Os bancários do Itaú denunciam o aumento expressivo das metas estabelecidas pelo banco para o último trimestre de 2026. Segundo relatos recebidos pelo Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, as exigências cresceram em diferentes indicadores, dificultando o cumprimento dos objetivos e ampliando a pressão sobre os trabalhadores.
Em um dos relatos, uma bancária informa que sua meta na linha de proteção aumentou mais de R$ 13 mil no trimestre. Já a meta de equilíbrio de contas teve um acréscimo superior a R$ 2 milhões, enquanto o indicador de benefícios, relacionado ao produto Combine, subiu quase 100 pontos.
“Aumentou tudo. Acho que a única que não aumentou, não sei se nas outras agências também foi assim, foi a linha de sorte, que se manteve. Todas as demais aumentaram”, relata a trabalhadora.
Outro ponto que preocupa os bancários é a chamada “ação extra” do programa GERA, prevista para o último trimestre do ano.
Para ter direito à premiação, os bancários deverão atingir performance superior a 110% do ICM nas cestas designadas, além de alcançar pelo menos 1.000 pontos no programa GERA Trimestral. De acordo com as regras divulgadas, a campanha tem caráter eventual, e os valores pagos não possuem natureza salarial, não são incorporados à remuneração e não geram expectativa de direito.
Os trabalhadores questionam se, diante do aumento generalizado das metas, a nova exigência não tornará ainda mais difícil o acesso à premiação.
“Enfiaram essa tal de ação extra para o final do ano e agora aumentaram as metas. Falaram que é porque vão pagar um dinheiro a mais para nós”, afirma uma bancária.
Clientes vulneráveis: avanço parcial após cobrança do Sindicato
Além do aumento das metas, o Sindicato acompanha os critérios utilizados pelo Itaú para contabilizar a produção dos bancários no atendimento a clientes considerados vulneráveis, como aposentados e idosos.
O problema já havia sido levado pela representação dos trabalhadores às reuniões da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Itaú com a direção do banco.
Até então, os bancários relatavam que diversos produtos e serviços comercializados durante esses atendimentos não eram contabilizados para o cumprimento das metas, apesar do trabalho realizado e da cobrança por resultados.
Após as reivindicações do Sindicato, o Itaú passou a considerar, a partir de outubro, as operações de renegociação de dívidas e de crédito realizadas com clientes vulneráveis.
A mudança representa um avanço, mas ainda é insuficiente. Outros produtos e serviços, como o PIC e as operações relacionadas ao indicador de engajamento, incluindo cadastramentos e adesões ao débito automático, continuam fora da contabilização, conforme os relatos recebidos.
“Não é aceitável que os bancários sejam cobrados por resultados enquanto parte da produção efetivamente realizada deixa de ser reconhecida pelo sistema de avaliação do banco”, afirma a dirigente sindical e bancária do Itaú Márcia Basqueira.
Sindicato cobra metas justas e transparência
O Sindicato critica a elevação das metas e defende que os objetivos estabelecidos pelo Itaú sejam transparentes, factíveis e compatíveis com as condições reais de trabalho.
A entidade também cobra esclarecimentos sobre os critérios da chamada “ação extra”, seus impactos na remuneração variável e a contabilização integral dos produtos e serviços realizados no atendimento a clientes vulneráveis.
“Os trabalhadores não podem ser submetidos a uma cobrança cada vez maior por resultados sem critérios claros e condições adequadas para alcançá-los. O Sindicato seguirá acompanhando as denúncias e cobrando do Itaú respeito aos bancários, transparência nos programas de remuneração e metas que não comprometam a saúde e as condições de trabalho”, enfatiza Márcia Basqueira.