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Sem terra

MST: a solidariedade entra em campo contra o coronavírus

Linha fina
Em tempos de pandemia, movimento estrutura trabalho em torno de cinco eixos para proteger as pessoas e garantir a soberania alimentar. “Um povo que não tem sua própria comida está fadado a muitas crises”
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Imagem: MST/Divulgação

Membro da coordenação do movimento conta ações de distribuição de alimentos em 17 estados do país para driblar crise ocasionada pelo coronavírus

Perto de completar 24 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás no Pará, na próxima sexta-feira 17, e inseridos no contexto de pandemia do novo coronavírus, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) encontrou na política da solidariedade uma forma de lutar contra os impactos sociais da covid-19.

A reportagem é da Rede Brasil Atual.

Não à toa, o que começou com duas iniciativas pontuais de distribuição de alimentação às pessoas em situação de rua no Maranhão e em Pernambuco tem agora pontos de ações em outros 17 estados diferentes, com doações de alimentos, leites e o programa Marmita Solidária, como conta o integrante da coordenação nacional do MST João Paulo Rodrigues, em entrevista aos jornalistas Marilu Cabañas e Glauco Faria, na Rádio Brasil Atual. 

“Tem sido um trabalho muito bonito, porque nós aprendemos com os cubanos que a solidariedade não é dividir o que sobra, mas dividir o que se tem”, ressalta. 

A força desses agricultores familiares foi saudada na segunda-feira 13, pela chef de cozinha e apresentadora Bela Gil, que clamou pela reforma agrária no Brasil. Agora, além do desafio histórico, o MST também demanda a garantia que de que no segundo semestre possa continuar produzindo para assegurar parte do abastecimento nacional. 

Para isso, o integrante da coordenação nacional explica que o movimento tem realizado um trabalho de prevenção com as famílias assentadas e acampadas, tendo como eixos fundamentais o isolamento produtivo, o acesso a uma linha de crédito emergencial que permita a produção familiar, a luta pela liberação de recursos via Programa de Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar (PAA), o fortalecimento de ações de solidariedade junto a outras organizações da sociedade civil e o combate à violência contra crianças e mulheres.

O MST ainda assina, junto com outros movimentos sociais, a campanha #TaxarFortunasParaSalvarVidas, que defende a elevação dos impostos sobre os mais ricos. “Não podemos admitir que cinco grandes bilionários tenham quase R$ 400 bilhões só eles, sozinhos, enquanto temos mais de 50 milhões de pobres vivendo e precisando dos R$ 600 nessa conjuntura. Precisamos de um projeto de emenda urgente. É uma briga grande porque metade do Congresso Nacional é mandado por esse ricos”, aponta João Paulo. 

Não é só por segurança alimentar, é soberania 

O membro da coordenação nacional do MST também reforça a articulação do movimento pela soberania alimentar no lugar do conceito de segurança. Concebida pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO, na sigla em inglês), a ideia de segurança alimentar estabelecia ao Estado, mercado e agricultores, a garantia da produção de alimentos às pessoas, mas, o contexto atual de crise, evidencia que o mercado não tem capacidade de fazer isso. “Pelo contrário”, contesta João Paulo. 

“O mercado está especulando, o pacote de feijão está sendo vendido (mais caro). E segundo que o Estado (também) não vai fazer isso, o estoque das empresas de alimentos no Brasil estatal, que é a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) não tem nenhum tipo de produto, está na escassez total”, adverte, para defender a chamada soberania alimentar.

“Que é o direito de você produzir, guardar e ter comida. Para nós, a soberania alimentar é produzir no campo e também nas cidades. Por isso que, na nossa avaliação, um povo que não tem a sua própria comida é um povo que está fadado a muitas crises”, acrescenta o membro do MST.

João Paulo destaca que a reforma agrária no país continua como uma possível saída da crise. “Os assentamentos de reforma e agricultura familiar têm dado uma resposta e, em vez de plantar só soja, eucalipto ou cana, estamos plantando comida para o povo brasileiro, comida de verdade”, finaliza.

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