O dia 13 de maio, data que marca a assinatura da Lei Áurea em 1888 e o fim oficial da escravidão no Brasil, é lembrado pelo movimento negro como o Dia da Abolição Inacabada. A avaliação é de que o fim legal da escravidão não foi acompanhado de políticas de reparação social para a população negra, perpetuando desigualdades estruturais que seguem presentes na sociedade brasileira e no mundo do trabalho.
No setor bancário, os reflexos do racismo estrutural ainda aparecem de forma evidente nos índices de representatividade, remuneração e acesso a cargos de liderança. Diante desse cenário, o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região mantém atuação permanente no combate ao racismo estrutural, promovendo debates, campanhas de conscientização e negociações coletivas voltadas à ampliação da representatividade negra, à igualdade salarial e ao acesso a oportunidades de crescimento profissional.
Em 2026, ano de Campanha Nacional dos Bancários, o tema ganha ainda mais relevância nas discussões da categoria. Desde 15 de abril está aberta a Consulta Nacional dos Bancários, instrumento por meio do qual trabalhadores e trabalhadoras podem enviar propostas e reivindicações para a construção da pauta nacional de negociações. A presidenta do Sindicato, Neiva Ribeiro, destaca que a luta antirracista precisa fazer parte das reivindicações da categoria.
“Falar do 13 de maio é reconhecer que a abolição da escravidão no Brasil foi incompleta e que o racismo estrutural ainda produz desigualdade, exclusão e falta de oportunidades. Por isso, o Sindicato atua de forma permanente nessa pauta e, em ano de Campanha Nacional, é fundamental que a categoria participe da Consulta Nacional e apresente propostas para avançarmos em inclusão, igualdade salarial, representatividade e combate à discriminação no setor financeiro”, afirma Neiva.
Ana Marta Lima, diretora executiva do Sindicato atuante no Coletivo de Combate ao Racismo da entidade, defende que os bancos adotem políticas permanentes de enfrentamento ao racismo no ambiente de trabalho. De acordo com a dirigente, essa será uma das pautas debatidas durante a Campanha Nacional deste ano.
“É fundamental que as instituições financeiras invistam em letramento e formação antirracista para gestores e trabalhadores, além de estabelecer procedimentos claros para denúncias de racismo, com sigilo, atendimento humanizado e sem revitimização. Também defendemos medidas protetivas imediatas para as vítimas e responsabilização adequada nos casos de discriminação racial”, destaca Ana Marta.
