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Chapéu
98 anos

Ivone Silva: luta do Sindicato resiste e avança há quase um século no Brasil

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Confira abaixo o artigo da presidenta do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, Ivone Silva, sobre os 98 anos da entidade, completados nesta sexta-feira, 16 de abril:

O Sindicato completa 98 anos nesta sexta-feira, dia 16 de abril. Tenho a honra de estar à frente desta entidade combativa, que luta diariamente pela organização da classe trabalhadora e na luta por uma sociedade justa e democrática, com  a ampliação dos direitos individuais e coletivos.

Neste momento de grave crise, somos uma das poucas categorias unidas nacionalmente e temos atuado para garantir, além da manutenção de empregos e salários, medidas que preservem a saúde e garantam a segurança dos bancários e de toda a população. Estamos cobrando diariamente os bancos e já colocamos mais de 230 mil bancários para trabalhar em casa, em sistema de home office, e já são mais de 2.200 agências fechadas em todo o Brasil. Sabemos a responsabilidade que temos neste momento; nossa luta é constante. Solicitamos ao governo paulista a inclusão dos bancários em grupo prioritário no Plano Estadual de Imunização, uma medida que trará mais segurança tanto para os trabalhadores, como para toda a população. A atividade bancária é considerada essencial e, com o agravamento da pandemia, a execução das tão necessárias políticas públicas de caráter social, como o auxílio-emergencial, invariavelmente passa pelo atendimento bancário.

O Sindicato tem um histórico relevante de lutas e conquistas. E ao longo da pandemia este legado não tem sido diferente.

Desde a fundação, em 1923, crescemos em quantidade e em qualidade, com conquistas que fizeram história, como a jornada de seis horas, auxílio-creche, fim do trabalho aos sábados, vales refeição e alimentação, PLR, 13ª cesta-alimentação. E nos adaptamos aos novos tempos, com garantias previstas na Convenção Coletiva de Trabalho como a licença-maternidade de 180 dias, licença-paternidade, igualdade de direitos para casais homoafetivos, instrumento de combate ao assédio moral, mais segurança, entre muitas outras conquistas. 

Nos últimos anos, temos sofrido ataques em série do governo e de parlamentares comprometidos única e exclusivamente com os interesses dos banqueiros e dos grandes empresários, que visam o lucro explorando os trabalhadores. Temos resistido em meio a tantas adversidades. A atuação do Sindicato dos Bancários de São Paulo foi essencial nos últimos anos, em um ambiente de incerteza política e econômica e ataque aos direitos dos trabalhadores, a categoria teve aumento real acumulado entre 2004 e 2020 de 21,3% nos salários e 42,8% no piso, com a garantia da  manutenção de todos os direitos previstos na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), válida em todo o Brasil. 

Nossa luta não se resume somente à nossa Campanha Nacional Unificada: se estende pela ampliação dos direitos para todos os trabalhadores e por um país mais justo e  igualitário. Como Sindicato Cidadão, temos de intervir na sociedade e ficar atentos ao que acontece na conjuntura. 

Defendemos a vacinação de toda a população e o fortalecimento do nosso Sistema Único de Saúde (SUS), para que todos tenham acesso a um sistema de saúde público e universal funcionando. Acreditamos que, nesse momento, também é fundamental a manutenção e o aumento no valor do auxílio emergencial para, no mínimo, R$ 600. A fome está piorando em 2021 com o agravamento da crise sanitária, a alta do desemprego (que atinge mais de 14,3 milhões de trabalhadores) e a disparada dos preços dos alimentos, que vem subindo mais do que a inflação. 

Estamos mobilizados

A quadra dos bancários, palco de lutas históricas da categoria bancária e de grandes eventos, agora virou mais um símbolo da luta contra a fome para as pessoas em situação de rua e também aquelas que foram afetadas pela crise do coronavírus. Desde o dia 10 de agosto de 2020, por meio de uma parceria entre o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região, o Bancário Solidário e a Rede Rua, a quadra está sendo utilizada para a produção de refeições e distribuição, diariamente, de cerca de mil marmitas e sopas graças às doações de empresas, entidades e pessoas físicas. A ação está ocorrendo por meio da campanha Bancá[email protected] Solidá[email protected], criada em março, durante a pandemia, para que bancários possam fazer doações financeiras, de alimentos e roupas.

Além da doação de alimentos, o Sindicato dos Bancários instalou um bebedouro com água e sabão para uso livre na Rua Tabatinguera, próxima da Praça da Sé, em São Paulo, para estimular a higienização pessoal e fornecer água potável. Recentemente, o Sindicato, em parceria com a Contraf-CUT e MST, também distribuiu quatro toneladas de alimentos a 15 comunidades carentes na cidade de São Paulo. 

Nesse grave momento, o governo desmonta o Banco do Brasil, responsável por subsidiar a agricultura familiar, e por conta disso o custo dos alimentos também aumenta. E desmonta a Caixa Econômica Federal, responsável pelos projetos sociais. É preciso o fortalecimento dos bancos públicos, instrumentos de política anticíclica e financiamento, para o auxílio ao crédito. Sem crédito não há desenvolvimento e sem desenvolvimento não há emprego. Por isso os bancos públicos são essenciais para o país.

O movimento sindical bancário mantém sua resistência contra os governos autoritários. Já sofremos cinco intervenções federais ao longo da história. Mas nunca desistimos de lutar. Vamos à luta defender nossos direitos, construir uma sociedade justa significa promover o desenvolvimento com inclusão social. Temos de defender os direitos de cidadania assegurados pela Constituição Federal de 1988, marco do processo civilizatório nacional.

Convido a todos os trabalhadores para participar da luta. Conheçam e associem-se ao Sindicato!  

Por fim, quero parabenizar a cada um! Sem vocês não existe luta, mobilização, união e conquistas!