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Chapéu
Vidas não são descartáveis

Movimento sindical rechaça fala de banqueiro britânico: trabalhadores não são “capital de menor valor”

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Foto do banqueiro Bill Winters, um homem branco, de meia-idade, com cabelos grisalhos, vestido de terno e gravata

CEO do banco Standard Chartered, Bill Winters, disse em evento que trabalhadores a serem substituídos por IA são "capital humano de menor valor" (foto: site do Standard Chartered)

O secretário regional da UNI Americas, o brasileiro Marcio Monzane, ex-diretor do Sindicato, e o chefe de finanças da UNI Global Union, Angelo Di Cristo, criticaram fortemente a recente declaração do diretor executivo global do banco Sandard Chartered, Bill Winters.

Em uma conferência com investidores, onde discutia cortes de empregos devido à automação e inteligência artificial, o CEO do banco britânico se referiu aos trabalhadores que serão substituídos nesse processo como “capital humano de menor valor”. Diante da grande repercussão negativa, Winters tentou se desculpar nas redes sociais, mas não convenceu grande parte dos internautas, nem o movimento sindical.

“Ele identifica trabalhadores como algo descartável, de baixo valor, mas não é uma declaração nova, a gente sabe que os bancos, em geral, quando querem cortar custos, o primeiro objetivo é reduzir o número de trabalhadores. Nós enfrentamos isso nas grandes crises financeiras, muitas delas provocadas por esses mesmos bancos, e vemos novamente agora com a desculpa do uso da IA”, destacou Marcio Monzane.

Tecnologia deve ser usada a serviço da sociedade

Monzane lembrou ainda que, para os bancos, a tecnologia é vista apenas como uma forma de gerar lucro, não importando os custos sociais disso. “Condenamos essa declaração e, como organização internacional, estaremos apoiando esses trabalhadores e suas famílias, na defesa dos postos de trabalho e de uma implementação de transformação tecnológica que seja inclusiva, que permita melhorar as condições de trabalho de todos e todas, e não intensificar demissões e redução de empregos no setor financeiro.”

Vidas não são “capital humano”

Em nota nas redes sociais, o chefe de finanças da UNI Global Union advertiu Bill Winters de que pessoas não são ‘capital humano’: “Ele deve se lembrar de que estamos falando de milhares de pessoas e famílias, não de capital humano."

"Infelizmente, os planos desses bancos multinacionais de cortar empregos não se tratam apenas de introduzir ferramentas de IA, mas de um novo capítulo na mesma velha história de bancos reduzindo custos trabalhistas onde quer que possam, o que resulta em funcionários dedicados sendo tratados como descartáveis", disse Angelo Di Cristo.

 "Sabemos que os bancos podem incorporar com sucesso ferramentas de IA. Mas eles precisam fazer isso respeitando a dignidade e a humanidade dos trabalhadores que contribuíram para seu sucesso. A UNI Global Union estará ao lado desses trabalhadores e dos sindicatos locais que os representam, e que exigirão um acordo justo", acrescentou Di Cristo.

UNI Global Union

A UNI Global Union é uma federação sindical mundial que reúne mais de 900 sindicatos filiados em 150 países, entre eles o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região. Juntos, esses sindicatos representam cerca de 20 milhões de trabalhadores do setor de serviços.

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