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"Pensar na felicidade dos funcionários é melhorar as condições de trabalho", defende Sindicato em cobrança ao BB

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FOTO: Marcelo Camargo/Agência Brasil

FOTO: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Mais de um mês após reunião com a superintendência estadual do Banco do Brasil, realizada em 18 de dezembro, o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região segue sem atendimento às demandas apresentadas sobre condições de trabalho. O encontro tratou de temas centrais para a categoria, como a ampliação do TRI (Regime de Trabalho Remoto), a inclusão de gerentes de serviços no modelo híbrido e o futuro de escritórios localizados no Cenesp.

Na reunião, o Sindicato defendeu a ampliação do TRI para todos os escritórios do banco, garantindo a combinação entre trabalho remoto e presencial. Outra reivindicação foi a inclusão dos gerentes de serviços no regime, conforme previsto inicialmente no plano piloto, com ao menos um dia de home office. Também foi cobrada uma definição sobre a situação de dois escritórios do Cenesp, com questionamentos diretos sobre a possibilidade de saída do complexo e, em caso positivo, para onde esses trabalhadores seriam transferidos.

Apesar da relevância dos temas e do impacto direto na vida dos funcionários, até o momento, a única resposta veio com redução dos dias de trabalho remoto em dois locais na base do sindicato. Para a dirigente sindical Juliana Carminato, a postura demonstra desrespeito com os trabalhadores e com a representação sindical.

“Entendemos que há um desrespeito com os trabalhadores e com o movimento sindical, visto que, após a nossa reunião, a resposta veio na redução de dois dias para um dia de home office nos Escritórios Exclusivos Barueri e Moema. Aguardamos uma resposta no sentido de que os trabalhadores que estejam na mesma função tenham os mesmos direitos e que as demandas anteriormente solicitadas sejam atendidas”, afirma Juliana.

"Houve ampliação do TRI em várias outras cidades semana passada, menos na região metropolitana de São Paulo, que é a região com maior tempo de deslocamento do país. Embora seja positiva a ampliação do modelo de trabalho remoto, reduzi-lo justamente na região que tem uma das piores condições de mobilidade urbana da América Latina é um contrassenso", completa a dirigente.

Questão de saúde

Antonio Netto, dirigente do Sindicato e representante da Fetec-CUT/SP na Comissão de Empresa dos Funcionários do BB (CEBB), lembra que a categoria bancária está entre as mais adoecidas em função do trabalho. Segundo ele, o deslocamento diário até o local de trabalho é um dos principais fatores de agravamento da saúde e de insatisfação profissional.

"O trabalho remoto não é um privilégio, é um modelo de trabalho que se torna cada vez mais requisitado em cidades onde os trabalhadores perdem muito tempo para se deslocar no dia a dia. Quem pensa na felicidade de seus funcionários, deveria refletir melhor sobre suas condições de trabalho", cobra o dirigente.

"No momento em que a sociedade brasileira discute a redução de jornada de trabalho sem redução de salários, com o projeto de fim da escala 6x1, nada mais razoável do que pensar na redução do tempo de deslocamento do trabalhador nos casos em que a tecnologia e a atividade desempenhada permitem. Mitigar o tempo perdido no trânsito e o estresse diário pode contribuir para um melhor equilíbrio entre vida profissional e pessoal, algo fundamental para uma categoria que adoece cada vez mais”, defende Netto.

Os dados reforçam a gravidade do cenário. Informações do Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho (SmartLab) mostram que, embora a categoria bancária represente apenas 0,8% do emprego formal no país, foi responsável por 2,18% dos 168,7 mil afastamentos acidentários (B91) registrados em 2024. No mesmo ano, os bancos múltiplos com carteira comercial ocuparam a primeira posição entre os afastamentos acidentários por saúde mental, com 1.946 registros, e a quinta posição entre os afastamentos previdenciários, somando 8.345 ocorrências.

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