Ministro da Economia de Bolsonaro, Paulo Guedes prega regime trabalhista com menos direitos para jovens
Os jovens que ingressarem no mercado de trabalho terão dois modelos distintos de regimes trabalhistas para "optar" com a carteira "verde e amarela". Essa informação, que já circulava durante a campanha eleitoral de Bolsonaro, foi confirmada em jantar com empresários, promovido pelo site de notícias Poder360, no dia 5.
A informação é da Rede Brasil Atual.
“O jovem poderá escolher. Na porta da esquerda, há a Carta del Lavoro, Justiça do Trabalho, sindicatos, mas quase não tem emprego. É o sistema atual. Na porta da direita, não tem nada disso”, afirmou o ministro. “As pessoas vão ver dois sistemas funcionando. Um com muitos direitos e poucos empregos. E outro com menos direitos e muitos empregos. Elas vão olhar isso por dois, três anos e 'babar' um pouco”, declarou.
De acordo com Guedes, dar opção de mais um sistema para quem está procurando o primeiro emprego, reduziria a taxa de desocupação entre os mais jovens. E faria com que a sociedade percebesse as "vantagens" de regras menos rígidas, com as empresas "incentivadas" a contratar.
A dirigente do Sindicato Karen Souza, critica essa proposta já que os jovens são os que mais sofrerão sem uma expectativa de emprego e direitos garantidos. “ A intenção deste governo, desde o início de sua campanha, foi a de enfraquecer os movimentos sociais e sindicais e retirar direitos dos trabalhadores. Vender a ideia de que com menos direitos os jovens terão mais oportunidades é uma falácia, pois o número de jovens entre os 15 e 29 anos que estão desempregados é absurdo, já diante desta “deforma” trabalhista que o governo alegou ser boa para os trabalhadores e que não aumenta o número de contratações, apenas precariza as condições de trabalho e retira direitos”, diz Souza que é funcionária do Bradesco e integrante do Coletivo de Juventude do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região.
A adesão gradual dos trabalhadores ao novo sistema, acredita o ministro, faria com que a Justiça do Trabalho perdesse relevância e sua presença também começaria a ser reduzida. Em entrevista logo que tomou posse, no início de janeiro, Bolsonaro disse que poderia debater a extinção da Justiça do Trabalho e que os processos trabalhistas deveriam tramitar na Justiça comum.