Campanha 2018

Campanha 2018: bancos lucram bilhões e não querem dar aumento real

Fenaban propõe reajustar salários e demais verbas, como pisos, PLR, VA e VR, apenas pela inflação do período, projetada em 3,90%. Nesta quarta 8 tem assembleia para apreciar a proposta, e Comando dos Bancários indica sua rejeição

  • Redação Spbancarios
  • Publicado em 07/08/2018 16:56 / Atualizado em 08/08/2018 21:55

Foto: Jailton Garcia/Contraf-CUT

Atualização: em assembleia, realizada na noite de quarta-feira 8, a proposta da Fenaban foi rejeitada por unanimidade pelos bancários da base do Sindicato. CLIQUE AQUI e saiba mais. 

Reposição da inflação, medida pelo INPC, para salários, pisos e demais verbas, como PLR, VA, VR e auxílio-creche/babá. Esta foi a proposta apresentada por um dos setores mais lucrativos do país aos trabalhadores, na mesa de negociação desta terça-feira 7 da Campanha Nacional dos Bancários 2018. Além disso, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) não trouxe respostas a outras reivindicaçoes importantes da categoria, como manutenção dos empregos e a não adoção das novas formas de contratação previstas na reforma trabalhista.

A proposta dos bancos será apreciada pelos bancários de São Paulo, Osasco e região em assembleia nesta quarta-feira 8, a partir das 19h, na Quadra dos Bancários (Rua Tabatinguera, 192, Centro). E o Comando Nacional dos Bancários indica sua rejeição, pelo fato de a proposta ser insuficiente e incompleta.

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“Deixamos claro na mesa que a proposta não contempla os bancários, que são os responsáveis pelos resultados tão positivos dos bancos e que merecem valorização. Ela é insuficiente, pois não prevê aumento real. E é incompleta, já que a Fenaban não trouxe respostas para várias reivindicações que apresentamos ao longo das cinco rodadas anteriores de negociação, como as demandas de saúde e emprego. E nem se comprometeram com a não retirada de direitos, como a não substituição de bancários por terceirizados, a não adoção das novas contratações previstas na reforma trabalhista”, avalia a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Ivone Silva, uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários, que representa a categoria na mesa de negociação com a Fenaban.

A dirigente acrescenta que, além de não atenderem às reivindicações, a Fenaban ainda ameaçou a categoria com a retirada da cláusula sobre dias não trabalhados (greve). “Ou seja, não irá abonar os dias parados.”

Pela proposta da Fenaban, o acordo seria de quatro anos, com reposição da inflação a cada data base da categoria (1º de setembro). Para este ano, o reajuste seria de 3,90% (projeção do INPC entre 1º de setembro de 2017 e 31 de agosto de 2018). O Comando adiantou que acordo de quatro anos só com garantia de empregos.

Os bancos ainda querem alterar cláusulas da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria, segundo eles, para garantir segurança jurídica, mas sequer apresentaram a redação das modificações. 

A próxima rodada de negociação com a Fenaban ficou marcada para o dia 17 de agosto.

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Assembleia nesta quarta 8

A proposta dos bancos será apreciada pelos bancários de São Paulo, Osasco e região em assembleia nesta quarta-feira 8, a partir das 19h, na Quadra dos Bancários (Rua Tabatinguera, 192, Centro). E o Comando Nacional dos Bancários indica sua rejeição, pelo fato de a proposta ser insuficiente e incompleta.

“Todos na Quadra amanhã. Trabalhadores de bancos privados e públicos, sindicalizados ou não, devem participar para dar um sonoro 'não' a essa proposta que não atende nossas reivindicações”, reforça Ivone.

A assembleia também deve deliberar sobre a participação da categoria bancária nos atos e paralisações da sexta-feira 10 de agosto, o Dia do Basta, chamado pela CUT, CTB, Intersndical e demais centrais sindicais e pelos movimentos sociais, em protesto contra os retrocessos do governo golpista de Temer, como a reforma trabalhista, o aumento dos combustíveis, a entrega do patrimônio nacional e o desmonte das empresas públicas, entre elas a Caixa e o BB, o aumento do desemprego e o empobrecimento da população, com crescimento da miséria e cortes nas verbas da saúde e educação. 

“Os bancários devem se unir às demais categorias para se manifestar contra as medidas do governo Temer e também contra a proposta insuficiente e incompleta dos bancos”, argumenta a presidenta do Sindicato.

Bancos lucram alto

Mesmo na crise, os bancos ganham, e muito. Em 2017, os cinco maiores bancos que atuam no país (Itaú, Bradesco, Santander, BB e Caixa), que empregam em torno de 90% da categoria, lucraram juntos R$ 77,4 bilhões, aumento de 33,5% em relação a 2016. Só no primeiro trimestre deste ano, eles já atingiram R$ 20,3 bi em lucro, 18,7% a mais do que no mesmo período de 2017. E os balanços do semestre já divulgados pelo ItaúBradesco e Santander apontam que o ritmo de crescimento se manterá. 

Entre 2012 e 2017, o lucro líquido das maiores instituições financeiras no país teve uma variação real positiva de 12%. E o volume das atividades também apresentou crescimento nesse período: a carteira de crédito aumentou 25% acima da inflação e o número de clientes com conta corrente e conta poupança apresentou alta de 9% e 31%.

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“Os dados deixam claro que os bancos não têm nenhuma desculpa para não oferecer aumento real aos bancários. Também não dão margem para qualquer justificativa para os cortes de postos de trabalho que o setor vem promovendo. Na mesa, os bancos só se comprometeram em não adotar o empregado hipersuficiente, previsto na reforma trabalhista", informa Ivone. O empregado hipersuficiente, que possui escolaridade de nível superior e ganha acima de dois tetos do INSS, poderia estabelecer condições de trabalho diretamente com o empregador, e nao estaria resguardado pela CCT.

"Mas não adotar a hipersuficiência é pouco.Queremos aumento real e queremos garantia de emprego, garantia de que os bancos não adotarão as novas contratações permitidas pela lei trabalhista de Temer. Queremos ainda melhorias nas cláusulas de saúde da CCT, já que os bancários são uma das categorias que mais adoecem. Queremos o fim das metas abusivas, uma das principais causas do adoecimento. Enfim, queremos uma proposta melhor e completa”, ressalta Ivone Silva.

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Veja como foram as negociações anteriores com a Fenaban

> 1ª rodada: Bancos frustram na primeira rodada de negociação
> 2ª rodada: Calendário de negociações foi definido
> 3ª rodada: Categoria adoece, mas Fenaban não apresenta proposta 
> 4 rodada: Em mesa de emprego, bancos não se comprometem contra contratações precárias
> 5ª rodada: Bancos não apresentam proposta

Saiba como foram as negociações com o Banco do Brasil

> 1ª rodada: BB mostra disposição para negociar com funcionários
> 2ª rodada: Segunda mesa com BB define abrangência do acordo
> 3ª rodada: Terceira negociação com BB traz poucos avanços
> 4ª rodada: Banco do Brasil propõe reduzir prazo de descomissionamento e não avança na pauta
> 5ª rodada: Mesa de negociação com BB fica zerada na pauta econômica
> 6ª rodada: BB apresenta proposta insuficiente e incompleta

Veja como foram as negociações anteriores com a Caixa:

> 1ª rodada: Empregados e Caixa definem calendário de negociação
> 2ª rodada: Direção da Caixa não garante direitos dos empregados
> 3ª rodada: Governo quer impor o fim do Saúde Caixa
> 4ª rodada: Caixa não avança nas negociações
> 5ª rodada: Caixa apresenta proposta inaceitável



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