O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região participou, entre os dias 25 e 27 de março, da reunião do Comitê Mundial de Mulheres da UNI Global Union, federação sindical global do setor de serviços que reúne entidades de 150 países. O encontro ocorreu em Buenos Aires, na sede da La Bancaria, o sindicato da categoria na República Argentina, e reuniu lideranças sindicais femininas de mais de 20 nações participantes.
A atividade teve início no dia 25 com um workshop voltado às delegadas sindicais, abordando os impactos da inteligência artificial (IA) sobre o trabalho das mulheres. Foram discutidas as ferramentas disponíveis, os desafios impostos pela automação e a necessidade de garantir que a transformação digital não aprofunde desigualdades de gênero no mercado de trabalho.
Ainda no primeiro dia, a programação incluiu uma oficina sobre saúde e segurança no trabalho, com foco na neurodiversidade. O debate destacou a importância de ambientes laborais mais inclusivos, que reconheçam as diferentes condições e necessidades das trabalhadoras.
Comitê Mundial de Mulheres
A reunião do Comitê Mundial de Mulheres ocorreu nos dias 26 e 27 de março, com uma ampla pauta que incluiu a aprovação da agenda do próximo período, a validação da minuta da última reunião, realizada em Marrakech (Marrocos) no ano passado, e a apresentação de relatórios das conferências regionais da UNI África e UNI Europa. Também foram discutidas atualizações sobre a Conferência Mundial de Mulheres da entidade, prevista para 2027.
Entre os temas centrais estiveram ainda o balanço das ações do 8 de março e da campanha “16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres”, além da implementação da meta de 40% de equilíbrio de gênero nas estruturas sindicais e mesas de negociação. Outro destaque foi o programa de mentoria da UNI Mulheres e o lançamento do Manual de Negociação Coletiva com Perspectiva de Gênero, considerado uma ferramenta estratégica para fortalecer a atuação sindical no enfrentamento das desigualdades.

Diálogo internacional
As regionais da UNI África, Américas, Ásia-Pacífico e Europa compartilharam experiências, avanços e desafios na organização das trabalhadoras em seus continentes. A delegação brasileira levou ao debate a denúncia dos ataques aos direitos trabalhistas no país, ressaltando a importância da lei de igualdade salarial, além de alertar para o aumento dos casos de violência contra as mulheres e o crescimento de movimentos misóginos, como o chamado “redpill”.
Também foram reforçadas bandeiras históricas do movimento sindical brasileiro, como o combate ao desmonte de direitos, a luta pelo fim da jornada 6x1 e o enfrentamento à violência de gênero. A diretora executiva do Sindicato e membro da UNI Mulheres, Karen Souza, destacou a importância da participação no encontro internacional.
“Participar do Comitê Mundial de Mulheres da UNI reafirma que nossas lutas são globais. Em Buenos Aires, estivemos com trabalhadoras de diversos países para enfrentar os impactos da inteligência artificial, defender a saúde da mulher e o combate à violência de gênero. A troca de experiências com companheiras de outros países fortalece nossa luta comum contra o assédio, a discriminação e as desigualdades estruturais que atingem as mulheres trabalhadoras. Reforçamos que a Convenção 190 da OIT é uma ferramenta essencial nesse processo, garantindo que a luta contra a violência e o assédio no trabalho seja uma prioridade em todos os continentes.”
Karen Souza
A dirigente também ressaltou o compromisso com a construção de um ambiente de trabalho mais justo. “Essa troca nos fortalece e nos compromete ainda mais com a igualdade salarial e um mundo do trabalho justo para todos”, completou. A reunião foi encerrada na tarde de sexta-feira (27), com a elaboração de um documento final que reúne as principais conclusões e encaminhamentos aprovados pelas participantes.