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24 de fevereiro: Sindicato relembra conquista do voto feminino no Brasil

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Eleitora vota nas eleições presidenciais, no Rio de Janeiro, em 3 de outubro de 1955 (Foto: Arquivo Nacional)

Eleitora vota nas eleições presidenciais, no Rio de Janeiro, em 3 de outubro de 1955 (Foto: Arquivo Nacional)

Em 24 de fevereiro é celebrado o Dia da Conquista do Voto Feminino no Brasil. A data passou a integrar o calendário oficial em 2015, com a promulgação da Lei nº 13.086, e remete à aprovação do Código Eleitoral de 1932, que garantiu pela primeira vez, em âmbito nacional, o direito das mulheres de votar e serem votadas.

O artigo 2º do Código estabelecia: “É eleitor o cidadão maior de 21 anos, sem distinção de sexo, alistado na forma deste Código”. Apesar do avanço histórico, o voto feminino ainda era facultativo naquele momento, já que o texto previa que mulheres de qualquer idade poderiam se isentar das obrigações eleitorais. Ainda assim, o reconhecimento formal representou um marco na consolidação da cidadania feminina no país.

A partir da nova legislação, as mulheres também passaram a poder disputar cargos eletivos. Em 1933, a médica paulista Carlota Pereira de Queiroz tornou-se a primeira deputada federal brasileira, eleita para a Assembleia Nacional Constituinte responsável pela elaboração da Constituição de 1934. No ano seguinte, Maria Thereza Nogueira de Azevedo e Maria Thereza Silveira de Barros Camargo foram eleitas para a Assembleia Legislativa de São Paulo. Já em 1951, Anna Lamberga Zéglio tornou-se a primeira vereadora a tomar posse na Câmara Municipal paulistana.

A conquista, no entanto, foi resultado de décadas de mobilização. Desde o final do século XIX, mulheres organizadas reivindicavam direitos políticos. Na República Velha, houve intensos debates sobre a interpretação da Constituição de 1891 e a possibilidade de incluir as mulheres no conceito de “cidadãos” aptos ao voto. Embora propostas de emenda tenham sido rejeitadas, a legislação também não proibia explicitamente o voto feminino.

Foi nesse contexto que o Rio Grande do Norte se tornou pioneiro ao aprovar, em 1927, a Lei Estadual nº 660, assegurando o direito de votar e ser votado “sem distinção de sexo”. A professora Celina Guimarães Viana, de Mossoró (RN), tornou-se a primeira eleitora brasileira registrada, em 1927. Pouco depois, em 1928, Alzira Soriano foi eleita prefeita de Lajes (RN), tornando-se a primeira mulher a governar um município no Brasil, com apoio da ativista Bertha Lutz, uma das principais lideranças do movimento sufragista no país.

Primeiras eleitoras do Rio Grande do Norte. Identificadas da esquerda para a direita, sentadas: Concita Câmara (1ª), Júlia Medeiros (2ª), Júlia Barbosa (3ª) e Carolina Wanderley (5ª); de pé, Maria de Lourdes Lamartine (4ª). Natal (RN), 1928 (Foto: Arquivo Nacional)

Para a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Neiva Ribeiro, a data simboliza não apenas um marco histórico, mas um chamado à continuidade da luta por igualdade. “O direito ao voto foi uma vitória construída com muita mobilização e coragem das mulheres que nos antecederam. Celebrar o 24 de fevereiro é reconhecer essa trajetória e reafirmar que a democracia só é plena com participação e representação feminina em todos os espaços de poder”, destaca.

Neiva também ressalta que, apesar dos avanços, ainda há desafios a enfrentar. “As mulheres seguem sub-representadas na política e enfrentam desigualdades no mundo do trabalho. Honrar essa conquista é seguir lutando por direitos, por equidade e por uma sociedade mais justa.”

Sub-representação política

Câmara dos Deputados: Conta com 91 deputadas federais, representando 17,7% do total de 513 cadeiras.

Senado Federal: Composto por 16 senadoras, o que representa cerca de 19,8% das 81 cadeiras.

Representatividade: Relatório da ONU Mulheres e da União Interparlamentar (UIP) revela que o Brasil, em 2025, ocupou a 133ª colocação no ranking global de presença de mulheres nos parlamentos.

Luta histórica e global

Primeira página do estatuto da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino. Boletim Informativo, 1929. Arquivo Nacional Fundo Federação Brasileira pelo Progresso Feminino. 

O sufragismo, que defendia os direitos políticos das mulheres, ganhou força internacionalmente no final do século XIX e início do século XX. A Nova Zelândia foi o primeiro país a garantir o voto feminino, em 1893, seguida pela Finlândia, em 1906.

Já na Inglaterra, protagonista do movimento sufragista, o voto feminino só foi conquistado em 1918.Entretanto, o direito era restrito às mulheres donas de propriedade, somente dez anos depois foi instituído o sufrágio universal. Nos Estados Unidos, o direito ao voto feminino foi alcançado em 1920, com a entrada em vigor da 19ª emenda.

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