão especial da Reforma Trabalhista, 292 (34,3%) foram integralmente redigidas em computadores de representantes da Confederação Nacional do Transporte (CNT), da Confederação Nacional das Instituições Financeiras (CNF), da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística). 

Além disso, recentemente o Governo Temer perdoou dívidas bilhonárias dos bancos, inclusive do Itaú, que se livrou de acertar R$ 25 bilhões em impostos.

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Reaja! - A presidenta do Sindicato, Juvandia Moreira, lembra que é preciso manter a pressão sobre os parlamentares para que eles votem contra as reformas da Previdência e trabalhista. A reforma da Previdência ainda está na Câmara, então mande e-mails para os deputados. A trabalhista já foi aprovada pelos deputados e agora no Senado, então, mande e-mail para os senadores. Nos dois casos, diga que se eles votarem a favor não serão reeleitos.

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