CAMPANHA 2018

Bancos propõem reajuste de 5% com garantia de direitos

Após dez rodadas de negociação, categoria arranca aumento real de 1,18%, maior que média dos acordos do 1º semestre, e manutenção de todas as cláusulas da CCT. Em assembleias na quarta 29, bancários de bancos privados, da Caixa e do BB avaliam proposta; Comando Nacional orienta aprovação

  • Andréa Ponte Souza, Spbancarios
  • Publicado em 26/08/2018 02:41 / Atualizado em 31/08/2018 14:17

Foto: Jailton Garcia/Contraf-CUT

Num cenário de retirada de direitos, com a reforma trabalhista que precariza empregos e ataca a organização dos trabalhadores, os bancários mostraram mais uma vez sua força, garantindo uma proposta que mantém todas as conquistas históricas da categoria e ainda um reajuste de 5%, com aumento real de 1,18%, maior do que média dos acordos coletivos fechados no primeiro semestre (leia abaixo). Prevê, também, acordo com validade de dois anos, já garantida para 2019 a manutenção de todos os direitos, além da reposição total da inflação (INPC) mais 1% de aumento real para salários e demais verbas. Se aprovada a proposta, a primeira parcela da PLR será paga em 20 de setembro.

Se proposta for aprovada, PLR vem dia 20 de setembro

“Foram dez rodadas de negociação em que a Fenaban ou não apresentava nada ou apresentou propostas inaceitáveis, com alteração ou exclusão de cláusulas da CCT. Mas a categoria bancária mais uma vez mostrou sua força, tanto na mesa com os bancos quanto nas mobilizações que promovemos, com paralisações de agências e centros administrativos em todo o país. E conseguimos arrancar uma proposta que, além de manter nossas conquistas históricas, avança com novas, e prevê aumento real maior do que o de 0,5% proposto por eles anteriormente”, avalia a presidenta do Sindicato e uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários, Ivone Silva.

 

 

 

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Os bancários de todo o país avaliarão a proposta em assembleias na quarta-feira 29. A assembleia dos trabalhadores de bancos privados da base do Sindicato será no Clube Homs (Av. Paulista, 735); a dos empregados da Caixa será na Quadra dos Bancários (Rua Tabatinguera, 192, Sé); e a dos funcionários do Banco do Brasil será na Casa de Portugal (Av. da Liberdade, 602, Liberdade), todas às 19h. O Comando orienta pela aprovação da proposta Fenaban, assim como pela aprovação das específicas do Banco do Brasil e da Caixa.

Tire suas dúvidas sobre a proposta da Caixa



“Diante do golpe que tem promovido enormes retrocessos no país, com aumento do desemprego, aprofundamento da crise e perda do poder de compra da população e com medidas como a reforma trabalhista, elaborada para retirar direitos e enfraquecer o poder de organização da classe trabalhadora. E diante de um cenário eleitoral de incertezas. Ter uma proposta que resguarda nossos direitos, que manteve a mesa única de negociação (com bancos privados e públicos) e os acordos por bancos e que garante aumento real, é uma vitória contra esses ataques todos que estamos sofrendo", reforça Ivone. "Mais uma vez a luta da categoria bancária vai servir de modelo para as demais categoria que forem negociar daqui para a frente, fortalecendo toda a classe trabalhadora”, acrescenta. A proposta prevê ainda taxa negocial de 1,5%.

A dirigente lembra ainda que a reforma trabalhista acabou com a ultratividade, princípio que previa a validade de um acordo até a assinatura de um novo. “Com o fim da ultratividade, nossa CCT perde a validade em 31 de agosto. Por isso antecipamos nossa campanha este ano e é fundamental fechar um acordo no tempo hábil, antes da data base da categoria (1º de setembro).”

Ela destaca que a Campanha dos Bancários 2018 também garantiu os direitos dos trabalhadores dos bancos públicos, que estão sendo desmontados pelo governo Temer. “Nossa luta também foi vitoriosa porque manteve os direitos especificos previstos nos acordos do Banco do Brasil e da Caixa.”

A proposta garante ainda todos os direitos para os empregados hipersuficiente (bancários com salários a partir de R$ 11.291,60). O empregado hipersuficiente foi criado pela nova lei trabalhista: eles poderiam estabelecer suas condições de trabalho diretamente com o empregador, e não estariam resguardados pelo acordo coletivo da categoria. “Conseguimos manter a validade da CCT para esses bancários”, reforça Ivone. 

Aumento real acima da média dos acordos

Levantamento feito pelo Dieese, que levou em conta 4.659 acordos fechados entre janeiro e julho deste ano, mostra que o aumento real médio foi de 0,97%. A força da categoria bancária, na mesa de negociação com os bancos e nas mobilizações em todo o país, garantiu reajuste de 5% com ganho real de 1,18%.

Saiba como foram as negociações anteriores com a Fenaban

> 1ª rodada: Bancos frustram na primeira rodada de negociação
> 2ª rodada: Calendário de negociações foi definido
> 3ª rodada: Categoria adoece, mas Fenaban não apresenta proposta 
> 4ª rodada: Em mesa de emprego, bancos não se comprometem contra contratações precárias
> 5ª rodada: Bancos não apresentam proposta
> 6ª rodada: Bancos lucram bilhões e não querem dar aumento real
> 7ª rodada: Negociação com Fenaban continuará na terça-feira 21
> 8ª rodada: Bancos propõem reajuste insuficiente, com retirada de direitos
> 9ª rodada: Valeu a pressão: bancos recuam e devolvem PLR às bancárias em licença-maternidade
          PLR dos afastados também está garantida; negociação continua nesta sexta
> 10ª rodada: Comando cobra ultratividade e bancos respondem no sábado

Categoria esteve mobilizada durante as negociaçoes:

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