Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato, e Juvandia Moreira, presidenta da Contraf-CUT e vice-presidenta da CUT, na 114ª Conferência Internacional do Trabalho (Foto: Seeb-SP)
Nesta terça-feira, 9 de junho, a presidenta do Sindicato, Neiva Ribeiro, juntamente com demais integrantes da delegação da Contraf-CUT, participa do "3º Diálogo Social Tripartite: temas trabalhistas prioritários do momento", realizado em Genebra, na Suíça, no âmbito da 114ª Conferência Internacional do Trabalho (CIT), em curso desde o dia 1º de junho.
A 114ª Conferência Internacional do Trabalho (CIT) é realizada pela OIT (Organização Internacional do Trabalho) e reúne representantes de governos, empregadores e trabalhadores dos seus 187 Estados-membros.
Também participaram do "3º Diálogo Social Tripartite: temas trabalhistas prioritários do momento" Juvandia Moreira, presidenta da Contraf-CUT e vice-presidenta da CUT; Luiz Marinho, ministro do Trabalho e Emprego; Tovar da Silva Nunes, representante permanente do Brasil junto à ONU em Genebra; Ana Virginia Moreira Gomes, diretora regional da OIT para a América Latina e o Caribe; os ministros Augusto César Leite de Carvalho e Delaíde Alves Miranda Arantes, do Tribunal Superior do Trabalho (TST); o procurador do Ministério Público do Trabalho Gláucio Araújo de Oliveira; o senador Laércio Oliveira; Vander Costa, presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT); Roberto de Oliveira Muniz, diretor de Relações Institucionais da Confederação Nacional da Indústria (CNI); Antônio Fernandes dos Santos Neto, presidente da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB); Gladir Basso, presidente da Federação dos Bancários do Paraná (FEEB-PR); e Adauto Duarte, presidente da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban).
Transformações tecnológicas e a construção de um futuro do trabalho mais justo
Durante sua fala no "3º Diálogo Social Tripartite: temas trabalhistas prioritários do momento", Neiva Ribeiro abordou as transformações tecnológicas e as ações necessárias para a construção de um futuro do trabalho mais justo.
“Os avanços tecnológicos sempre acompanharam o desenvolvimento econômico e social. No setor financeiro, esse processo tem ocorrido em ritmo acelerado, impulsionado pela digitalização das transações, pela expansão da inteligência artificial (IA), pelo uso massivo de dados e pela entrada de novos atores, como fintechs, instituições de pagamento e plataformas digitais. Atualmente, essas transformações remodelam a atividade bancária, alteram a organização do trabalho e impõem novos desafios para trabalhadores, empresas e sociedade”, contextualizou a presidenta do Sindicato na abertura de sua fala.
Avanço tecnológico no setor financeiro
Neiva Ribeiro citou números que demonstram o avanço cada vez mais acelerado das novas tecnologias no setor financeiro.
“Os investimentos em tecnologia pelos bancos brasileiros cresceram de forma consistente nos últimos anos, alcançando quase R$ 48 bilhões em 2025. Ao mesmo tempo, 75% das transações bancárias já são realizadas por meio do mobile banking, e os canais digitais concentram a maior parte das operações financeiras realizadas no país”, afirmou a presidenta do Sindicato, destacando ainda que a inteligência artificial e a computação em nuvem ocupam hoje posição central nas estratégias das instituições financeiras.
Impactos no emprego, relações de trabalho e na sociedade
Por outro lado, Neiva Ribeiro ressaltou ainda que essas transformações tecnológicas não podem ser analisadas apenas sob a perspectiva da eficiência econômica. É preciso priorizar questões como os impactos sobre o emprego, a forma como as tecnologias afetam de maneira desigual diferentes grupos sociais — especialmente as mulheres —, a exclusão digital, o crescimento de fraudes e golpes, além dos riscos relacionados à segurança da informação.
“No setor financeiro, os impactos já são visíveis. Enquanto cresce a participação das ocupações ligadas à tecnologia da informação, reduz-se o peso de funções tradicionais. Em 2025, o setor bancário eliminou aproximadamente 8,9 mil postos de trabalho, sendo as mulheres as mais afetadas pelas demissões. Paralelamente, as atividades de TI ganham espaço nas estruturas organizacionais dos bancos, evidenciando um processo de reconfiguração ocupacional que exige novas qualificações e amplia a necessidade de políticas de transição justa para os trabalhadores”, enfatizou a dirigente.
A tecnologia deve beneficiar também os trabalhadores
Para Neiva Ribeiro, a tecnologia não pode servir apenas para maximizar o lucro das empresas. Ela deve também — ao contrário do que ocorre atualmente, com o aumento da intensidade do trabalho, da pressão por resultados, da hiperconectividade e dos problemas relacionados à saúde mental — melhorar as condições de vida dos trabalhadores e trabalhadoras, ampliar capacidades humanas e democratizar o acesso aos serviços.
“Se as novas tecnologias permitem produzir mais riqueza com menos tempo de trabalho, é necessário discutir quem se beneficia desses ganhos de produtividade e como eles podem contribuir para uma sociedade mais justa e equilibrada”, defendeu a dirigente.
“Os ganhos de produtividade precisam ser convertidos em melhoria da qualidade de vida. Isso significa discutir valorização salarial, fortalecimento da proteção social e, sobretudo, redução da jornada de trabalho sem redução de salários”, acrescentou.
A importância da negociação coletiva
Para a presidenta do Sindicato, também é fundamental assegurar que a inteligência artificial seja desenvolvida e utilizada de forma responsável, garantindo transparência, proteção de dados, não discriminação, supervisão humana, segurança jurídica e respeito aos direitos fundamentais. Além disso, é necessário criar mecanismos de proteção ao emprego, programas permanentes de requalificação profissional e garantir a participação dos trabalhadores nas decisões relacionadas à implementação dessas tecnologias.
“Nesse contexto, a negociação coletiva assume papel estratégico. A experiência recente da categoria bancária brasileira com a mesa que discute a gestão ética da tecnologia demonstra que esse caminho é possível”, avaliou Neiva Ribeiro.
“Os desafios são muitos e exigem ação coordenada de governos, empresas, sindicatos e organismos internacionais. Garantir que a inteligência artificial e as novas tecnologias sejam desenvolvidas e utilizadas em benefício das pessoas, com respeito aos direitos fundamentais, à igualdade de oportunidades, aos princípios do trabalho decente e à distribuição dos ganhos de produtividade, será uma das tarefas centrais deste século”, concluiu a presidenta do Sindicato.
Direitos dos trabalhadores e defesa do PIX
Por sua vez, Juvandia Moreira, presidenta da Contra-CUT e vice-presidenta da CUT, que falou em nome da central sindical no "3º Diálogo Social Tripartite: temas trabalhistas prioritários do momento", abordou a Pauta da Classe Trabalhadora; a luta pelo fim da escala 6x1; a defesa da negociação coletiva; o direito à negociação no setor público; a Convenção nº 151 da OIT, adotada em 1978, que garante a negociação coletiva aos trabalhadores da administração pública; a necessidade de leis mais rígidas que combatam os altos índices de feminicídio no Brasil; os impactos da plataformização da economia nos direitos dos trabalhadores; além de fazer uma enfática defesa do PIX diante dos ataques perpetrados pelo governo dos EUA contra o sistema digital de pagamentos brasileiro.
Luiz Marinho defende o fim da escala 6x1
Já o ministro do Trabalho e Emprego do Brasil, Luiz Marinho, destacou as políticas do governo brasileiro para regulamentar o trabalho de plataforma, os impactos da IA no mercado do trabalho e defendeu o fim da escala 6x1 como uma forma de melhorar qualidade de vida dos trabalhadores, permitindo que estes tenham tempo para o estudo, convívio familiar, cultura, esporte e lazer.
O ministro defendeu ainda que o fim da escala 6x1 é uma forma de fazer com que as vagas em aberto no mercado de trabalho sejam ocupadas, uma vez que as pessoas querem trabalhar, mas também desejam ter uma vida além do trabalho.
Marinho também ressaltou a importância do "3º Diálogo Social Tripartite: temas trabalhistas prioritários do momento", no qual trabalhadores, empregadores e governos colocam seus interesses de forma respeitosa, buscando um diálogo que fortaleça a negociação coletiva e gere avanços em temas que são importantes para a sociedade.
O que é a CIT
A Conferência Internacional do Trabalho (CIT) é realizada anualmente pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). Funciona como uma assembleia geral em que ocorrem encontros entre representantes de governos, empregadores e trabalhadores dos 187 Estados-membros para a elaboração de normas globais, fiscalização de convenções já ratificadas, realização de diálogos tripartites e definição das políticas da OIT.
Neste ano, os debates estão organizados em quatro comissões: aplicação de normas da OIT; igualdade de gênero no mundo do trabalho; diálogo social e tripartismo; e uma comissão especial sobre trabalho decente e economia de plataformas.
Este é o terceiro ano consecutivo em que o Sindicato e Contraf-CUT são convidados a participar de diálogos tripartites no âmbito da CIT. Em 2024, o tema do encontro foi "As tecnologias disruptivas, como a IA, e o futuro do trabalho". Em 2025, o debate abordou "Eventos climáticos extremos, mulheres e diversidade nas negociações coletivas".