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Flávio Bolsonaro empregou ex-vice-presidente da Caixa demitido por assédio sexual

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Celso Leonardo Barbosa, ex-vice-presidente da Caixa, atuou como assessor parlamentar do senador Flávio Bolsonaro (Foto: Reprodução/YouTube)

Celso Leonardo Barbosa, ex-vice-presidente da Caixa, atuou como assessor parlamentar do senador Flávio Bolsonaro (Foto: Reprodução/YouTube)

O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro empregou em seu gabinete parlamentar o ex-vice-presidente da Caixa Econômica Federal Celso Leonardo Barbosa, demitido por assédio sexual. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

Celso Leonardo Barbosa foi contratado como assessor parlamentar de Flávio Bolsonaro em junho de 2025, com salário mensal de R$ 20,7 mil. O ex-vice-presidente da Caixa só foi exonerado após o senador ser questionado pela reportagem da Folha sobre a permanência de Celso em sua equipe.

Assédio sexual

De acordo com apuração da Folha de S.Paulo, Celso Leonardo Barbosa era homem de confiança do então presidente da Caixa, Pedro Guimarães, indicado ao cargo por Jair Bolsonaro, e que também deixou o banco público após denúncias de assédio sexual.

Ainda segundo a Folha, uma empregada da Caixa denunciou ter sido assediada sexualmente por Celso durante uma viagem a Goiás, no contexto do programa Caixa Mais Brasil — o mesmo citado nas denúncias contra Pedro Guimarães.

Reportagem do jornal O Globo, publicada em junho de 2022, relatou que, segundo depoimentos de duas empregadas da Caixa, um vice-presidente do banco sugeriu que uma funcionária trocasse de roupa e fosse até a piscina do hotel para encontrar Pedro Guimarães.

Na piscina, segundo uma testemunha, esse vice-presidente teria perguntado à vítima se ela gostaria de “entrar para o círculo de confiança” e afirmado que, caso quisesse “transar” com ele ou com o então presidente da Caixa, “seria tranquilo”. Ainda segundo o relato, ele teria dito que ela poderia “subir para o quarto do presidente e transar com os dois”, porque “confiança é isso”.

Em entrevista ao Fantástico, em 2022, uma empregada da Caixa acusou Celso Leonardo Barbosa de acobertar os assédios cometidos por Pedro Guimarães.

Celso foi demitido da Caixa pouco após a saída de Pedro Guimarães, envolvido em diversas denúncias de assédio sexual. O ex-vice-presidente formalizou um acordo de não persecução penal com a Justiça no processo relacionado ao caso de assédio, assumindo culpa e prestando serviços comunitários.

Falsidade ideológica

O ex-vice-presidente da Caixa também responde a um processo por falsidade ideológica. Segundo a denúncia, ele teria inserido informações inverídicas em documentos necessários para a indicação ao cargo de vice-presidente da Caixa.

Atuação como professor

A reportagem da Folha de S.Paulo também apurou que, de acordo com o próprio currículo de Celso , o então assessor de Flávio Bolsonaro acumulava as atividades no gabinete do senador com sua atuação como professor da Fundação Dom Cabral.

Segundo nota da Fundação Dom Cabral, Celso estava cadastrado como “professor convidado eventual, sem vínculo empregatício”.

Nas redes sociais do ex-vice-presidente da Caixa — nas quais ele omite tanto sua passagem pelo banco público quanto o cargo de assessor parlamentar — há registros de aulas e palestras realizadas em horário de expediente, inclusive fora de Brasília.

Exonerado após questionamento da Folha

Celso Leonardo Barbosa só foi exonerado do cargo de assessor parlamentar após o gabinete de Flávio Bolsonaro ser procurado pela reportagem da Folha de S.Paulo.

“Ele omitiu da chefia imediata pendências judiciais relevantes e, além disso, infringiu de forma grave as normas do Senado Federal ao exercer atividades particulares durante o horário de expediente”, declarou o senador. “O gabinete não compactua com qualquer desvio de conduta, abuso de confiança ou descumprimento das obrigações funcionais. Diante da gravidade dos fatos, o desligamento foi realizado de forma imediata”, completou.

Sindicato na defesa dos empregados da Caixa e do banco público

A presidenta do Sindicato, Neiva Ribeiro, lembra que a entidade repercutiu e cobrou providências da direção do banco público diante das denúncias de assédio sexual e moral contra Pedro Guimarães e integrantes de sua equipe.

“Os empregados e empregadas da Caixa lembram bem dos inúmeros casos de assédio moral e sexual, além do uso eleitoral e do desmonte do banco público promovidos por Pedro Guimarães, considerado à época um dos braços direitos do ex-presidente Jair Bolsonaro. Realizamos diversos protestos e também movemos ação judicial”, afirma Neiva Ribeiro.

“É um absurdo que um ex-vice-presidente da Caixa, com histórico de abusos e ilegalidades, seja premiado com um cargo de assessor parlamentar com remuneração superior a R$ 20 mil, paga por todos os brasileiros. É preciso que os trabalhadores e trabalhadoras estejam atentos e não elejam para cargo algum — muito menos para o mais alto posto da nação — parlamentares com esse tipo de conduta, que empregam assediadores e atuam contra os interesses da classe trabalhadora”, conclui a presidenta do Sindicato.

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