Em defesa da democracia, dos direitos e da soberania nacional, representantes dos bancários de São Paulo reuniram-se neste sábado 13 para a 28ª Conferência Estadual da Fetec-CUT/SP, federação que engloba 15 sindicatos paulistas.
Os dirigentes presentes elegeram os 215 delegados que representarão os bancários do estado na Conferência Nacional dos Bancários, que será realizada entre os dias 19 e 21 de junho; e aprovaram plano de lutas e a minuta que será debatida em âmbito nacional na conferência.
Na abertura da conferência estadual, Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, enfatizou os desafios impostos em face redução de postos de trabalho, mesmo diante dos lucros crescente dos bancos.
“Desde 2020, cerca de 26 mil empregos bancários foram extintos no país. A gente defende a necessidade de um novo modelo de trabalho, que alinhe tecnologia com emprego decente, avanço tecnológico com tempo livre para termos vida além do trabalho. Os desafios são grandes, mas a gente tem capacidade de enfrentar. Temos propostas importantes para o Estado, para o Brasil e para a classe trabalhadora. E a gente vai ser o motor para as transformações que a gente quer.”
A presidenta da Fetec-CUT/SP , Aline Molina, destacou a importância do encontro em um momento decisivo para os trabalhadores. Enfatizou a importância de expor as políticas do governador do estado, marcada pelo aumento da violência policial, entrega do patrimônio público e proliferação dos pedágios.
E defendeu a mobilização popular em defesa da democracia, da soberania nacional e dos direitos sociais. Também destacou a importância da luta contra a escala 6x1, da valorização dos idosos, da defesa do SUS e da ampliação de direitos trabalhistas, ressaltando o papel dos sindicatos e a necessidade de organização para enfrentar desafios políticos e econômicos.
“Estamos em um ano que exige organização, consciência política e mobilização. Temos desafios na Campanha Nacional, mas também temos a responsabilidade de mudar os rumos do país e defender um projeto que coloque a classe trabalhadora no centro das decisões. É isso que esta conferência representa”, afirmou.
Mobilização é crucial para enfrentar extrema direita
Ainda na parte da manhã, a presidenta da Contraf-CUT e vice presidenta da CUT, Juvandia Moreira, e o deputado estadual Luiz Claudio Marcolino, fizeram uma análise de conjuntura sobre a situação do estado e do brasil.
O debates se concentraram na importância da mobilização dos bancários diante dos desafios políticos, econômicos e sociais, e no desmonte de políticas e empresas públicas promovidas pelo governo do estado.
Em meio ao avanço da extrema direita, à retirada de direitos, às mudanças no sistema financeiro e à disputa por rumos para o Brasil, as lideranças bancárias defenderam a união dos trabalhadores para fortalecer a democracia, gerar empregos, promover inclusão social e garantir a soberania nacional.
Bancários contra o feminicídio
Com o objetivo de mobilizar os bancários homens a participarem do combate à violência contra as mulheres, foi lançada durante a conferência a campanha O Problema é Todo Nosso.
A iniciativa pretende conscientizar e refletir sobre condutas violentas contra as mulheres, e tornar os homens aliados e agentes ativos no combate ao machismo e à misoginia.
Uma moção de repúdio a todas as formas de violência de gênero foi aprovada por unanimidade pelos delegados presente na conferência.
Consulta Nacional
Na sequência, foi apresentado o resultado do recorte estadual da Consulta Nacional dos Bancários, que aponta as prioridades da categoria para a Campanha Nacional dos Bancários 2026.
Eu quero mais agências
Na parte da tarde foi lançada em âmbito estadual a campanha Eu Quero Mais Agências. A iniciativa do Sindicato dos Bancários de São Paulo tem como objetivo envolver a sociedade, por meio de abaixo-assinado, na luta contra o fechamento de agências, e denunciar as consequências dessa política.
A iniciativa reúne no site Eu Quero Mais Agências dados sobre fechamento de locais físicos, demissões, superlotação das unidades e adoecimento dos trabalhadores, e pretende mobilizar a população por meio de um abaixo-assinado.
A campanha também defende mais empregos, atendimento de qualidade, inclusão financeira, regulação do sistema financeiro e a manutenção do direito de escolha entre canais digitais e atendimento presencial.
Neiva Ribeiro destacou que milhões de brasileiros ainda enfrentam dificuldade de acesso à internet e aos serviços digitais, enquanto milhares de municípios já não contam com atendimento bancário presencial, resultando na exclusão bancária de milhões de cidadãos.
“Chegamos a um ponto drástico em que a digitalização do trabalho dominou o setor bancário. Muitas pessoas ainda não têm acesso a smartphone e à internet. São 2.649 municípios sem agência bancária. É um número muito grande. É muito descaso dos bancos, que querem reduzir o custo de servir para poder remunerar melhor seus acionistas, ao custo de atender pior os clientes, ao custo da nossa saúde e ao custo de deixar a população sem atendimento”, destacou Neiva.
Aprovação da minuta e do plano de lutas
A conferência se encerrou com a aprovação da delegação que representará os bancários paulistas na conferência; de um plano de lutas e da minuta com as propostas que serão levadas à Conferência Nacional dos Bancários, onde será definida a pauta de reivindicações a ser entregue à Fenaban.
“Saímos daqui com muita energia para fazermos uma campanha nacional vitoriosa, para fazer o enfrentamento aos desafios da conjuntura, saímos daqui com muita capacidade de mobilização para avançarmos em novas conquistas. Participe das mobilizações, participe do abaixo-assinado da campanha Eu Quero Mais Agências. E fique atento, porque o Sindicato vai convocar para planárias e reuniões, para que a gente possa fazer uma campanha de muito sucesso”, finalizou Neiva Ribeiro.