Bradesco, Itaú e Santander, os três maiores bancos privados que atuam no Brasil, registraram lucro líquido conjunto de R$ 45,4 bilhões no primeiro semestre de 2026.
O resultado representa crescimento de 7,8% na comparação com o mesmo período do ano passado e foi divulgado justamente em meio à Campanha Nacional dos Bancários 2026, quando a categoria negocia reajuste salarial e melhores condições de trabalho.
O Bradesco apresentou a maior expansão do lucro entre os três, com alta de 16,2%, seguido pelo Itaú, que ampliou o resultado em 9,1%. O Santander foi o único a registrar queda, de 9,5%.
“Os números comprovam a capacidade financeira dos bancos e, para os trabalhadores, evidenciam a importância de uma política efetiva de valorização e de proteção ao emprego. Afinal, enquanto os resultados permanecem expressivos, a categoria enfrenta um cenário marcado por redução de postos de trabalho e da rede física”, destaca Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários.
Lucro cresce, emprego diminui
Em apenas um ano, Bradesco, Itaú e Santander eliminaram 14.157 postos de trabalho. O Santander foi responsável pelo maior número de cortes, com 6.591 vagas fechadas, seguido pelo Itaú, com 5.118, e pelo Bradesco, com 2.448.
A redução também atingiu as agências. Juntos, os três bancos fecharam 837 unidades, uma retração de aproximadamente 16% na rede física. O Itaú encerrou 335 agências, o Bradesco, 324, e o Santander, 178.
Mesmo com menos trabalhadores e uma estrutura física cada vez menor, os bancos seguem apresentando resultados bilionários.
Para o Sindicato dos Bancários de São Paulo, os números reforçam que a rentabilidade do setor não pode ser construída à custa da sobrecarga, da redução do emprego e da precarização das condições de trabalho.
Bancários querem participação nos resultados
Neiva Ribeiro destaca que por trás dos números bilionários estão milhares de bancários que, diariamente, garantem o funcionamento do sistema financeiro, atendem clientes, cumprem metas e contribuem diretamente para os resultados alcançados pelas instituições.
“Estamos em meio à Campanha Nacional Unificada, e a categoria reivindica que essa contribuição seja reconhecida de forma concreta. A valorização dos trabalhadores deve se traduzir em aumento real nos salários, reajuste dos vales refeição e alimentação, PLR e demais verbas econômicas, além de novas conquistas a serem garantidas pela Convenção Coletiva de Trabalho e acordos específicos por bancos”, afirma.
“Os resultados apresentados pelas instituições financeiras demonstram que há espaço para avançar nas negociações. Depois de contribuírem decisivamente para a geração de bilhões em lucros, é hora de garantir que uma parcela dessa riqueza retorne para quem a produz: os trabalhadores”, complementa a coordenadora do Comando Nacional dos Bancários.