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Chapéu
Campanha dos Bancários 2026

Bancários entregam a bancos pauta de reivindicações

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Imagem mostra Neiva Ribeiro e Juvandia Moreira minuta de reivindicações

As coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários, Neiva Ribeiro e Juvandia Moreira, entregam pauta de reivindicações à Fenaban

Bancários entregaram nesta quarta-feira (24) a minuta com as reivindicações da categoria (bancos públicos e privados) para a Campanha Nacional Unificada 2026 para representantes da Fenaban (Federação Nacional dos Bancos).

A primeira rodada de negociação com os bancos deve acontecer a partir do mês de julho. Os bancários são uma das únicas categorias com uma Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), com validade para todo o Brasil. A data-base da categoria é 1º de setembro.

 Entre as prioridades apontadas pela categoria estão o reajuste com reposição integral da inflação (INPC na data-base) e aumento real de 5%, PLR maior, valorização do vale-alimentação e vale-refeição, ampliação do emprego e da rede de atendimento bancário, combate às metas abusivas e defesa dos bancos públicos.

Além disso, a categoria propõe a regulamentação do Sistema Financeiro Nacional, com maior controle social sobre o setor, ampliação do acesso ao crédito, redução das desigualdades e fortalecimento do papel dos bancos no financiamento do desenvolvimento econômico e social do país.

“Nossa campanha passou por um processo de construção e negociação entre os trabalhadores, começou com a consulta à categoria, seguida pelas conferências estaduais e Nacional. O resultado reflete as reais necessidades dos bancários. Nas cláusulas econômicas, destacam-se as reivindicações por aumento real, PLR maior e reajustes no vale-alimentação e refeição. Nas cláusulas sociais, a prioridade é a manutenção dos direitos, a defesa do emprego e o fim das metas abusivas. A consulta também revela preocupação com o impacto do trabalho bancário na saúde mental, em razão da pressão por metas e da intensificação do trabalho. Além disso, cresce a apreensão da categoria diante dos investimentos dos bancos em tecnologia e inteligência artificial, reforçando a necessidade de proteção ao emprego, qualificação profissional e revisão humana das decisões automatizadas”, disse Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, coordenadora do Comando Nacional.

“Esperamos avançar nas negociações para atender às demandas dos trabalhadores e da sociedade. Para isso, é fundamental ampliar a rede de atendimento bancário e gerar mais empregos, garantindo equilíbrio entre os canais digitais e o atendimento presencial. A tecnologia deve estar a serviço das pessoas, contribuindo para melhorar as condições de trabalho, preservar a saúde dos trabalhadores e proporcionar mais tempo para a vida pessoal, com mais qualidade de vida.”

“A luta da categoria bancária por valorização salarial e profissional é uma luta de distribuição dos lucros multibilionários do setor. Os cinco maiores bancos do país lucraram R$ 145 bilhões em 2025, e neste ano, só os três maiores bancos privados – Bradesco, Itaú e Santander – já obtiveram lucro de R$ 35 bilhões no primeiro trimestre, resultado 16% maior que do mesmo período do ano passado”, reforçou Juvandia Moreira, coordenadora do Comando Nacional e presidenta da Contraf-CUT.

A dirigente afirmou ainda que, entre 2024 e 2025, foram fechados 14 mil postos de trabalho e mais de 1.300 agências foram encerradas pelos cinco maiores bancos.

“Essa reestruturação está preocupando a categoria, aumentando a insegurança sobre a manutenção do seu emprego, onde será o seu local de trabalho. Tudo isso estará em debate nesta campanha nacional”, destacou.

Ultratividade

O Comando Nacional também defendeu a  assinatura de um pré-acordo garantindo a ultratividade da Convenção Coletiva de Trabalho é fundamental para dar segurança aos trabalhadores durante o processo de negociação. A ultratividade assegura a manutenção de todas as cláusulas e conquistas da categoria até a celebração de um novo acordo, preservando direitos e garantindo equilíbrio nas negociações.

Pauta

A definição da pauta final de negociação começou no mês de abril, com a consulta aos bancários e os debates nas conferências estaduais.

Entre os dias 19 e 21 de junho, durante a 28ª Conferência Nacional, em São Paulo, cerca de 630 delegados que representam trabalhadores de bancos públicos e privados de todo o país, definiram os itens para a Campanha Nacional Unificada 2026. São 450 mil bancários no país, organizados pelo Comando Nacional dos Bancários.

Consulta

A Consulta Nacional dos Bancários 2026 confirmou a disposição da categoria em participar da construção da pauta de reivindicações da Campanha Nacional.

O levantamento, realizado entre 17 de abril e 31 de maio, recebeu 54.952 respostas. Entre as cláusulas econômicas, a principal prioridade apontada pela categoria foi o aumento real de salário, indicado por 93% dos respondentes.

Em seguida aparecem aumento da PLR, com 63%; aumento maior para o vale-alimentação e o vale-refeição, com 51%; aumento do piso da categoria, com 31%; Plano de Cargos e Salários, com 25%; igualdade salarial, com 10%; aumento da ajuda de custo para home office, com 3%; e aumento do auxílio combustível, com 2%.

Nas cláusulas sociais, a manutenção de direitos aparece como a principal prioridade, citada por 65% dos respondentes. Emprego foi indicado por 45%; plano de saúde, por 39%; combate ao assédio moral, por 35%; igualdade de oportunidades, por 24%; previdência complementar, por 19%; e impacto das inovações tecnológicas, por 17%.

A consulta também revelou que 40% dos bancários usaram medicamentos controlados, como antidepressivos, ansiolíticos ou estimulantes, nos últimos 12 meses. Além disso, 72,6% afirmaram que o ambiente de trabalho no banco em que atuam traz impactos negativos para a saúde mental dos trabalhadores e trabalhadoras. Apenas 14,3% disseram que não há impactos negativos e 12,6% responderam que não sabem.

Principais eixos da pauta de reivindicações entregue à Fenaban:

  • 5% de aumento real no salário e nas demais verbas, como PLR, VA e VR;
  • Fim das metas abusivas;
  • Manutenção do formato atual da PLR (percentual do salário mais parcela fixa e adicional);
  • Manutenção dos direitos conquistados na CCT da categoria;
  • Defesa do emprego bancário e ampliação das agências físicas;
  • Defesa dos bancos públicos;
  • Distribuição melhor dos ganhos da tecnologia, com o fim do monitoramento excessivo no teletrabalho, preservando a privacidade do bancário.
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