Manifestantes ocupam a Avenida Paulista para protestar contra o Congresso Nacional Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Aprovada pela Câmara dos Deputados em 28 de maio, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6×1 aguarda há semanas um despacho do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para iniciar sua tramitação formal na casa.
Até agora, a proposta não teve relator designado e sequer começou a ser analisada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Segundo reportagem publicada no portal ICL, Alcolumbre trabalha nos bastidores para empurrar a discussão para depois das eleições de 2026.
Empresários mobilizados pela manutenção da escala 6x1
Nos últimos dias, cerca de 3 mil organizações patronais divulgaram manifestos e campanhas públicas pressionando senadores a apoiar a PEC 12/26, liderada pelos senadores Rogério Marinho (PL-RN) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é o oposto da PEC aprovada pela Câmara.
Apresentada como “alternativa moderna” ao debate sobre jornada de trabalho, a proposta mantém intacta a escala 6x1 e abre espaço para contratos baseados em remuneração por horas trabalhadas e negociações individualizadas entre empregadores e empregados.
“Essa proposta dos patrões resultará em ainda mais precarização. Esse é um exemplo evidente da captura da política pelo poder econômico. Uma pauta que vai beneficiar milhões de trabalhadores está sendo barrada por Davi Alcolumbre, o que levanta a suspeita de que os interesses e a influência do setor empresarial estão pesando na decisão de sentar em cima de um projeto que permitirá aos trabalhadores viverem ao invés de só trabalharem”, afirma Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região.
A dirigente reforça ainda a importância de pesquisar as propostas dos candidatos e eleger parlamentares comprometidos com as demandas dos trabalhadores.
Representação dos trabalhadores tem de aumentar no Congresso
A correlação de forças entre capital e trabalho é historicamente muito desigual no parlamento. Segundo o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), atualmente mais de 200 congressistas defendem os interesses dos empresários e apenas 41 parlamentares são da bancada sindical, cuja prioridade é defender os direitos dos trabalhadores.
“Essa desigualdade explica a dificuldade de avançarmos em qualquer pauta que beneficie os trabalhadores. A luta é de classes e os trabalhadores precisam estar mais representados no parlamento, mas enquanto um novo Congresso não é eleito, a pressão nas redes e nas ruas deve ser mantida sobre os atuais representantes. Essa tática funcionou na Câmara e deve se intensificar no Senado”, afirma Neiva.
Pressione os senadores!
Você pode pressionar os senadores por meio da ferramenta Na Pressão, da CUT. Envie mensagens por WhatsApp, nas redes sociais e por e-mail a todos os senadores para votarem pelo fim da escala 6x1.
A ferramenta é simples de usar. É só fazer o recorte dos senadores, por partido e/ou por estado e escolher onde quer que a mensagem chegue (WhatsApp, redes sociais do deputado ou seu e-mail). Depois disso é só clicar e enviar uma mensagem padrão pedindo o voto pela aprovação da medida.