O Bradesco está substituindo o pagamento de horas extras por folgas ao adotar acordo individual de compensação de horas, que deve ser pactuado entre o funcionário e seu gestor.
Quando anunciou a mudança, o banco informou ao Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região que a adesão seria voluntária. Mas bancários têm relatado pressão indireta para a anuência.
Para o Sindicato, a imposição do acordo individual de compensação de horas isola trabalhadores de proteções derivadas das negociações coletivas.
“Diferentemente das negociações coletivas — que contam com mediação, transparência e salvaguardas —, o modelo individual deixa o trabalhador mais vulnerável a abusos e sem instrumentos efetivos de defesa”, destaca Márcio Rodrigues, diretor do Sindicato e bancário do Bradesco.
Pressão por adesão voluntária e impactos na rotina
Sob o argumento de flexibilização da jornada, o acordo individual de compensação de horas levanta dúvidas sobre seu caráter voluntário. Relatos de diversas unidades indicam imposição velada.
Em um ambiente de metas abusivas, a compensação de horas dificulta o planejamento pessoal e aumenta o desgaste dos trabalhadores, que enfrentam sobrecarga física e mental sem pagamento de horas extras.
“A compensação de jornada, que deveria beneficiar o bancário, atende aos interesses da gestão”, afirma Marcio.
Relatos da área de TI em Alphaville e Osasco
No setor de TI em unidades de Alphaville e da matriz em Osasco, com regime 24x7, os sábados remunerados como extras agora viraram compensação de horas. Bancários relatam que a mudança abrupta compromete a vida pessoal.
Procurado para esclarecer a prática, o banco ainda não se manifestou até a publicação deste texto. “O silêncio institucional diante de denúncias consistentes apenas amplia a apreensão da categoria”, pontua Márcio.
Ação sindical contra imposições
O Sindicato sinaliza a intensificação de ações nos locais de trabalho. “Em jogo está o equilíbrio nas relações de trabalho e direitos conquistados”, reforça Márcio.
Sem o Sindicato, bancários perdem a defesa coletiva contra abusos na compensação de horas. “Por isto, sindicalize-se e fortaleça a luta pelos nossos direitos”, afirma Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato.