Prédio do Banco Central em Brasília. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano. A decisão foi tomada em reunião realizada nesta quarta-feira 17.
Com a Selic ainda em dois dígitos, os brasileiros seguirão convivendo com os juros cobrados pelos bancos, muito mais altos do que a taxa básica da economia.
Segundo o Banco Central, a taxa média de juros para a concessão de crédito pelos bancos foi de 33,1% ao ano em março de 2026, a maior desde o início da série histórica, em março de 2011.
Mas a taxa média de juros no rotativo do cartão de crédito chegou a 428,6% ao ano, justamente uma das modalidades de crédito mais utilizadas pelos brasileiros.
A consequência disto é o percentual de famílias brasileiras endividadas: 80,4% em março, aumento de 0,2 ponto percentual em relação a fevereiro de 2026, e de 3,3 pontos percentuais em relação a março de 2025.
O índice corresponde ao maior nível da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Ainda segundo a mesma pesquisa, 29,6% das famílias estão com dívidas em atraso e 12,3% não conseguirão pagá-las, indicando que o endividamento das famílias cresce em uma velocidade maior do que o crescimento do emprego e da renda.
Recorde histórico de endividamento
Outras pesquisas também vão na mesma direção e mostram o agravamento dessa situação. Segundo o Banco Central, metade das famílias (49,9%) estão endividadas, recorde histórico.
Este percentual representa a relação entre o valor atual das dívidas das famílias com o Sistema Financeiro Nacional e a renda acumulada nos últimos doze meses.
“O governo federal está fazendo sua parte neste problema ao renegociar as dívidas das famílias por meio do programa Desenrola. Mas os bancos são parte do problema ao cobrarem juros muitíssimo mais altos do que a Selic. E é no mínimo incompleta a alegação de que a Selic é alta por causa dos gastos do governo. O Congresso Nacional está encaminhando uma série de pautas-bomba, como a renegociação de dívidas dos grandes produtores rurais. Mas este ponto é convenientemente deixado de lado pelos analistas de mercado ouvidos pela mídia hegemônica, que precisa passar a encarar o problema estrutural do endividamento de forma séria”, afirma Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região.