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Chapéu
Negociação

Em mesa, Sindicato denuncia sobrecarga e desvalorização dos empregados, e cobra respostas da Caixa

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imagem mostra mesa de negociação entre representantes da Caixa Econômica Federal e dos empregados do banco

A mesa de negociação entre o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região – representado na Comissão Executiva dos Empregados da Caixa (CEE/Caixa) – e a direção da Caixa foi marcada por críticas contundentes à forma como o banco vem conduzindo mudanças na rede de agências que desrespeitam empregados.

Problemas na rede de agências

Na reunião, realizada na quinta-feira 30, a representação dos trabalhadores denunciou a desvalorização crescente dos empregados e cobrou respostas para problemas que vêm se acumulando nas unidades: sobrecarga de trabalho, falta de pessoal, mudanças estruturais implementadas sem negociação prévia, adoecimento mental e um modelo de remuneração variável com regras sem transparência.

Descaso com a rede

Entre os pontos criticados também estão a implantação das plataformas de atendimento à Pessoa Jurídica (PJ), a migração de carteiras, as mudanças nas unidades e a combinação entre atendimento presencial e digital, que vêm alterando profundamente a rotina dos trabalhadores sem que, segundo o Sindicato, haja planejamento adequado, treinamento suficiente ou diálogo com os representantes dos empregados.

Modelo “Figital”

O modelo “Figital”, que combina atendimento físico e digital, também sofreu críticas dos representantes dos trabalhadores. Na prática, segundo relatos levados à mesa, empregados vêm sendo obrigados a atender simultaneamente clientes de forma presencial e virtual, sob cobrança intensa por desempenho e entregas à unidade para que o tempo de espera no canal digital ultrapasse cinco minutos.

Um dos pontos de discussão foi a adoção de penalidades em 129 agências incluídas no projeto piloto do Gênesis. Para o Sindicato, não faz sentido que unidades ainda em fase de teste sejam submetidas a metas rígidas e punições antes mesmo da consolidação de um modelo definitivo.

“Embora ainda seja um projeto-piloto que não está funcionando em todas as unidades da rede, as denúncias que chegaram ao sindicato apontam sobrecarga de trabalho, porque os empregados devem atender até cinco clientes simultaneamente, de forma digital, além de atender um cliente presencialmente. Essa sobrecarga gera adoecimento e pode resultar em erros já que os empregados podem ter de atender até seis pessoas ao mesmo tempo”, pontua Luiza Hansen, diretora do Sindicato e representante da Fetec-CUT/SP na CEE/Caixa,

Plataforma PJ

Também houve críticas à implementação das plataformas PJ. A representação apontou falta de negociação prévia, precariedade nas condições de trabalho, insuficiência de pessoal, ausência de treinamento adequado e pressão constante por metas.

Segundo os representantes, trabalhadores que sempre atuaram no atendimento à Pessoa Física estão sendo empurrados para novas atribuições, muitas vezes sem preparação e sem a estrutura necessária para absorver a demanda.

“A criação da plataforma PJ foi feita sem negociação com a representação dos empegados e tem trazido grande insatisfação e insegurança nos colegas da rede de agências, em especial os que tiveram de começar a atender as pessoas jurídicas de uma hora para outra e sem treinamento adequado fornecido pela Caixa, e também com relação à rentabilidade e o porte das agencias”, destaca  Luiza.

Caixas e tesoureiros

Outro ponto fortemente debatido foi a situação de caixas e tesoureiros, tema que se arrasta há meses sem solução definitiva. A representação cobrou resposta concreta sobre o futuro dessas funções diante da redução do atendimento presencial, do fechamento ou transformação de unidades e das mudanças no modelo operacional do banco. A principal preocupação é garantir que nenhum trabalhador tenha perda de renda em razão da reestruturação.

Ao abordar o tema, Luiza Hansen destacou o clima de incerteza que se espalhou. “A cobrança aqui é por uma solução definitiva, que garanta, em especial, que os colegas não tenham sua renda afetada. Hoje ainda há muita insegurança sobre qual caminho a Caixa pretende seguir”, afirmou.

Assédio e adoecimentos

O avanço do adoecimento mental entre bancários também ganhou destaque.  A representação dos trabalhadores citou pesquisa da Fenae que revela um cenário alarmante: 32% dos empregados afirmam viver sob ameaça permanente de descomissionamento, percentual que sobe para 45% entre trabalhadores de 40 a 49 anos.

O levantamento mostra ainda que 37% já receberam diagnóstico de problemas de saúde mental relacionados ao trabalho, enquanto 61% dizem não perceber apoio adequado da empresa à saúde mental.

Em resposta ao Sindicato, a Caixa informou que está avaliando reivindicações relacionadas ao SuperCaixa, que pretende aperfeiçoar seus modelos de atendimento e gestão e que continua estudando alternativas para caixas e tesoureiros. Para a representação dos empregados, no entanto, as respostas seguem insuficientes.

Super Caixa

O Sindicato cobrou debate sobre o Super Caixa, que precisa de regras transparentes e justas.

O tema será levado ao Comando Nacional dos Bancários, que avaliará todas as possibilidades cabíveis para atuar frente aos problemas relacionados ao programa.

Saúde Caixa

O Sindicato também cobrou da Caixa uma mesa específica para discutir o Saúde Caixa. A representação reforçou pautas já conhecidas dos empregados, como a retirada do teto de custeio de 6,5% e a volta do modelo em que a Caixa efetivamente arque com 70% dos custos do plano, melhorias nos processos de credenciamento e descredenciamento, além da ampliação da rede de atendimento, incluindo a possibilidade de compartilhamento da rede credenciada com a Cassi. Uma nova mesa de negociação sobre o Saúde Caixa será realizada no fim de maio.

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