Não à reforma da Previdência

Todos na Sé nesta quarta 20, pelo direito à aposentadoria

Centrais sindicais realizam Assembleia Nacional contra a reforma da Previdência do governo Bolsonaro, que vai dificultar o acesso dos trabalhadores à aposentadoria. Sindicato consultou bancários nos locais de trabalho e categoria está disposta a se mobilizar

  • CUT, com edição da Redação Spbancarios
  • Publicado em 19/02/2019 17:04

Foto: Roberto Parizotti/CUT

Em defesa do direito à aposentadoria e da Previdência Social, as centrais sindicais (CUT, Força Sindical, CTB, Intersindical, Nova Central, CGTB, CSP-Conlutas e CSB) realizam, nesta quarta-feira 20, a partir das 10h, na Praça da Sé, centro de São Paulo, uma Assembleia Nacional para definir um plano de lutas unitário contra a proposta de reforma da Previdência 2019, do governo Bolsonaro.

O presidente nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), o bancário Vagner Freitas alerta que, embora ainda não tenha sido divulgado o texto final da nova reforma da Previdência, as propostas vazadas até agora mostram que o projeto de Bolsonaro é muito pior do que o apresentado pelo ilegítimo Michel Temer (MDB-SP) e engavetado após a greve geral que paralisou o Brasil em abril de 2017. O governo propõe idade mínima de 65 anos para homens e 62 para mulheres, com período de 12 anos de transição.

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“Temos uma tarefa dificílima pela frente, mas, assim como já fizemos com a proposta de Temer, temos a capacidade de impedir mais uma vez a aprovação do projeto que representa o fim da Previdência Social no Brasil, pois é isso o que este governo quer de fato fazer, acabar com a Previdência. Tanto é isso que o mote da campanha publicitária do governo é ‘por uma nova Previdência’. E nós da CUT não entendemos que está sendo construída uma nova Previdência. Entendemos que estão querendo acabar com a aposentadoria e a Seguridade Social que existe em torno da Previdência”, critica Vagner Freitas, ressaltando que direitos assegurados hoje, como seguro-acidente de trabalho, acabará se for aprovado esse novo modelo proposto por Bolsonaro.

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Bancários estão disposto para a luta

O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região consultou bancários em agências e centros administrativos sobre a mobilização em defesa das aposentadorias. Foram ouvidos 7.097 bancários e bancárias e todos afirmaram estar dispostos a realizar greve, paralisações e paralisações parciais e a pressionar parlamentares para que não aprovem uma reforma da Previdência prejudicial aos trabalhadores.

“A categoria bancária entende o que está em jogo com uma proposta que acaba com aposentadoria por tempo de contribuição e que define idades mínimas de 65 para homens e 62 para mulheres com período de transição de apenas 12 anos. Sabem que essa proposta do governo vai fazer com que os trabalhadores morram antes de conseguir se aposentar. E por isso se mostram dispostos a lutar por esse direito. Portanto, todos na Praça da Sé, a partir das 10h. Vamos mandar um recados aos parlamentares e ao governo”, conclama a presidenta do Sindicato, Ivone Silva.

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Ivone Silva fala sobre gastos do governo e a Previdência:

PEC de Bolsonaro

A Proposta de Emenda Constitucional, PEC da reforma da Previdência deve ser encaminhada ao Congresso Nacional nesta quarta-feira 20, mesmo dia da mobilização das centrais sindicais. Até agora, o governo divulgou apenas que ela prevê a obrigatoriedade de idade mínima para aposentadoria de 65 anos para os homens e 62 para as mulheres e uma regra de transição de apenas 12 anos.

Ou seja, será o fim do direito à aposentadoria por tempo de serviço, será exigida, obrigatoriamente, uma idade mínima para se aposentar e o período de transição para valer as novas regras será muito curto, prejudicando todos os trabalhadores e trabalhadoras, mas principalmente os que ganham menos, têm uma expectativa de vida mais baixa, entram no mercado de trabalho mais cedo e em profissões que exigem mais esforço físico.

Capitalização da Previdência

Outra proposta que deve ser apresentada na redação final é a capitalização da Previdência, adotada no Chile e em outros países que está levando idosos à miséria, com benefícios menores do que o salário mínimo local. Isso no caso dos que conseguiram pagar a vida inteira, o que não é a situação da maioria que enfrentou a precariedade do mercado de trabalho.

“Isso significa que o trabalhador vai ter de fazer uma poupança para conseguir se aposentar depois que estiver velho. É o fim do direito adquirido, o trabalhador será obrigado a ter de fazer “sobrar” o seu dinheiro para compor uma poupança e só assim conseguir se aposentar”, explica Vagner Freitas.

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E eu pergunto como será feito isso sendo que este governo não tem uma política de valorização do salário, não tem política de valorização do emprego, pelo contrário, ele cria o chamado “bico”, sem registro e sem direitos”, questiona o presidente da CUT.

“Nós defendemos a Seguridade Social, o regime que nós temos hoje e que é de solidariedade entre os que entram no mercado de trabalho agora e os que estão saindo do mercado ou estão aposentados. A luta é pela dignidade dos trabalhadores ao envelhecerem”, defende Vagner, se referindo ao atual modelo de repartição da Previdência, em que trabalhadores da ativa financiam os benefícios de quem já contribuiu e está aposentado.

No atual modelo, o financiamento é feito pelos trabalhadores, governo, e patrões, e não somente pelos trabalhadores como quer Bolsonaro e sua equipe.

“A luta em defesa da Previdência e de uma Assistência Social universal é uma luta sua, do seu direito e nós vamos fazer o que for possível para que esse seu direito não seja retirado”, conclui Vagner.

Mobilização é nacional

Além da Assembleia Nacional da Classe Trabalhadora, na Praça da Sé, em São Paulo, trabalhadores de diversas categorias realizarão ações descentralizadas em diversas regiões do país, como atos, assembleias, panfletagens e diálogo com a base. Veja algumas:

Amapá
Ato em frente ao prédio do INSS de Macapá

Bahia
10h – Ato em frente a Previdência Social do comércio

Ceará
6h - panfletagem nos terminais de ônibus em Fortaleza
11h – panfletagem na Fábrica Guararapes
13h30 – panfletagem na OI/Contax.
15h - panfletagem nas ruas do centro e Tribuna Livre na praça do Ferreira

Distrito Federal
16h - Panfletagem na rodoviária do Plano Piloto, em Brasília

Maranhão
Ato unificado - horário e local a definir

Piauí
8h30 - Assembleia da Classe Trabalhadora do estado, em frente ao Prédio do INSS - Praça Rio Branco - centro de Teresina

Rio de Janeiro
15h – Ato no Boulevard Carioca, esquina com a Av. Rio Branco

Rio Grande do Norte
Plenária Unificada - horário e local a definir

Santa Catarina
15h - Ato no largo da Catedral, no centro de Florianópolis

Sergipe
Assembleia Estadual em Aracaju - horário e local a definir



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