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Liquidação do Will Bank: Sindicato alerta para os riscos da desregulação das fintechs

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Imagem mostra o prédio do Banco Central

A liquidação do Will Bank pelo Banco Central, ocorrida nesta quarta-feira 21, gerou forte repercussão nas redes sociais e reacendeu o debate sobre a segurança das instituições digitais e a desregulamentação do sistema financeiro. O assunto figurou entre os mais comentados no X (antigo Twitter), com clientes expressando indignação e incerteza sobre seus recursos.

Ligado ao Banco Master — também alvo de liquidação do Banco Central —, o Will Bank possuía mais de 12 milhões de clientes. O principal temor relatado é a impossibilidade de movimentar salários ou reservas financeiras. A situação é agravada pelo modelo de negócio da fintech: sem agências físicas, o suporte ao trabalhador e ao cidadão torna-se inexistente em momentos de crise.

O perigo da falta de fiscalização

Para a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Neiva Ribeiro, o caso serve como um alerta para a necessidade de regras mais rígidas.

“A liquidação de uma instituição prejudica toda a sociedade, especialmente os trabalhadores que confiam suas economias a modelos que fogem à regulação tradicional. O caso do Will Bank reforça que instituições financeiras devem operar sob regras que protejam a população e o sistema como um todo. Precisamos de fiscalização rigorosa para evitar riscos sistêmicos e punição aos responsáveis por irregularidades.”

Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região

A dirigente lembra que além de todos os transtornos causados aos clientes, os trabalhadores do Will também serão penalizados com a demissão. “São pais e mães de família que ficarão sem empregos, que estão angustiados sem saber seu futuro ou como honrar seus compromissos. E só são lembrados e defendidos pelo Sindicato. Em nenhum noticiário são sequer mencionados, embora também sejam vítimas da má gestão e da falta de regulamentação.”

Crescimento desordenado no setor

Criado em 2017 como carteira de pagamentos e operando como banco digital desde 2020, o Will Bank cresceu em um cenário de regulação tardia. Segundo levantamento da A&S Partners, o número de fintechs no Brasil saltou 77% desde 2020, alcançando mais de 2 mil empresas no setor.

A primeira norma específica para fintechs (Resolução 4656/2018) ainda é vista como limitada. Especialistas apontam que o Banco Central permitiu a expansão acelerada dessas empresas antes de consolidar uma estrutura de controle eficiente.

“O Banco Central primeiro deixou as fintechs operaram e só depois pensou em regulamenta-las. E este controle mais rígido começou de fato só em 2025, quando surgiram problemas relacionados à atuação do crime organizado no Sistema Financeiro Nacional. O Estado precisa retomar seu papel de fiscalizador central. A falta de controle sobre essas empresas abre brechas para a instabilidade financeira e precariza a relação com o usuário e com o mercado de trabalho bancário", finaliza Neiva Ribeiro.

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