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Luta

Em audiência pública na Alesp, o Sindicato defende o fim da escala 6x1

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Por iniciativa do ex-presidente do Sindicato e deputado estadual Luiz Cláudio Marcolino (PT), foi realizada nesta segunda-feira, 30 de março, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), a audiência pública "6×1 Não! Uma nova jornada pela vida e trabalho” (assista acima na íntegra)

A audiência pública contou com a presença de representantes sindicais, lideranças, trabalhadores e do ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho. O Sindicato esteve representado pela sua presidenta, Neiva Ribeiro.

" A pauta da redução da jornada, sem redução de salários, é uma pauta histórica da classe trabalhadora. Cada conquista nesse campo é fruto de muita luta. Em 1943, a CLT estabeleceu 48 horas semanais. Em 1988, com a Constituição, 44 horas semanais. E há mais de 38 anos não temos uma legislação que avance na redução da jornada sem redução de salário. O mundo mudou profundamente. Vivemos a intensificação do trabalho, a digitalização, a hiperconectividade”, destacou a presidenta do Sindicato no início da sua fala, reforçando ainda que a tecnologia deve ser utilizada também em favor dos trabalhadores, e não apenas para maximizar o lucro.

A presidenta do Sindicato lembrou também que a escala 6x1 contribui para a enorme desigualdade social do Brasil.

“Hoje, 80% dos trabalhadores formais do Brasil trabalham mais de 40 horas semanais. E justamente os setores com jornadas mais longas são aqueles com menor renda e escolaridade. Isso revela algo muito cruel. A jornada também é um fator de desigualdade social. E, quando olhamos para as mulheres, essa desigualdade se aprofunda ainda mais. As mulheres acumulam o trabalho remunerado com o trabalho de cuidado”, destacou.

“Reduzir a jornada traz benefícios claros para a economia, para a sociedade e para a saúde. Para a economia, redistribuir o trabalho pode gerar empregos, melhorar a distribuição de ganho de produtividade. Para a sociedade, mais tempo livre para a família, mais tempo para o estudo, mais tempo para o bem viver, que é o que todos nós queremos, almejamos. Para a saúde, redução do adoecimento físico e mental, menos acidentes de trabalho”, avaliou Neiva Ribeiro.

Ministro Luiz Marinho participou da audiência pública sobre o fim da escala 6x1 (Foto: Seeb-SP_

Por sua vez, o ministro Luiz Marinho enfatizou que para avançar com a pauta da redução da jornada, sem redução de salário, é necessária a mobilização popular, assim como ocorreu com a isenção do imposto de renda para quem recebe até R$ 5.000. “O que fez com que fosse aprovada [a isenção], com unanimidade, foi o calor das ruas, o bafo no cangote deles [da extrema-direita e centrão]. O que precisa se repetir agora com a redução da jornada, com o fim da escala 6x1.”

"A redução da jornada é plenamente possível de ser absorvida em seus impactos (..) Cria-se um processo de melhoria das condições de trabalho. Seja na saúde mental e física, seja na segurança ou mesmo na redução do absenteísmo, o que pode repercutir na redução da rotatividade do mercado de trabalho (…) O nós estamos propondo, claramente, é a redução para 40 horas semanais, sem redução de salário, com duas folgas na semana. Não é ir para as 36h diretamente, mas isso não impede que o Congresso discuta, chame especialistas, e já defina a escalada para chegar até as 36h”, acrescentou.

"O fim da escala 6x1 é uma das nossas bandeiras. Queremos, junto com vocês, agora no dia 15 de abril, com a Marcha da Classe Trabalhadora, e no 1º de maio, Dia do Trabalhador e da Trabalhadora, fazer a diferença. A partir desta audiência pública, vamos preparar um documento que será enviado ao Congresso dizendo que os trabalhadores paulistas querem a redução da jornada de trabalho, com o fim da escala 6x1. Vamos fazer essa pressão, mas a nossa maior pressão será nas ruas no dia 15 de abril e no 1º de maio”, concluiu desta forma a audiência pública o deputado estadual Luiz Cláudio Marcolino.

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