Desrespeito

Santander dificulta acesso ao auxílio-doença

Declaração de Último Dia Trabalhado (DUT) foi alterado drasticamente e pede, entre outras coisas, que médico perito do INSS vistorie instalações do ambiente de trabalho

  • William De Lucca, SPBancários
  • Publicado em 05/04/2019 15:05 / Atualizado em 08/04/2019 16:57

Foto: Agência Brasil

O slogan do Santander, “O que podemos fazer por você hoje?”, certamente não abrange seus funcionários que precisam de afastamento médico para cuidar da saúde. Isso porque a empresa tem dificultado ao máximo a possibilidade de trabalhadores buscarem tratamento médico e, para isso, se afastarem das atividades laborais através do INSS. 

Para que o trabalhador possa passar pela perícia é necessário, dentre outros documentos, apresentar o Requerimento de Perícia assinado pelo empregador. Ocorre que o Santander passou, há alguns meses, também a entregar para os trabalhadores a DUT - Atestado de Último Dia Trabalhado, exigido somente em alguns casos, com a clara intenção de influenciar a decisão do médico perito. 

Desde janeiro de 2017, o Sindicato vem denunciando que este documento, que deveria se limitar a prestar a informação sobre o último dia trabalhado, tem características de uma clara tentativa de influenciar, ilegalmente, a perícia médica. O documento ainda presta falsas informações, omite-se quanto aos riscos das atividades do trabalho bancário, a fim de obstar direitos oferecendo riscos aos trabalhadores adoecidos. 

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Na recente versão do documento pede para que o perito do INSS que está com o caso visite as instalações do Santander para verificar que o ambiente é adequado para trabalhar, que não há problemas ergonômicos relativos ao desempenho das funções e ainda traz estatísticas duvidosas de que a maioria dos afastamentos por problemas de saúde mental não tem relação com o trabalho. 

“O Santander omite descaradamente que tem inúmeras condenações judiciais por não atender as normas de saúde e segurança dos trabalhadores, e especialmente, a condenação por implementação de política discriminatória contra trabalhadores adoecidos, decisão de segunda instância proferida na Ação Civil Pública 0210600-30.2008.5.02.0004", critica o dirigente sindical e funcionário do banco, Roberto Paulino 

“Entendemos que o referido documento, configura mais um procedimento ilegal e reiteramos o pedido de imediata suspensão do procedimento em questão e que o Banco limite-se a prestar a informação do Ultimo dia Trabalhado,”, reivindica.

O Sindicato orienta que o trabalhador que tiver algum problema relacionado ao afastamento, procure a entidade, trazendo os documentos que comprovem seu histórico médico. O bancário que tiver problema relacionado a doença ocupacional será encaminhado para o Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (CRST), órgão de Saúde Pública vinculado à Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, responsável por tratar casos deste tipo. 



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