O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região realizou uma manifestação na entrada da sede do Daycoval, na Avenida Paulista, para dialogar com os bancários e reivindicar uma melhor distribuição dos valores do Programa de Participação nos Resultados (PPR).
A atividade, realizada no horário de entrada dos funcionários, nesta quinta-feira 17, teve o objetivo de esclarecer e dialogar sobre a distribuição dos valores, reivindicando que o banco reveja os critérios de distribuição do PPR, buscando equilíbrio nos valores pagos aos trabalhadores.
Isto porque a última proposta do banco visava privilegiar os altos executivos, destinando a eles um aumento muito maior do que o piso do programa.
O Sindicato insiste que o PPR deve manter uma distribuição equânime buscando valorizar a todos os trabalhadores, e não só os cargos mais altos.
Os dirigentes sindicais cobraram da direção do Daycoval que se mantenha o mesmo processo de negociação que resultou em avanços nos últimos anos, buscando a construção de um acordo de PPR com a participação do Sindicato e dos funcionários do Daycoval.
A entidade contesta a iniciativa do banco de conduzir o processo por meio de uma comissão formada pela própria instituição financeira.
Vale destacar que, nos últimos anos, os acordos de PPR no Daycoval foram feitos com base na legislação sobre PLR/PPR, que garante transparência, bem como diálogo na construção de propostas e a necessária participação da representação sindical e dos funcionários do Daycoval.
Esse processo garantiu avanços, como o aumento do piso do PPR e, sobretudo, a fiscalização do pagamento dos valores do programa.
Para Marcelo Gonçalves, diretor do Sindicato, a definição das regras e os critérios para distribuição dos resultados deve ser fruto de negociação coletiva, garantindo transparência, equilíbrio e justiça na repartição dos valores.
“O Daycoval só existe porque existe trabalho em equipe. O resultado é construído pelo esforço e dedicação de todos os funcionários e funcionárias. Por isso, é mais do que justo que a distribuição dos resultados seja negociada e ocorra de maneira equilibrada, e não fique concentrada nos cargos com salários mais altos”, defende Marcelo.
Assédio moral
Durante a atividade, também foram evidenciadas denúncias feitas ao Canal de Denúncias do Sindicato sobre práticas de assédio moral derivadas da pressão excessiva pelo cumprimento de metas abusivas, e outros problemas nas condições de trabalho.
A entidade reivindica que o combate ao assédio moral seja incorporado como um dos indicadores do PPR e na avaliação de gestores e diretores.
Na avaliação do Sindicato, as pessoas que ocupam esses cargos devem ser cobrados não apenas pelos resultados financeiros, mas também pela forma como conduzem suas equipes.
“A gestão não pode ser baseada em pressão, perseguição e punição. Quem ocupa uma posição de comando precisa motivar, apoiar, incentivar e orientar os trabalhadores, e não distribuir ‘bordoada’ para atingir metas. Estamos no século 21, e o Daycoval é uma empresa ‘vitrine’ na Paulista. E por isso, tem de priorizar relações de trabalho dignas e saudáveis”, afirma Marcelo Gonçalves.
Resultados construídos por todos
Durante a manifestação, o Sindicato reforçou que o PPR deve reconhecer a contribuição coletiva do trabalho em equipe para os resultados do banco. Na avaliação da entidade, mesmo o trabalhador que não atinge integralmente uma ou outra meta individual contribui para o resultado global da instituição.
“Por isso, a distribuição da participação nos resultados deve considerar o trabalho em equipe e, principalmente, estabelecer um teto que impeça a concentração dos valores nos salários mais altos e nos cargos mais elevados. Valorizar os trabalhadores também significa garantir relações de trabalho baseadas no respeito, no diálogo e na negociação”, afirma Marcelo.
“E, por isso mesmo, o Sindicato seguirá insistindo com o Daycoval no caminho deste diálogo propostitivo e participativo sobre o PPR e, ainda, na urgência da apuração das denúncias de assédio moral apresentadas pelos funcionários”, finaliza o dirigente.