A nova Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria bancária, assinada em 9 de setembro pelo Comando Nacional dos Bancários e pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), traz uma importante conquista para a prevenção do adoecimento mental: a participação da representação dos trabalhadores no Programa de Gerenciamento de Riscos Psicossociais, previsto nas mudanças da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1).
A medida fortalece o papel dos sindicatos na identificação e no enfrentamento dos fatores que podem provocar sofrimento e adoecimento no trabalho bancário. A partir da nova CCT, a representação dos trabalhadores participará da elaboração, implementação e acompanhamento do plano de gerenciamento dos riscos psicossociais nas instituições financeiras.
A medida inclui o mapeamento dos fatores de risco presentes nos ambientes de trabalho e a definição de medidas de prevenção e combate ao assédio moral. A proposta é fazer com que a saúde mental seja incorporada de forma efetiva às políticas de gestão dos bancos, e não tratada apenas quando o trabalhador já está adoecido.
O tema ganha ainda mais relevância nesta semana, com a chegada do Dia Mundial da Saúde Mental, em 10 de outubro. Para o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, a participação dos trabalhadores é fundamental para que esse processo considere a realidade vivida diariamente pela categoria.
“Não existe prevenção efetiva da saúde mental sem discutir as condições em que o trabalho é realizado. A nova CCT garante que os trabalhadores tenham participação nesse processo e possam contribuir para identificar os problemas e construir soluções. É uma conquista importante porque coloca a prevenção no centro do debate e fortalece a luta por ambientes de trabalho mais saudáveis”, afirma Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários.
Organização do trabalho também adoece
A conquista da nova CCT foi resultado de uma Campanha Nacional marcada por uma longa negociação, com 13 rodadas entre representantes dos trabalhadores e dos bancos. Ao longo das discussões, o Comando Nacional dos Bancários reforçou que os riscos psicossociais não surgem por acaso: eles estão diretamente relacionados à forma como o trabalho é organizado nas instituições financeiras.
Pressão permanente por resultados, competição exacerbada, cobrança excessiva, falta de apoio das chefias, sobrecarga de trabalho e mudanças organizacionais frequentes estão entre os fatores que contribuem para o adoecimento dos bancários.
Dados mostram a urgência da medida
Os resultados da Consulta Nacional dos Bancários 2026 mostram a dimensão do problema. Entre os quase 55 mil trabalhadores que participaram da pesquisa, 40% afirmaram ter utilizado medicamento controlado nos últimos 12 meses. Além disso, 73% avaliam que o ambiente de trabalho nas instituições financeiras prejudica a saúde mental.
Os sintomas relatados também revelam o impacto da organização do trabalho sobre a vida dos bancários. A preocupação constante com o trabalho foi apontada por 67% dos participantes. Cansaço e fadiga apareceram em 59% das respostas; desmotivação, em 47%; crises de ansiedade ou pânico, em 42%; e dificuldades para dormir, inclusive nos fins de semana, em 39%.