Luta

Marcha das Margaridas e das mulheres indígenas ocupa Brasília

Mulheres do campo, da floresta, das águas, indígenas e quilombolas caminham juntas pela Esplanada

  • Rede Brasil Atual, com edição da Redação Spbancarios
  • Publicado em 14/08/2019 11:15 / Atualizado em 14/08/2019 17:56

Sindicato presente na Marcha das Margaridas

Foto: Seeb-SP

“Olha Brasília, está florida. Estão chegando as decididas”, cantam as vozes de milhares de Margaridas reunidas no início da manhã. A Marcha das Margaridas ocupa as ruas da capital federal desde terça-feira 13 e, nesta quarta-feira 14, caminha pelo chamado Eixo Monumental.

As marchas das Margaridas, em sua sexta edição, e das Mulheres Indígenas, em sua primeira, se encontraram por volta das 9h e seguiram do Parque da Cidade até a Praça dos Três Poderes para o ato final, diante do Congresso Nacional. 

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A secretária-geral do Sindicato, Neiva Ribeiro, lembra das diferentes pautas que as trabalhadoras levam às ruas nesta quarta, e alerta para a aprovação da MP 881 na Câmara. 

"Hoje Brasília está florida com as Margaridas marchando por soberania popular, por agroecologia, em defesda da terra, das águas e do trabalho, para defender os nossos direitos. Ontem a Câmara dos Deputados aprovou a MP 881 que, entre outras coisas, permite o trabalho aos sábados e domingos. Nós, bancários, vamos ser muito prejudicados porque eles vão querer abrir as agências aos sábados e isso coloca mais uma luta para a gente fazer", comentou. 

Força de gerações

Josefa Rita da Silva, a Zefinha, tem 73 anos de idade e participou de todas as seis edições da Marcha das Margaridas. Com a vida dedicada à luta por direitos, já perdeu as contas de quando começou a atuar no movimento sindical. Hoje agricultora familiar aposentada, diz que a primeira Marcha foi a mais difícil em função da repressão, mas também foi a que teve mais força e empenho das participantes. E deve ser exemplo para o ano de 2019.

“A primeira Marcha é o espelho que precisamos ter nessa. Precisamos chamar o povo para o enfrentamento no Brasil, os nossos direitos estão descendo no esgoto. Estão cortando no mais pobre, que é o trabalhador rural.” Sem rodeios, Zefinha manda um recado às mulheres do país: “Não esmoreça, não desista. Enfrente o desafio com coragem porque nem Cristo morreu de braços cruzados. É melhor morrer na luta do que morrer de fome”.

Bem mais nova que Zefinha, a secretária de Juventude da Contag, Mônica Bufon Augusto, de 28 anos, destaca a grande presença de mulheres jovens na Marcha, dispostas a permanecer no campo, mas com qualidade de vida. “A juventude tá em massa aqui na Marcha, principalmente nesse momento tão desafiador pelo qual estamos passando, com a grande retirada de direitos da classe trabalhadora, que vem afetando muito a juventude.”

Mônica se mostra preocupada com o futuro dos jovens no campo, se não houver políticas que incentivem a permanência e possibilitem uma vida digna. “Se não conseguirmos políticas públicas para manter a juventude no campo, com  a perspectiva de que o campo é um lugar de vida, daqui a 20 ou 30 anos podemos ter um campo muito esvaziado.” 



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