O Dia Nacional da Saúde é celebrado nesta quarta-feira 5. Além de uma oportunidade para lembrar da importância dos cuidados com o corpo e a mente, a data serve para reafirmar que a saúde é um direito de todos e uma responsabilidade do Estado, das empresas e de toda a sociedade.
Nesse debate, o Sistema Único de Saúde (SUS) ocupa um papel fundamental. É o maior sistema público de saúde do mundo e garante atendimento a milhões de brasileiros todos os dias.
“Defender o SUS significa defender a vida. Por isso, é essencial ampliar os investimentos públicos, fortalecer a rede de atendimento e garantir que a população tenha acesso a serviços de qualidade”, afirma Valeska Pincovai, secretária de Saúde do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região.
Para a dirigente, a realidade da saúde suplementar mostra um cenário preocupante. Isto porque enquanto os planos de saúde acumulam lucros expressivos, muitos usuários enfrentam dificuldades para conseguir consultas, exames, tratamentos e autorizações. “A saúde não pode ser tratada como um negócio em que o lucro vale mais do que a vida das pessoas.”
Saúde do trabalhador segue negligenciada
O Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região destaca um tema que continua negligenciado: a saúde do trabalhador.
No Brasil, em 2025 foram registrados cerca de 4,12 milhões de afastamentos temporários do trabalho por motivos de saúde concedidos pelo Ministério da Previdência Social.
Desse total geral, problemas físicos como dores nas costas lideraram as estatísticas, enquanto mais de 546 mil licenças foram motivadas especificamente por transtornos de saúde mental (como ansiedade e depressão). Os dados forma obtidos pelo G1.
Prevenção de doenças deve ser prioridade do governo e empresas
Para Valeska Pincovaim prevenir o adoecimento deveria ser prioridade para empresas e governos, mas, na prática, essa responsabilidade muitas vezes é deixada de lado.
“Entre os bancários, essa situação é cada vez mais evidente. Os bancos registram lucros bilionários ano após ano, mas esse crescimento não tem sido acompanhado por investimentos na melhoria das condições de trabalho. Ao contrário, a categoria convive com reestruturações constantes, fechamento de agências, redução de equipes, aumento da sobrecarga, cobrança excessiva por metas e um ambiente de pressão permanente.”
A secretária de Saúde do Sindicato complementa que o resultado é o crescimento dos casos de ansiedade, depressão, síndrome de burnout e outras doenças relacionadas ao trabalho.
“O adoecimento da categoria não é fruto do acaso. É consequência de um modelo de gestão que prioriza resultados e rentabilidade, muitas vezes deixando em segundo plano a saúde e a dignidade de quem constrói esses resultados todos os dias.”
Bancários vivem epidemia de doenças mentais
Embora os bancos representem apenas 0,7% do estoque de empregos do país, foram responsáveis por 2,8% do total de afastamentos acidentários registrados pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em 2024.
Quando considerados apenas transtornos mentais e comportamentais, os bancos múltiplos lideraram o ranking de atividades com maior número de afastamentos acidentários por saúde mental, com 1.946 registros, e ficaram na quinta posição nos afastamentos previdenciários, com 8.345 ocorrências.
Os bancos registraram aumento de 168% no número de afastamentos por transtornos mentais em 10 anos, passando de 5.411 em 2014 para 14.565 em 2024 (ano com últimos dados disponíveis), o que representou cerca de 53% de todos os afastamentos de bancários pelo INSS naquele ano (27.531).
Saúde é prioridade na Campanha Nacional Unificada
Os bancários estão em plena Campanha Nacional Unificada para renovar a Convenção Coletiva de Trabalho e conseguir aumento real nos salários e demais verbas.
Entre as reivindicações para enfrentar o atual cenário de adoecimento da categoria, os bancários cobram a participação da representação dos trabalhadores na elaboração, implementação e acompanhamento do plano de gerenciamento dos riscos psicossociais (PGR), incluindo o mapeamento dos fatores de risco e a definição de ações de prevenção e combate ao assédio moral, conforme determina a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1).
“Os bancos têm condições financeiras de promover ambientes de trabalho mais saudáveis, respeitosos e humanizados. Podem investir na prevenção, reduzir a sobrecarga, combater o assédio moral, respeitar os limites da jornada e criar políticas efetivas de promoção da saúde. Falta, porém, assumir essa responsabilidade”, destaca Valeska.
“Neste Dia Nacional da Saúde, é preciso lembrar que qualidade de vida não depende apenas do acesso aos serviços de saúde. Ela também passa pelo direito a um trabalho digno, com respeito, valorização e equilíbrio entre a vida profissional e pessoal”, acrescenta.
Defenda o SUS
A dirigente avalia ainda que defender um modelo de sociedade em que a vida esteja acima do lucro passa por defender o SUS, fortalecer a saúde pública, cobrar responsabilidade dos planos de saúde e exigir que os bancos assumam seu papel na proteção da saúde de seus trabalhadores.
“A saúde deve ser um compromisso permanente. Porque nenhuma empresa pode ser considerada verdadeiramente bem-sucedida quando seu lucro é construído à custa do adoecimento dos seus trabalhadores”, afirma.