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Corrupção Passiva

Relator defende acolhimento de denúncia contra Temer

Sergio Zveiter vota  pela admissibilidade da investigação por corrupção passiva; relatório ainda terá de ser debatido e votado pelos integrantes da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, antes de ir a plenário na Câmara

  • Agência Câmara, com edição da Redação
  • Publicado em 10/07/2017 19:11

Foto: Alex Ferreira / Câmara dos Deputados

São Paulo - O deputado Sergio Zveiter (PMDB-RJ), relator da denúncia por crime de corrupção passiva (SIP 1/17) contra Michel Temer apresentou nesta segunda 10 parecer pela admissibilidade da investigação pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A denúncia foi apresentada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

"Não é fantasiosa a acusação", afirmou Zveiter. "É preciso que se faça a investigação. São várias as pessoas envolvidas e a verdade precisa ser esclarecida. É necessária a investigação dos fatos. Estão demonstrados na denúncia sólidos indícios da prática delituosa."

Ele frisou que seu voto não foi porque há provas concretas contra o presidente, e explicou que nesse momento bastam os indícios. "Mas devemos decidir se há indícios suficientes para abrir o processo. As provas concretas são necessárias apenas no julgamento. Nesse momento, é necessário que a Câmara autorize, porque há a descrição dos fatos, o que torna inviável sua não autorização", disse.

Cabe à CCJ instruir o assunto para análise do plenário, votando contra ou a favor do relatório de Zveiter. Após a votação, independente do resultado na comissão, a denúncia será encaminhada para análise pelo plenário, onde será decidido se a Câmara autoriza ou não que o STF julgue Temer.

Segundo a Constituição, em caso de acusação por crime comum, como corrupção passiva, o julgamento do presidente cabe ao STF, mas o processo só pode ser aberto se houver autorização do plenário da Câmara, onde é necessário apoio de pelo menos dois terços dos parlamentares, o equivalente a 342 votos do total de 513 deputados. Depois, é necessário ainda que a maioria dos 11 ministros do STF aceite a denúncia.

A denúncia de corrupção passiva foi oferecida ao Supremo por Janot com base em gravações e delação premiada dos irmãos Joesley e Wesley Batista, donos do grupo J&F – que controla o frigorífico JBS e outras empresas. Segundo Janot, Temer usou o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB), também denunciado, para receber R$ 500 mil de propina paga por Joesley Batista.

Esta é a primeira vez na história que um presidente é denunciado no exercício do mandato por crime cometido durante o governo. 

O procurador-geral também analisa a possibilidade de oferecer outras denúncias, por obstrução da Justiça e organização criminosa.

Encaminhamentos – Na CCJ, a defesa de Temer poderá se manifestar por igual tempo utilizado pelo relator, e mais uma vez após toda a discussão entre os parlamentares na CCJ. Está previsto também que, antes de iniciar a votação no colegiado, relator e defesa voltem a falar por 20 minutos cada um. 

 

 

Nos debates, deverá ser garantida a palavra para todos os integrantes da CCJ (66 titulares e 66 suplentes); para 40 deputados não-membros do colegiado (sendo 20 contrários e 20 favoráveis); e para os líderes partidários, que segundo o Regimento Interno podem se manifestar em todas as comissões. Com isso, caso todos queiram falar, serão pelo menos 36 horas contínuas de discussão.

Compra de votos – Deputados do PT protocolaram na quarta-feira 5 representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) pedindo investigação de suposta compra de votos por Temer para barrar a denúncia.

De acordo com Paulo Pimenta (RS), um dos autores do pedido, Temer utilizou o cargo para tentar interferir na decisão dos parlamentares. Ele citou a agenda de reuniões do presidente com deputados às vésperas da análise da denúncia pela CCJ.

“Foram recebidos parlamentares indecisos ou que ainda não declararam o voto. É necessário que a PGR tome providências. Lembro que [o ex-deputado e ex-presidente da Câmara] Eduardo Cunha foi afastado porque, em função do cargo, manipulava o processo legislativo e interferia no funcionamento das comissões”, disse Pimenta.



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