Foto: Warley Andrade/TV Brasil
Uma decisão da 7ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST) representou um duro golpe para os trabalhadores e trabalhadoras do Bradesco que atuam nos prédios Prata e Cinza, em Osasco. Por maioria de votos (2 a 1), o colegiado decidiu afastar o pagamento do adicional de periculosidade relacionado ao armazenamento de combustível nos edifícios, revertendo o entendimento que vinha sendo mantido pelas instâncias inferiores da Justiça do Trabalho.
O julgamento foi concluído em 27 de maio de 2026 e reformou decisões anteriores que reconheciam o direito dos empregados ao recebimento do adicional em razão dos riscos decorrentes da presença de tanques de combustíveis nas dependências dos prédios.
Sindicato seguirá na luta
O diretor do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região e funcionário do Bradesco, Márcio Rodrigues, classificou a decisão como um retrocesso na proteção dos trabalhadores. “É com profunda indignação e preocupação que recebemos essa recente decisão. Trata-se de uma grande perda nos direitos conquistados e na segurança de nossos colegas”, afirmou.
Márcio destacou que o entendimento consolidado nas instâncias inferiores da Justiça do Trabalho vinha reconhecendo o direito ao adicional justamente em razão dos riscos presentes nos locais de trabalho.
“Essa reversão é ainda mais revoltante quando consideramos que, até então, as instâncias inferiores da Justiça do Trabalho vinham garantindo esse direito fundamental. O TST, ao aceitar e reexaminar o recurso do Bradesco, abriu um precedente que desconsidera a realidade de risco a que esses trabalhadores ficaram expostos diariamente”, criticou.
Márcio Rodrigues também ressaltou a importância do voto divergente do ministro Cláudio Mascarenhas Brandão: “É crucial destacar que essa decisão não foi unânime. O ministro Cláudio Mascarenhas Brandão defendeu com veemência os direitos dos trabalhadores, apresentando argumentos sólidos sobre a análise de fatos e provas, o descumprimento da legislação, a irretroatividade da lei e os riscos decorrentes da presença de gases inflamáveis.”
O dirigente reforçou que o Sindicato seguirá atuando para buscar a reversão da decisão. “O Sindicato não aceitará passivamente essa afronta aos direitos dos trabalhadores. Continuaremos na luta, utilizando todas as medidas legais cabíveis para reverter essa injustiça. Não descansaremos enquanto a segurança e os direitos de nossos colegas não forem plenamente garantidos”, concluiu.