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Chapéu
Extrapolação do horário

BTG Pactual apresenta lucro de R$ 10 bilhões em meio a denúncias de jornadas abusivas

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Imagem mostra homem trabalhando à noite

O BTG Pactual acumulou lucro líquido ajustado de R$ 10 bilhões no primeiro semestre de 2026, o que representa um crescimento de 31,4% em relação ao mesmo período de 2025. No segundo trimestre do ano o lucro foi de R$ 5,14 bilhões, alta de 22,6% em relação ao mesmo período de 2025.

O resultado, divulgado nesta terça-feira 11, foi obtido em meio a muitas denúncias de extrapolação de jornada (de 12 horas e, por vezes, até 18 horas diárias), pressão intensa por resultados, trabalho em finais de semana, ausência de controle de jornada e falta de pagamento de horas extras ou folgas compensatórias. 

Relatos evidenciam abuso de jornada no BTG

Diante das denúncias frequentes, o Sindicato dos Bancários de São Paulo elaborou um questionário sobre extrapolação da jornada, que foi respondido por dezenas de bancários. Os relatos dão a dimensão do problema. 

“Todo dia cumpro mais que 8h. Entro por volta de 9h30 e saio após às 20h. Não há controle de ponto, a empresa não arca com horas extras. Os demais funcionários da minha equipe trabalham ainda mais, chegam a trabalhar de madrugada devido plantão e ainda são cobrados no dia seguinte. É horrível o nível de despreparo dessa empresa que tem um nome tão grande”, desabafou um trabalhador.

“Existe uma cobrança implícita baseada no bônus do banco. Pra ser bem visto, você precisa trabalhar muito, mais de 12h por dia”, denunciou outro.

“A carga horária está cada vez mais pesada, não vejo um cenário de melhora. É um absurdo pensar que estamos em um país que existe lei trabalhista e ela não é seguida. E o banco não arca com as consequências dos seus atos”, afirmou outro.

“Somos obrigados a cumprir o horário das 9h até 20h, no mínimo. Fora os acessos aos finais de semana e madrugada se houver qualquer incidente”, revelou outro.

“Frequentemente trabalhamos de madrugada e aos fins de semana, sem hora extra. A compensação é o bônus anual que agora esta em risco com a reestruturação”, destacou outro.

“Alta demanda de trabalho, alta carga horária. Somos obrigados a, no mínimo, ficar de 9h as 20h”, reforçou outro.

Noventa e cinco por cento dos bancários que responderam ao questionário do Sindicato afirmaram que as horas extras não são pagas e não são compensadas. E 74% disseram que sofrem retaliação se não ficarem até mais tarde.

Importante lembrar que, no Brasil, a jornada normal de trabalho é de no máximo oito horas por dia e 44 horas semanais, conforme as regras da Constituição Federal. Com a inclusão de até duas horas extras diárias permitidas por lei, o teto absoluto com acréscimo chega a 48 horas por semana.

BTG deve cumprir a lei

Nas reuniões com o banco, o Sindicato reiteradamente vem cobrando solução para esses problemas por meio da implantação de controle das jornadas e do pagamento de eventuais horas extras.

Os representantes do banco haviam se comprometido a regularizar a situação e garantido que parte dos empregados teriam o registro de jornada implementado. Mas até hoje isso não foi cumprido.

Anteriormente, algumas outras medidas já haviam sido tomadas pelo Sindicato, como denúncias ao Ministério Público do Trabalho (MPT) e ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Agora a entidade estuda novas ações.

“O lucro do BTG não pode ser obtido por meio do sofrimento, da exploração e da exaustão dos bancários, e ao arrepio da lei. O trabalho não pode consumir toda a vida das pessoas. Os empregados merecem qualidade de vida e tempo para estar com a família, cuidar da saúde, estudar e descansar. E vamos tomar medidas para que o BTG cumpra com aquilo que se comprometeu em reuniões com o Sindicato, e para que a jornada de trabalho seja respeitada como manda a lei”, afirma Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo.

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