Pular para o conteúdo principal
Chapéu
Mobilização

Em Dia Nacional de Luta, trabalhadores protestam contra o fechamento de agências pelo Itaú

Imagem Destaque
Montagem com fotos de dirigentes nos atos ocorridos nas agências Boa Vista, Teotônio Vilela e Ragueb Chohfi

Em São Paulo, Sindicato fez atos nas agências Itaú da Boa Vista (foto de cima), da Teotônio Boa Vista, Teotônio Vilela (foto abaixo e à esquerda) e da Ragueb Chohfi (foto à direita)

O Itaú fechou 319 agências físicas em 2025 e anunciou o fechamento de mais 188 só até maio deste ano. Esse processo resulta em mau atendimento aos clientes, principalmente os de baixa renda, em demissões de trabalhadores e em exclusão bancária de parte da população. Para protestar contra o fechamento de agência, o movimento sindical bancário realizou, na terça-feira (17), um Dia Nacional de Luta. O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região participou da mobilização nacional promovendo atos nas agências Boa Vista, no centro histórico; Teotônio Vilela, na zona Sul; e Ragueb Chohfi, na zona Leste.

Assista reportagem da TVT sobre o protesto:

Exclusão bancária

“O Sindicato manifesta profunda preocupação e repúdio diante do contínuo fechamento de agências bancárias promovido pelo Itaú, uma política que vem sendo implementada de forma sistemática e sem qualquer compromisso social. Essa política evidencia o descaso do banco com a população, especialmente nas regiões mais vulneráveis, onde o encerramento de agências dificulta o acesso a serviços bancários essenciais; evidencia o descaso com idosos, que são pessoas com dificuldades de acesso à tecnologia, e com comunidades inteiras que ficam desassistidas, enquanto o banco amplia seus lucros e prioriza canais digitais que não atendem a todos de forma igualitária”, denunciou a diretora do Sindicato, Valeska Pincovai, coordenadora da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Itaú.

Demissões e extinção de empregos

A dirigente destacou ainda que o fechamento de agências impacta também nos empregos bancários.

“O encerramento de unidades não é apenas uma decisão administrativa: trata-se de uma escolha que impacta diretamente a vida de milhares de bancários, submetidos a um processo crescente de sobrecarga, insegurança e adoecimento. A redução de postos de trabalho e o enxugamento das equipes têm levado ao aumento abusivo de metas, pressão constante por resultados e a um ambiente de trabalho cada vez mais adoecedor, marcado por casos de estresse, ansiedade, depressão e outras doenças relacionadas ao trabalho”, disse Valeska.

Mesmo com resultados bilionários – o banco lucrou R$ 46,8 bilhões em 2025 –, o Itaú Unibanco segue reduzindo sua estrutura. Em 2025, a holding eliminou 3.535 postos de trabalho, sendo 916 apenas no último trimestre. Por outro lado, o banco ampliou sua base de clientes em 1,8 milhão, ultrapassando a marca de 100 milhões.

“É inaceitável que uma instituição com resultados bilionários continue promovendo o desmonte do atendimento presencial, promovendo sobrecarga e negligenciando a saúde dos trabalhadores. O lucro não pode estar acima da dignidade humana”, acrescentou a dirigente.

Clientes reclamam do atendimento

Nos três locais escolhidos para o protesto, os dirigentes sindicais distribuíram aos bancários e à população o jornal Itaú Unido, abordando o problema, e conversaram com trabalhadores e clientes.

Em conversa com um dirigente, uma cliente da agência Teotônio Vilela, ao saber que a unidade deve ser fechada no dia 31 e outra próxima deve ser encerrada no próximo ano, lamentou a decisão. “Nossa, essas agências são patrimônio do bairro. Para você ter uma ideia tenho uma foto em frende de uma delas na infância, em 98 ou 99. E a minha mãe tem conta na agência da esquina. Uma pena eles tirarem e ainda fazerem isso com as duas.”

Sindicato segue mobilizado

O Sindicato reivindica a suspensão imediata do fechamento de agências pelo Itaú, a abertura de diálogo, a adoção de medidas concretas para garantir condições dignas de trabalho a bancários e bancárias e o compromisso com um atendimento bancário acessível e de qualidade para toda a população.

“Seguiremos mobilizados na defesa dos direitos dos trabalhadores e contra o descaso a população”, conclui Valeska Pincovai.

seja socio