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Chapéu
Disfunção da economia

Bancários voltam a protestar em frente ao Banco Central pela redução da Selic

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Imagem mostra manifestantes portando bandeiras de centrais sindicais e faixas durante protesto pela redução da taxa de juros

O Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, ao lado de outras categorias de trabalhadores, voltou a protestar pela redução da taxa básica de juros (Selic). A manifestação foi realizada nesta terça-feira 27, em frente ao prédio do Banco Central (BC) em São Paulo.

O ato convocado pela CUT e demais centrais sindicais foi no mesmo dia em que começou a reunião do Comitê de Política Econômica do Banco Central para definir a próxima taxa básica de juros da economia.

“Ocupamos mais uma vez a avenida Paulista para reforçar que juros altos aumentam a desigualdade social e a concentração de renda. Enquanto trabalhadores, pequenos empresários e classe média encaram crédito proibitivo, rentistas, instituições financeiras e outros grandes detentores dos títulos da dívida pública seguem lucrando cada vez mais com a Selic em 15%  ao ano”, denuncia o dirigente do Sindicato Antonio Netto.

A Selic é usada como instrumento principal de política monetária para o controle da inflação. O Banco Central iniciou em setembro de 2024 um ciclo de aumento nos juros, levando a Selic para 15% ao ano. A taxa está neste patamar desde junho de 2025.

“Sob o pretexto do combate à inflação, que está em um dos menores níveis desde a implantação do Plano Real, a Selic mantida em alta pelo Banco Central atua como um freio no investimento produtivo. Aplicações financeiras em renda fixa rendem 15% sem nenhum risco. Isso desestimula qualquer empresário a investir na economia real. A consequência disso é mais dinheiro aplicado na especulação financeira e menos investimento na economia real, menos inovação e menos produtividade. Seguiremos denunciando essa disfunção da economia até que o Brasil possa contar com juros civilizados”, afirma Antonio.

Entenda

O Copom se reúne a cada 45 dias, por dois dias consecutivos, para, com base na avaliação do cenário econômico e na inflação, redefinir a Selic. Nos três últimos encontros - em julho, setembro e novembro – o Copom decidiu manter a Selic em 15%, o que, segundo analistas do mercado, deve se repetir nesta última reunião do ano.

A principal justificativa para a taxa básica de juros ser mantida em patamar tão elevado, de acordo com o Copom (que tem autonomia para definir a Selic, sem interferência do governo federal), é o controle da inflação.

Entretanto , com a inflação de produtos e serviços controlada, e com movimentos inflacionários mais relacionados com questões sazonais, esta estratégia de manutenção da taxa básica de juros em patamar tão elevado é bastante questionada, uma vez que trava o desenvolvimento econômico e a geração de emprego e renda, beneficiando apenas o rentismo.

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