Presidenta do Sindicato, Neiva Ribeiro, destacou a necessidade de equidade de gênero nos bancos e na sociedade e de mais mulheres nos espaços de poder (foto: Seeb-SP)
Como parte dos debates do Dia Internacional da Mulher, a Caixa Econômica Federal realizou, nesta quinta-feira (12), o evento “Mulheres que fazem acontecer”, no Espaço da Sorte Loterias, na Avenida Paulista, com o objetivo de apresentar e discutir ações realizadas pelo banco público no sentido de promover o empoderamento feminino na sociedade e um ambiente de trabalho mais igualitário para as empregadas da Caixa.
A presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Neiva Ribeiro, foi uma das convidadas do evento e falou em nome do Sindicato e da Contraf-CUT. “Ficamos muito felizes de poder estar em um evento onde falamos de empoderamento feminino, da importância de ter mais mulheres nos espaços de liderança, da importância de ter equidade salarial entre homens e mulheres”, disse.
Neiva ressaltou que as mulheres são metade da categoria bancária, mas continuam com dificuldades para chegar aos cargos de liderança e ainda ganham menos que os homens. Em 2024, bancárias ganhavam em média 87,8% do salário dos homens e o recorte de raça é ainda mais desigual: bancárias negras ganham em 34,5% a menos que a remuneração média de homens brancos.
Conquistas da categoria
Para combater essa realidade, citou a presidenta, o movimento sindical conquistou, em 2002, a mesa específica sobre Igualdade de Oportunidades. “A mesa de negociação, que ocorre tanto na nossa Campanha Nacional quanto ao longo do ano, é para discutirmos que as mulheres e os homens precisam ganhar igual, para discutir que as mulheres negras precisam estar nos espaços de poder... E foi nas negociações dessa mesa que chegamos a conquistas importantes.”
Dentre essas conquistas estão o Censo da Diversidade, que traça um panorama da diversidade nos bancos, o combate ao assédio sexual, o programa de acolhimento a mulheres vítimas de violência doméstica, as licenças maternidade e paternidade ampliadas e, mais recentemente, as bolsas e programas de capacitação para mulheres na TI, área que mais cresce nos bancos e onde a participação feminina ainda é muito baixa.
“Que essa experiência da Caixa para o público feminino, que o banco tem implementado com o apoio do movimento sindical, renda mais avanços e se estenda para toda a sociedade, porque nós precisamos muito ter mais mulheres em todos os espaços”, finalizou Neiva, que também é uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários.
Algumas iniciativas da Caixa
Entre as ações da Caixa para o público feminino estão o Programa Caixa para Elas, que visa incentivar a autonomia financeira de mulheres; alguns produtos financeiros específicos como o cartão "CAIXA Mulher", e apoio ao empreendedorismo com oferta de crédito facilitado e orientações para mulheres empreendedoras.
Internamente, a Caixa aderiu, em 2025, ao Princípios de Empoderamento das Mulheres (WEPs), da ONU Mulheres, fortalecendo o compromisso com a igualdade de gênero, inclusão e não discriminação no ambiente de trabalho. Além disso, representantes do banco citaram ações voltadas para aumentar a presença de mulheres em cargos de liderança e tomada de decisão.
Da autossabotagem ao poder de voz
O evento contou ainda com palestra da advogada, apresentadora e influenciadora Gabriela Prioli, que abordou problemas como as barreiras comunicacionais e vieses de gênero históricos e contemporâneos que levam mulheres à autossabotagem, e formas de superá-los rumo ao empoderamento da voz feminina e a práticas inclusivas no ambiente corporativo.