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Chapéu
Sindicato faz alerta

Autonomia financeira do BC avança no Senado sob contestação de especialistas

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Sede do Banco Central do Brasil, localizada em Brasília (Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)

Sede do Banco Central do Brasil, localizada em Brasília (Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou, na quarta-feira (10), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 65/2023, que concede autonomia financeira e orçamentária ao Banco Central (BC). O texto segue agora para análise do plenário da Casa e tem sido alvo de críticas de economistas, especialistas e entidades representativas dos trabalhadores, entre elas o Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região.

A proposta estabelece autonomia administrativa, contábil, orçamentária, financeira, operacional e patrimonial ao Banco Central, desvinculando a instituição de ministérios e demais órgãos da administração pública. Além disso, permite que o BC retenha receitas oriundas da chamada senhoriagem — recursos gerados pela emissão de moeda — que atualmente são transferidos ao Tesouro Nacional e incorporados ao orçamento público. Atualmente, parte desses recursos contribui para reduzir a dívida pública federal.

Economistas fazem alerta

A aprovação da PEC na CCJ ocorre poucos dias após a divulgação de um manifesto assinado por economistas brasileiros que alertam para os riscos da medida. Segundo o documento, a proposta pode facilitar a influência do sistema financeiro sobre a autoridade monetária, ao mesmo tempo em que reduz mecanismos de controle democrático e fiscalização do Banco Central.

Para o economista Gustavo Cavarzan, doutor em Economia Social e do Trabalho pela Unicamp e técnico do DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), a PEC caminha na direção oposta às mudanças defendidas pelo movimento sindical. Segundo Cavarzan, uma verdadeira democratização da política monetária passa pela redução da influência do setor financeiro privado sobre o BC.

“Seria fundamental ampliar a composição do Conselho Monetário Nacional, acabar com o descasamento de mandatos entre a Presidência da República e as diretorias do Banco Central, além de ampliar o período de quarentena para evitar a chamada ‘porta giratória’, quando dirigentes do BC deixam o órgão e passam quase imediatamente a atuar no mercado financeiro”, explica.

Um exemplo do conceito de "porta giratória" foi observado recentemente, na gestão anterior do Banco Central. Roberto Campos Neto foi indicado por Jair Bolsonaro à presidência da instituição e, logo após deixar o cargo, assumiu posição no Nubank.

“A PEC não resolve nenhum desses problemas e ainda cria questões adicionais, como o aumento da dívida pública, na medida em que receitas administradas pelo BC deixariam de compor o orçamento público geral, além da fragilização da estabilidade dos servidores da instituição, comprometendo ainda mais sua independência em relação ao mercado financeiro”, avalia Cavarzan.

Sindicato aponta riscos

Bancários protestam em frente ao BC contra a Selic alta, em dezembro de 2025 (Foto: Seeb-SP)

A presidenta do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, Neiva Ribeiro, criticou a aprovação da PEC na CCJ e alertou para os impactos da medida sobre a condução da política econômica do país.

"É contrário ao interesse público transformar o Banco Central em uma estrutura cada vez mais autônoma sem ampliar mecanismos de transparência e controle democrático. Na prática, esse processo se aproxima de uma privatização indireta da instituição: o Banco Central permanece formalmente público, mas torna-se progressivamente mais distante do projeto de desenvolvimento definido pela sociedade e mais próximo dos interesses permanentes do mercado financeiro", afirmou Neiva em artigo recente sobre o tema.

Neiva Ribeiro também demonstra preocupação com o enfrentamento às fraudes financeiras e ao crime organizado: "Casos recentes envolvendo instituições financeiras privadas, como o Banco Master, mostram como o sistema financeiro brasileiro exige supervisão pública forte, transparente e protegida de conflitos de interesse. Em um ambiente de fragilização do controle público, aumentam os riscos de influência privada sobre a regulação e de episódios que podem comprometer a segurança e a credibilidade do sistema financeiro brasileiro."

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