FOTO: Antonio Cruz/Agência Brasil
A superlotação registrada no bloco Skol, que teve entre as atrações o DJ escocês Calvin Harris, provocou tumulto, pânico e deixou dezenas de foliões passando mal na Rua da Consolação, região central de São Paulo, no início da tarde deste domingo (8). O episódio escancarou falhas graves na organização do pré-Carnaval da capital paulista, sob responsabilidade da gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB).
Relatos e imagens divulgadas pela imprensa mostram cenas de caos: grades de contenção derrubadas, empurra-empurra, gritaria e pessoas caindo no chão em meio à multidão. Ambulantes também foram afetados e perderam mercadorias durante a confusão. Em outros registros, foliões aparecem passando mal e sendo socorridos por bombeiros civis, evidenciando a falta de controle do público e de condições adequadas de segurança.
A situação foi tão crítica que o trio elétrico precisou ser paralisado durante a apresentação do cantor Felipe Amorim. Ainda assim, mesmo diante de um cenário de desorganização e risco à integridade dos participantes, o prefeito Ricardo Nunes classificou o primeiro final de semana do pré-Carnaval como “um sucesso”.
Em declaração ao canal GloboNews, o prefeito afirmou que, “se considerarmos a quantidade de pessoas e as poucas ocorrências, a conclusão é que foi um sucesso”, minimizando os episódios de tumulto registrados nos grandes blocos.
O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, que integra o calendário oficial da prefeitura anualmente com o Bloco dos Bancários, criticou a falta de organização da gestão Nunes. A entidade também condenou a postura do prefeito após o ocorrido, que preferiu negar sua responsabilidade e diminuir a gravidade da situação.
“Em vez de assumir responsabilidades e apresentar soluções, o prefeito preferiu minimizar a gravidade dos fatos. O Carnaval de São Paulo é uma manifestação popular que precisa ser tratada com planejamento, diálogo e respeito. A Prefeitura tem obrigação de garantir segurança, estrutura adequada e organização para que foliões, trabalhadores e blocos possam participar da festa sem medo”, afirmou Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato.
População responsabiliza Nunes
A postura do prefeito gerou críticas e indignação. Para organizadores e participantes, os acontecimentos deste domingo são resultado direto da falta de planejamento e da condução equivocada da política de eventos da cidade. O bloco Acadêmicos do Baixo Augusta, um dos mais tradicionais do Carnaval paulistano, divulgou nota pública cobrando melhor organização por parte da Prefeitura e da SPTuris, empresa municipal responsável pelo evento.
“É uma imensa falta de organização e o não cumprimento dos horários acordados. Com 17 anos de história, o maior bloco da cidade e um dos maiores do Brasil foi desrespeitado de forma triste e violenta, mostrando a todos uma prova clara da falta de competência para realizar o que foi proposto e do compromisso da cidade com os blocos que recriaram o Carnaval de São Paulo”, afirma a nota.
O vereador Nabil Bonduki (PT) acionou o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) para que intervenha na organização do Carnaval de rua da capital. Para o parlamentar, os episódios de superlotação e descontrole colocam em risco a segurança da população e demonstram a incapacidade da atual gestão municipal de organizar eventos de grande porte.
Bloco dos Bancários
O Bloco dos Bancários vai desfilar no dia 14 de fevereiro, sábado de carnaval, com concentração às 10h na sede do Sindicato (Rua São Bento, 413) e dispersão às 14h. Para animar os foliões, o bloco vai ganhar as ruas do centro antigo ao som da bateria da Acadêmicos da Ursal.
Este ano, o Bloco dos Bancários terá como mote “O futuro é soberano, justo e solidário”, escolhido pela categoria em enquete no site do Sindicato. Todos os anos, a atividade reúne bancários e a população em geral com pautas ligadas a direitos sociais e respeito à diversidade.
A participação no bloco é aberta a todos, mas quem é sindicalizado tem vantagens especiais. Sócios e sócias do Sindicato podem retirar o abadá gratuitamente. Para quem ainda não é sócio, o valor do abadá é de R$ 40.
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