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Em reunião com o BTG, Sindicato cobra reversão de transferências e respeito à jornada

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Em reunião com o BTG, Sindicato cobra reversão de transferências e respeito à jornada

O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região e o BTG Pactual realizaram, nesta terça-feira (11), uma reunião negocial para tratar da reestruturação promovida pelo banco que resultou na transferência em massa de trabalhadores da área de Tecnologia para a BTG Tech, empresa do mesmo grupo econômico.

A entidade questionou a medida, realizada de forma unilateral e sem diálogo prévio, e cobrou a reversão do processo. Para o Sindicato, a transferência representa um grave prejuízo aos trabalhadores, uma vez que implica mudança de categoria profissional, de representação sindical e de Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), colocando em risco direitos conquistados pelos bancários.

“Não existe justificativa para retirar esses trabalhadores da categoria bancária. Eles continuam atuando no ramo financeiro, trabalhando e gerando lucro para o grupo BTG e devem permanecer bancários, com a nossa representação. O que estamos defendendo é que não haja perda de direitos e que o banco respeite os trabalhadores e estabeleça uma negociação verdadeira com a entidade sindical”, afirma a secretária-geral do Sindicato, Lucimara Malaquias.

Durante a reunião, o Sindicato também cobrou transparência e informações detalhadas sobre a reestruturação. Em ofício encaminhado ao banco no dia 5 de agosto, a entidade havia solicitado o número de trabalhadores afetados e esclarecimentos sobre como ocorreu a movimentação dos empregados entre o BTG Pactual e a BTG Tech.

Apesar da solicitação, o banco não apresentou as informações na reunião desta terça-feira. Ao responder aos questionamentos do Sindicato, o BTG limitou-se a afirmar que não haverá demissão em massa e que os direitos dos trabalhadores serão preservados.

O Sindicato, entretanto, ressalta que a mudança de empresa e, consequentemente, de categoria e representação sindical pode resultar em perdas importantes. Isso porque a Convenção Coletiva aplicável aos trabalhadores da empresa para a qual estão sendo migrados possui condições inferiores às garantidas pela CCT dos bancários.

“O BTG não pode simplesmente transferir trabalhadores para outra empresa do grupo e afirmar que os direitos estão preservados. A mudança de enquadramento sindical tem consequências concretas e pode significar a retirada de direitos históricos da categoria bancária. Por isso, estamos cobrando informações, transparência e, principalmente, a reversão dessa transferência”, destaca o dirigente sindical Marcelo Gonçalves.

Sindicato cobra respeito à jornada e combate ao assédio

Outro ponto de forte cobrança durante a reunião foi o respeito à jornada de trabalho e o efetivo controle das horas trabalhadas. O Sindicato relatou ao banco denúncias recebidas de trabalhadores sobre jornadas excessivas, que chegariam a 12 ou até 14 horas por dia, ultrapassando o limite legal de duas horas extras diárias.

Segundo as denúncias, as horas extras não são devidamente pagas, sob a justificativa de que determinados cargos permitiriam essa situação. O Sindicato contestou essa prática e cobrou do banco medidas para garantir o cumprimento da legislação trabalhista e o controle adequado da jornada.

Também foram apresentadas denúncias relacionadas a situações de assédio moral e condições de trabalho. A entidade exigiu que o BTG apure os relatos e adote medidas para impedir práticas abusivas no ambiente profissional.

O Sindicato continuará acompanhando o processo e cobrando do BTG uma negociação efetiva, com acesso às informações necessárias e garantia de preservação dos direitos dos trabalhadores. Novas reuniões entre a entidade e o banco deverão ocorrer nos próximos dias.

“Vamos continuar mobilizados e acompanhando de perto cada etapa dessa reestruturação. O trabalhador não pode ser colocado diante de uma decisão já tomada, sem diálogo e sem garantia real de seus direitos. Nossa prioridade é assegurar que esses profissionais continuem com a representação sindical que escolheram e que nenhum direito seja retirado”, conclui Lucimara Malaquias.

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