Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de anúncio do Programa “Gás do Povo” - Belo Horizonte (MG) 04/09/2025 (Foto: Ricardo Stuckert/PR)
A Câmara dos Deputados aprovou nesta segunda-feira (2) a medida provisória que cria o programa Gás do Povo. Iniciativa do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a medida prevê a distribuição gratuita de botijões de gás de cozinha de 13 kg para famílias de baixa renda inscritas no CadÚnico, com renda mensal per capita de até meio salário mínimo. O texto foi aprovado por ampla maioria, com 415 votos favoráveis, e segue agora para análise do Senado.
Apesar da relevância do programa para o enfrentamento da fome e da pobreza energética no país, 29 parlamentares votaram contra a proposta. Entre eles estão nomes conhecidos da extrema direita e de partidos que, historicamente, se posicionam contra políticas públicas de proteção social, como Nikolas Ferreira (PL-MG) e Kim Kataguiri (União-SP), além de outros deputados listados nominalmente na votação.
Ao votar contra o Gás do Povo, esses parlamentares reforçam uma postura recorrente: a oposição sistemática a iniciativas que aliviam o custo de vida da população mais pobre. São os mesmos deputados que, de forma contraditória, atuam para barrar projetos de justiça tributária, que propõem maior contribuição dos mais ricos para reduzir desigualdades e fortalecer políticas sociais voltadas aos trabalhadores, à classe média e aos mais vulneráveis.
Para a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Neiva Ribeiro, o voto contrário ao programa revela um distanciamento profundo da realidade vivida por milhões de brasileiros. “Votar contra a distribuição de gás de cozinha para famílias que passam dificuldade é virar as costas para quem mais precisa. O gás é um item básico, essencial para a alimentação e para a dignidade. Esses parlamentares fazem uma escolha política clara: proteger privilégios e negar direitos ao povo trabalhador”, criticou.
Apoio para quem mais precisa
O Gás do Povo tem como foco o combate à chamada pobreza energética, situação que obriga famílias a recorrerem a alternativas perigosas ou insuficientes para cozinhar, como lenha e álcool, ampliando riscos à saúde e à segurança. A estrutura do programa já está organizada em todas as capitais, o que permite sua rápida implementação em escala nacional.
O programa deve beneficiar cerca de 15 milhões de famílias a partir de março, segundo estimativa do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, e substituirá o atual Auxílio Gás, hoje pago a cada dois meses para aproximadamente 4,4 milhões de famílias. No novo modelo, o acesso ao gás será garantido por meio da retirada gratuita do botijão em uma rede com mais de 10 mil revendedoras credenciadas em todo o país.
Confira a seguir os deputados que votaram contra o programa Gás do Povo:
- Nicoletti (União-RR)
- Sargento Gonçalves (PL-RN)
- Eros Biondini (PL-MG)
- Junio Amaral (PL-MG)
- Nikolas Ferreira (PL-MG)
- Carlos Jordy (PL-RJ)
- Chris Tonietto (PL-RJ)
- Luiz Lima (Novo-RJ)
- Adriana Ventura (Novo-SP)
- Delegado Paulo Bilynskyj (PL-SP)
- Guilherme Derrite (PP-SP)
- Kim Kataguiri (União-SP)
- Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP)
- Mario Frias (PL-SP)
- Ricardo Salles (Novo-SP)
- Bia Kicis (PL-DF)
- Marcos Pollon(PL-MS)
- Rodolfo Nogueira (PL-MS)
- Tião Medeiros (PP-PR)
- Daniel Freitas (PL-SC)
- Geovania de Sá (PSDB-SC)
- Gilson Marques (Novo-SC)
- Julia Zanatta (PL-SC)
- Ricardo Guidi (PL-SC)
- Zé Trovão (PL-SC)
- Bibo Nunes (PL-RS)
- Marcel van Hattem (Novo-RS)
- Mauricio Marcon (PL-RS)
- Sanderson (PL-RS)