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Lucro do Bradesco cresce 15,6%, mas banco corta 3,2 mil empregos

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Imagem mostra pessoas de costas com cabeças baixas ao lado de um agência do bradesco

O lucro do Bradesco nos nove primeiros meses de 2026 chegou a R$ 20,970 bilhões, crescimento de 15,6% em relação ao mesmo período de 2025. Apesar do resultado bilionário, o banco manteve sua política de redução de empregos e fechamento de agências, prejudicando bancários e clientes.

Em 12 meses, o Bradesco eliminou 3.200 postos de trabalho bancários, fechou 318 agências e encerrou 550 postos de atendimento. Os cortes ocorreram enquanto a instituição ampliava sua base de clientes e registrava crescimento da rentabilidade.

“É inadmissível que um banco que lucra quase R$ 21 bilhões em apenas nove meses continue eliminando empregos e fechando agências. O Bradesco tem condições financeiras de valorizar seus trabalhadores e oferecer atendimento de qualidade à população. Mas, em vez disso, segue sobrecarregando os bancários e reduzindo sua presença física”, critica Erica de Oliveira, diretora executiva do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região.

Bradesco elimina 3,2 mil postos de trabalho bancários em um ano

O Bradesco encerrou setembro de 2026 com 79.050 funcionários na holding, dos quais 66.952 são bancários. Em um ano, foram eliminados 2.607 postos de trabalho no conjunto da instituição. Considerando apenas os bancários, a redução chegou a 3.200 vagas, sendo 1.002 somente no terceiro trimestre.

Enquanto reduzia o quadro de funcionários, o banco ganhou 300 mil clientes no trimestre, alcançando 110,7 milhões, segundo dados do Ranking de Reclamações do Banco Central.

A combinação entre menos trabalhadores e mais clientes aumenta a demanda sobre as equipes, intensificando a pressão por produtividade, o cumprimento de metas e os riscos de adoecimento.

“Os bancários precisam atender uma demanda cada vez maior, muitas vezes com equipes reduzidas e sob forte cobrança por metas. O lucro não pode crescer às custas da sobrecarga e do adoecimento da categoria”, afirma Erica.

Fechamento de 318 agências do Bradesco prejudica clientes

Além dos cortes de empregos, o Bradesco segue reduzindo sua rede de atendimento presencial. Em 12 meses, 318 agências e 550 postos de atendimento (PA e PAE) foram fechados, enquanto apenas 16 unidades de negócios foram abertas.

Com isso, o banco encerrou setembro com 1.741 agências, 1.428 postos de atendimento e 723 unidades de negócios.

O fechamento de unidades dificulta o acesso aos serviços bancários, especialmente para idosos, pessoas com dificuldades de utilização dos canais digitais e moradores de regiões com menor oferta de atendimento presencial.

“Fechar agências não significa apenas reduzir custos. Significa retirar da população um serviço essencial e aumentar a pressão sobre os trabalhadores das unidades que permanecem funcionando”, destaca a dirigente sindical.

Receitas com tarifas superam despesas de pessoal

As receitas do Bradesco com prestação de serviços e tarifas bancárias alcançaram R$ 23,8 bilhões nos nove primeiros meses de 2026, crescimento de 3,3% em 12 meses.

Já as despesas de pessoal, incluindo o pagamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), somaram R$ 20,3 bilhões, alta de 3,8%.

Isso significa que somente as receitas com serviços e tarifas cobriram 117,1% das despesas de pessoal do Bradesco.

“O próprio balanço demonstra que o banco tem recursos para preservar empregos e valorizar seus trabalhadores. As receitas com tarifas e serviços, sozinhas, já superam todas as despesas de pessoal. Não há justificativa para continuar promovendo cortes enquanto a instituição apresenta resultados tão expressivos”, critica Erica.

Lucro do Bradesco chega a R$ 20,97 bilhões em 2026

O lucro líquido recorrente do Bradesco, que desconsidera itens extraordinários, cresceu 0,8% no terceiro trimestre, chegando a R$ 7,11 bilhões, ante R$ 7,05 bilhões registrados no trimestre anterior.

O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) alcançou 15,8%, avanço de 1,2 ponto percentual em 12 meses.

Segundo o banco, o desempenho foi impulsionado pela diversificação das receitas, incluindo operações de tesouraria, banco de investimentos, corretagem, custódia, consórcios e seguros, além do controle de despesas.

Carteira de crédito do Bradesco alcança R$ 1,15 trilhão

A carteira de crédito expandida do Bradesco totalizou R$ 1,150 trilhão em setembro de 2026, crescimento de 11,1% em 12 meses.

O crédito para pessoas físicas chegou a R$ 484,9 bilhões, alta de 7,4% em um ano. Os principais destaques foram financiamentos de veículos (+26,8%), cartão de crédito (+9,2%) e crédito consignado (+7,7%).

Já a carteira de pessoas jurídicas alcançou R$ 664,7 bilhões, expansão de 14,1% em 12 meses. O crédito para grandes empresas cresceu 14,8%, enquanto as operações com micro, pequenas e médias empresas avançaram 13%.

A inadimplência acima de 90 dias ficou em 4,6% no terceiro trimestre, aumento de 0,5 ponto percentual em relação ao mesmo período de 2025.

As despesas com provisões para perdas esperadas cresceram 23,8%, totalizando R$ 32,2 bilhões nos nove primeiros meses de 2026.

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