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Mês da Mulher

Negociação: Bancários e Fenaban debatem igualdade de oportunidades e combate à violência de gênero

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Representantes dos bancários e bancárias na mesa de negociação de  Igualdade da Mulher Bancária e Igualdade de Oportunidades (Foto: Contraf-CUT)

Representantes dos bancários e bancárias na mesa de negociação de Igualdade da Mulher Bancária e Igualdade de Oportunidades (Foto: Contraf-CUT)

Foi realizada na tarde desta segunda-feira, 2 de março, em Brasília, a mesa de negociação entre o Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban (federação dos  bancos) sobre Igualdade da Mulher Bancária e Igualdade de Oportunidades.

“Nós discutimos quatro temas. Um foi o Censo da Diversidade 2025, com a apresentação dos dados. A partir deles tiramos metas para políticas de inclusão de mais mulheres negras, sub-representadas no setor e para avançar na igualdade salarial entre homens e mulheres. Fizemos também uma avaliação do projeto Basta!, que está dentro do Programa Nacional de Iniciativas de Prevenção à Violência contra as Mulheres, no qual temos cláusulas para a prevenção e combate à violência de gênero, assim como para acolhimento das vítimas. Também debatemos o projeto Mais Mulheres na TI, com o balanço desta importante conquista até o momento. E, por fim, foi agendada, para a próxima quarta, uma reunião do Comitê de Gestão de Crise para discutir medidas para amparar os bancários diante das fortes chuvas que castigaram Minas Gerais”, relata a presidenta do Sindicato e uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários, Neiva Ribeiro.

“Foi uma reunião muito produtiva, muito importante. Nós valorizamos muito o fato dessa mesa ser uma conquista da nossa organização, da nossa mobilização. Entendemos que é importante ter um mundo livre de violência de gênero, que os homens devem ser aliados nessa luta. É tarefa de todos construirmos uma sociedade que viva em igualdade e sem discriminação de nenhuma forma”, avalia a presidenta do Sindicato.

Mais Mulheres na TI

Durante a negociação foram apresentados os números do projeto Mais Mulheres na TI, uma conquista da Campanha Nacional Unificada dos Bancários 2024, que disponibilizou 3.100 bolsas de estudo nas escolas PrograMaria e Laboratória, custeadas pelos bancos, para a capacitação de mulheres na área de Tecnologia da Informação.

Até o momento, 2.500 pessoas passaram pelos cursos da PrograMaria, e outras 500 iniciarão os estudos neste mês de março. Das formandas, 60% são pessoas pretas, pardas e indígenas; 29% mães e responsáveis legais; 6,3% pessoas trans; 34% de fora do eixo sul-sudeste; e 36% da comunidade LGBTQIAPN+.

Já pelo curso da Laboratória, focado em Análise de Dados, foram formadas 101 mulheres, sendo que 38,6% se declaram como pessoas pretas e pardas. O índice de empregabilidade após a realização do curso foi de 30%. Deste percentual, 40% ingressaram no setor bancário.

Censo da Diversidade 2025

Também foram apresentados os dados do Censo da Diversidade 2025, outra conquista da Campanha Nacional Unificada dos Bancários 2024, que traça um perfil da categoria com informações como sexo, gênero, orientação sexual, raça, escolaridade, ascensão na carreira, entre outras.

Em breve, os dados do Censo da Diversidade 2025 serão divulgados em detalhes.

Programa Nacional de Iniciativas de Prevenção à Violência contra as Mulheres

Também foi debatido na negociação o Programa Nacional de Iniciativas de Prevenção à Violência contra as Mulheres, outra conquista da categoria, que prevê uma série de medidas de prevenção, combate e acolhimento de mulheres vítimas de violência de gênero.

O Comando Nacional dos Bancários cobrou dos bancos que apresentem os dados de seus canais de atendimento às vítimas de violência de gênero, além de propor melhorias necessárias para aperfeiçoar o programa. A Fenaban, por sua vez, se comprometeu em avaliar as demandas e dar um retorno até o final de março.

Basta! Não vão nos Calar!

A representação dos bancários trouxe para a mesa de negociação o balanço do projeto Basta! Não irão nos Calar!, que oferece assessoria jurídica especializada gratuita para mulheres vítimas de violência doméstica, bancárias ou não.

O projeto, lançado em 2019, é uma iniciativa pioneira do Sindicato que presta apoio em ações como solicitação de medidas protetivas, processos de divórcio e disputas de guarda, reafirmando o compromisso da entidade com a defesa dos direitos das mulheres e com o enfrentamento das violências para além do local de trabalho.

Por meio da Contraf-CUT, hoje o projeto foi ampliado para outros 14 sindicatos da categoria bancária, nas cinco regiões do país, cobrindo um total de 485 cidades.

Desde que foi lançado, o projeto atendeu 542 pessoas. Em todos os atendimentos, foram registrados relatos de ao menos duas formas de violência doméstica e/ou familiar (física, psicológica, patrimonial, moral e sexual). As maiores incidências são de violência física e psicológica.

Os 542 atendimentos, resultaram em:

  • 119 casos que resultaram em orientações jurídicas ou de encaminhamento para serviços públicos, que podem ou não evoluir para ações judiciais.  
  • 523 ações como, por exemplo, medidas protetivas de urgência, divórcio e alimentos dos filhos menores.
  • 317 pedidos de medidas protetivas de urgência com base na Lei Maria da Penha. Atualmente 314 estão vigentes.
  • Das 314 medidas protetivas de urgência vigentes, apenas em 5 casos ocorreram descumprimentos, o que representa apenas 1,5% dos casos.
  • 198 ações relacionadas ao direito de família. As mais comuns são: Divórcio; Dissolução de União Estável; Partilha de bens; Guarda de filhos; e Pensão Alimentícia para os filhos.
  • 8 ações penais tramitando e 2 concluídas.
  • 50 inquéritos policiais em curso, que podem ou não evoluir para uma ação penal.

O agendamento para atendimento pelo projeto Basta! Não vão nos calar! É realizado direto via Whatsapp, por meio do número 11 97325-7975, no qual a vítima de violência pode falar em poucos minutos com uma advogada.

Comitê de Gestão de Crise

Por fim, a representação dos bancários cobrou a instalação de um Comitê de Gestão de Crise diante da escalada de desastres ambientais ocasionados pelas fortes chuvas em Juiz de Fora e no Triângulo Mineiro, medida esta prevista na Convenção Coletiva de Trabalho da categoria bancária.

Idealizado e conquistado pelo movimento sindical bancário, após as enchentes que atingiram o estado do Rio Grande do Sul em 2024, o Comitê de Gestão de Crise prevê a adoção rápida de medidas para proteger bancários e bancárias em locais atingidos por calamidades, como o trabalho remoto para trabalhadores com deslocamentos prejudicados.

A partir da cobrança do Comando Nacional dos Bancários, foi marcada uma reunião do Comitê Gestão de Crise para quarta-feira, 4 de março, na qual serão avaliadas as medidas que serão adotadas em relação as fortes chuvas que atingiram Juiz de Fora e o Triângulo Mineiro.

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