Somente a mobilização da categoria será capaz de arrancar respostas concretas e garantir a defesa dos direitos dos trabalhadores (foto: Contraf-CUT)
O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região cobrou, por meio da CEE Caixa, respostas do banco para problemas que impactam diretamente na vida dos trabalhadores. Mas, em mais essa rodada de reunião entre CEE e o banco, na terça-feira (26), a Caixa não apresentou respostas efetivas para: Saúde Caixa, Super Caixa e sobrecarga na rede de agências.
O banco voltou a se limitar a promessas de estudos, avaliações e imersões técnicas, sem apresentar medidas concretas.
Os representantes dos trabalhadores destacaram que os relatos dos empregados da rede apontam para aumento da pressão, sobrecarga operacional, perdas financeiras e crescimento dos casos de adoecimento. Além de tudo isso, eles ainda precisam atender, simultaneamente, clientes pelos canais presencial e digital. Ou seja, um verdadeiro pedido de socorro, como definiram os dirigentes.
Transformação digital preocupa trabalhadores
A ampliação dos projetos de atendimento remoto e da integração “figital” (presencial, em unidade física, e digital) também gerou preocupação entre os representantes dos empregados.
Embora a Caixa apresente o processo como modernização, o Sindicato alerta para os riscos de precarização das condições de trabalho, aumento da pressão por resultados e crescimento dos casos de adoecimento.
Durante a reunião, os integrantes da CEE reforçaram que gerentes e demais empregados relatam aos sindicatos as dificuldades para conciliar o atendimento presencial com as demandas digitais, em um ambiente marcado por metas elevadas, insegurança operacional e falta de clareza sobre indicadores de desempenho. E reforçaram que é fundamental que a Caixa apresente dados e reconheça a dimensão do problema.
Também defenderam a adoção de um modelo que garanta estrutura adequada, contratação de pessoal e melhores condições de trabalho para não prejudicar clientes nem adoecer os empregados.
Os representantes dos trabalhadores também cobraram informações sobre os impactos do modelo na saúde mental dos empregados e pediram acesso aos dados de afastamentos relacionados ao trabalho.
Durante os debates sobre o novo modelo de atendimento, a diretora do Sindicato e representante da Fetec-CUT/SP na CEE, Luiza Hansen, ressaltou que se o banco quer incentivar a utilização dos canais digitais, ele precisa fornecer estrutura para que as pessoas possam prestar o serviço adequado que a população precisa.
“Querem que a gente acredite que não há sobrecarga de trabalho, nem falta de empregados, mas cometem o absurdo de obrigar os que hoje trabalham no banco a atender digitalmente e presencialmente ao mesmo tempo”, criticou.
“E mesmo assim, a Caixa não reconhece nem valoriza o trabalho que é realizado no dia a dia. Ao contrário, inventa formas de penalizar os empregados por questões sobre as quais eles não têm controle, gerando indignação, desânimo e aumentando a pressão e o adoecimento de quem está na linha de frente do atendimento”, completou.
Super Caixa segue acumulando críticas
O programa Super Caixa também foi alvo de fortes críticas. Os dirigentes relataram reclamações vindas de diversas regiões do país sobre regras consideradas obscuras, alterações frequentes nos critérios de avaliação e penalizações decorrentes de fatores que fogem ao controle dos empregados.
Cobraram transparência, apresentação de simulações comparativas entre os modelos de remuneração variável e abertura de negociação efetiva sobre o programa. Para que o trabalhador saiba exatamente o que está sendo medido, como ele está sendo avaliado e por que ele está recebendo determinado valor.
Destacaram ainda a situação de punição vivida pelas empregadas e empregados na rede em decorrência do Super Caixa. O que, segundo eles, contrasta com o vídeo da Caixa Vida e Previdência, que circulou nas redes sociais na terça-feira (26), no qual o banco mostra uma realidade totalmente diferente da enfrentada diariamente nas agências em todo o país. Após a enxurrada de comentários negativos, o vídeo foi excluído do perfil da Caixa Vida e Previdência no Instagram.
Sindicato cobra diálogo e transparência
Tanto com relação ao processo de transformação digital e as reestruturações promovidas pela Caixa, quanto com a remuneração variável proporcionada pelo Super Caixa e programas de bonificação e comissionamento da Caixa, os dirigentes observam que os impactos recaem, muitas vezes, sobre o pessoal da rede de agências, resultando em precarização do trabalho, redução de funções e perda de direitos.
O Sindicato cobrou mais transparência da Caixa e voltou a exigir que qualquer reestruturação seja debatida previamente com os representantes dos trabalhadores, conforme previsto no acordo coletivo. E reforçaram: a Caixa não pode mais implementar mudanças sem consultar quem conhece os problemas no dia a dia.
Saúde Caixa volta ao centro das preocupações
Os representantes dos empregados também cobraram a retomada imediata das negociações sobre o Saúde Caixa, tema que deve ocupar posição central nas negociações com o banco durante a Campanha Nacional dos Bancários de 2026. A CEE reforçou a defesa do plano de saúde e a necessidade de derrubada do teto de custeio imposto pela própria Caixa em seu estatuto, mecanismo que aumenta a participação financeira dos empregados e gera insegurança sobre a sustentabilidade do plano.
Os dirigentes destacaram que, além do fim do teto de custeio, querem a manutenção dos princípios do plano, melhoria da qualidade e a participação da Caixa no custeio do plano para os contratados depois de setembro de 2018 no plano pós emprego.
A não participação da Caixa no custeio do plano de Saúde para os empregados admitidos a partir de setembro de 2018 afeta cerca de 15 mil trabalhadores.
Projeto Gênesis e cobrança por transparência
Outro tema debatido foi o Projeto Gênesis. Durante a reunião, a Caixa assumiu o compromisso de não promover ranqueamentos das unidades participantes do projeto, uma reivindicação apresentada pela representação dos trabalhadores diante do receio de que novos mecanismos de avaliação aumentem a competição interna e a pressão sobre as equipes.
Além disso, as entidades cobraram transparência sobre os critérios utilizados para definir as ondas de migração, participação efetiva dos trabalhadores nos projetos-piloto e escuta das equipes diretamente impactadas pelas mudanças.
Sem respostas para questões centrais
Ao final da reunião, permaneceram sem resposta perguntas consideradas fundamentais pela representação dos empregados:
• Quando haverá revisão efetiva do Super Caixa;
• Qual será a solução para os empregados pós-2018;
• Como o banco pretende enfrentar o problema do teto do Saúde Caixa; e
• Quais medidas serão adotadas para evitar que o atendimento digital amplie ainda mais a sobrecarga e o adoecimento dos trabalhadores.
