Ultratividade

Bancários cobram: assina, Fenaban!

Durante Dia Nacional de Luta, trabalhadores exigem a ratificação de pré-acordo que garanta a validade de todos os direitos assegurados na Convenção Coletiva de Trabalho até sua renovação

  • Leonardo Guandeline e Rodolfo Wrolli, Spbancarios
  • Publicado em 11/07/2018 18:05 / Atualizado em 12/07/2018 16:01

Dirigentes sindicais entregam a bancários do Bradesco Telebanco informe sobre os motivos do Dia Nacional de Luta

Foto: Seeb-SP

Atualização: Na segunda negociação, calendário é definido

“O mínimo que os bancos podem fazer é assinar esse acordo que garante os direitos que a gente já tem. Não importa se tem crise econômica ou não, os lucros são sempre cada vez maiores a custa do nosso trabalho. Não tem por que sequer cogitar tirar qualquer direito nosso”, afirmou um bancário do Telebanco do Bradesco, durante o Dia Nacional de Luta para pressionar a Fenaban a ratificar pré-acordo que garanta a ultratividade (validade até a renovação) da Convenção Coletiva de Trabalho dos bancários.

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Os atos, em agências e centros administrativos, foram realizados na quarta-feira 11, em todo o país, para defender a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) e os direitos da categoria. O Sindicato dos Bancários distribuiu em São Paulo, Osasco e região material informativo sobre os motivos do protesto. Também foi realizado twittaço com a hashtag #AssinaFenaban. O Dia Nacional de Luta faz parte da Campanha Nacional Unificada organizada pela Contraf-CUT, e tem o objetivo de mobilizar a categoria e pressionar os bancos a assinarem pré-acordo que garanta a ultratividade (validade) da CCT até a assinatura de um novo acordo.

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Segunda rodada de negociação

Na quinta-feira 12 será realizada a segunda rodada de negociação da Campanha Nacional Unificada 2018. Na primeira rodada, em 28 de junho, os bancos não assinaram o pré-acordo garantindo a ultratividade da CCT e não apresentaram nenhuma proposta de calendário para as negociações da Campanha 2018.

Presidenta do Sindicato, Ivone Silva (terno preto), na primeira rodada de negociação


O fim da ultratividade é apenas um dos vários direitos anulados pela reforma trabalhista concebida pelo governo de Michel Temer (Lei 13.467/17), sob encomenda do setor patronal – principalmente o setor financeiro  e aprovada por um Congresso Nacional dominado por empresários.

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“Agora além da luta pra conseguir novos direitos, vamos ter que lutar pra manter aquilo que a gente já tinha. É uma lei que traz um retrocesso muito grande que só beneficia o banco. Enquanto os lucros só aumentam, os bancos querem tirar ainda mais direitos. É por isso que a insatisfação só cresce entre os meus colegas”, protesta um bancário do Itaú.

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Apreensivos, mas unidos

Outro bancário do Itaú ressalta que a maioria dos seus colegas enxerga o atual momento com bastante apreensão. “Estamos em um cenário complicado politicamente. É a primeira Campanha Nacional pós-golpe, e as forças [do governo] se alinharam para o lado da direita. É a primeira vez que o lado mais forte da corda está com a Fenaban. É um momento de atenção, mas tem de ser também de bastante união. Mais do que a preocupação com aumento de salário ou com a PLR, vejo a maioria mais preocupada hoje com o emprego.”

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Ele avalia que ao mesmo tempo em que entre seus colegas existe a noção de que a reforma trabalhista pode trazer muitos prejuízos, muitos veem na Campanha deste ano uma oportunidade de reverter este quadro.

“É uma campanha divisora de águas. [A atitude dos meus colegas me] Surpreendeu positivamente. Pela primeira vez eu vejo que o aumento salarial e o ganho da PLR não é o que mais se comenta pelos corredores. Os bancários hoje se veem como ocupando o lado mais fraco da corda. Eles sabem que a luta deste ano pode ser diferente. Acho que a união será importante e espero que da parte dos bancários encontre este ano menos resistência [para uma suposta greve]. Acho que o bancário está mais consciente, vejo esperança de uma classe mais unida.”

“Mobilização vai aumentar”

“É uma palhaçada [a recusa da Fenaban em assinar o pré-acordo]. A gente vai lutar até o final, até os bancos cederem, até eles terem respeito pelos trabalhadores. Eles não vão nos atropelar como estão achando que vão”, afirma um empregado da Caixa.

“É claro que a gente não está disposto a ter nossos benefícios cortados”, reforça um bancário do Bradesco. “Esse ano vai ter uma briga boa. É o que a gente acredita, por conta de todas as mudanças que estão acontecendo. Sou sindicalizado há sete anos, é um Sindicato forte, e a partir do momento que mostrar a que veio, é nessa hora que a classe se fortalecerá.” 

Para um bancário do BB, faz parte da estratégia da Fenaban não assinar [o pré-acordo] “para forçar a gente a aceitar ter menos direitos, mas para nós é extremamente importante que a CCT continue valendo, por isso eu acho que a pressão tem que continuar”, diz. “É melhor que eles assinem. Estão contando que a mobilização vá diminuir. Não apostem nisso, porque a mobilização vai vir e tende a aumentar”, avisa o trabalhador.

 

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