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Chapéu
Entrega

Presidente do BB faz pouco caso da empresa

Linha fina
Em evento no Rio de Janeiro, Rubem Novaes afirmou que a empresa deveria ser privatizada
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Foto: Tânia Rêgo / Agência Brasil / Arquivo

Durante um evento no Rio de Janeiro, o presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, afirmou que a venda de estatais como o BB e a Caixa não está em cogitação, mas disse estar “convencido” de que o Banco do Brasil deveria ser privatizado. Segundo reportagem do G1, Novaes ainda defendeu que o BB, que lucrou mais de R$ 13 bilhões em 2018, estaria “melhor na mão do setor privado”.

“É um absurdo o presidente do banco fazer tão pouco caso da empresa como fez nesta infeliz declaração. O BB, assim como os demais bancos públicos, é um importante instrumento de desenvolvimento para o país, e entregar este patrimônio do povo brasileiro nas mãos da iniciativa privada trará prejuízos para todos”, criticou o secretário de Assuntos Jurídicos do Sindicato, João Fukunaga, que também é membro da Comissão de Empresa do BB.

Para se ter uma ideia, o Banco do Brasil é um dos responsáveis por cerca de 70% do volume de créditos concedidos para a agricultura familiar. Segundo dados do Plano Safra 2016-2017, sem os bancos públicos e o Pronaf, os agricultores teriam que pagar até 70% de juros ao ano, o que provocaria encarecimento dos alimentos que chegam à mesa do trabalhados. Com as bancos públicos e Pronaf, a taxa varia entre 2,5 e 5,5% ao ano, em especial para arroz, feijão, batata, tomate, cebola e laranja.

> Leia a cartilha dos bancos públicos

Além disso, a eficiência do Banco do Brasil é comprovada pelos números. Segundo os Relatórios da Administração e Demonstrações Contábeis dos bancos, de 2015, a média de operações de crédito por agência do BB só ficava atrás de outro banco público: a Caixa Econômica Federal. Enquanto o BB apresentou, naquele ano, R$ 125,1 milhões em operações por agência, o Itaú, terceiro colocado no ranking, apresentou R$ 121,3 milhões.

“Isso sem falarmos do Fies, que contribui para a entrada de milhões de estudantes na universidade; ou do fato de o BB e demais bancos públicos estarem presentes em cidades e regiões onde há pouca oferta de agências bancárias, uma vez que as instituições privadas não têm interesse em investir nestas localidades. Tirar este patrimônio das mãos do povo brasileiro é uma afronta àqueles que defendem o desenvolvimento do país e a redução das desigualdades”, completou Fukunaga.