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O Carrefour e os riscos da precarização do trabalho

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Fachada de uma unidade do Carrefour

No último domingo 25, Matheus Silva, funcionário de uma unidade do Carrefour na zona norte da capital paulista, morreu em um acidente de trabalho com uma empilhadeira, que caiu sobre ele. De acordo com familiares, o jovem de 20 anos era operador de loja e não estaria apto a operar o equipamento, o que caracteriza desvio de função. 

Em entrevista concedida ao UOL,  a prima de Matheus, a estudante Gabriela Lorena Tavares, afirma que não teria sido a primeira vez que o jovem operou a empilhadeira. "O Matheus trabalhava no setor do hortifruti. Ele não tinha habilitação e muito menos uma licença para manusear a empilhadeira. Já havia comentado com a mãe dele que o Carrefour mandou fazer um curso de empilhadeira, porém ele não tinha dinheiro no momento, e mesmo assim, o Carrefour continuou colocando para fazer o trabalho.”

Familiares de Matheus também enviaram à reportagem da UOL prints de conversas nas quais colegas de Matheus afirmam que o desvio de função era prática corrente no Carrefour. "Não foi a primeira vez que ele pegou a empilhadeira, tanto ele, como vários funcionários (sic)”, diz uma das mensagens. 

Em nota, o próprio Carrefour confirmou que Matheus “trabalhava como operador de loja e não tinha em seu escopo de trabalho a operação de empilhadeira”. 

“Este triste episódio evidencia como a precarização das relações de trabalho - com o desvio de função, a terceirização irrestrita, o assédio moral e a cobrança abusiva por metas - é danosa aos trabalhadores. Além de levar a uma situação de exploração do trabalhador, essa precarização coloca a vida deles em risco”, diz a secretária-geral do Sindicato, Neiva Ribeiro.

“O próprio Carrefour esteve no centro de um episódio no qual um homem negro foi espancado até a morte em uma de suas lojas, em Porto Alegre, por seguranças terceirizados. Na época, o Carrefour se comprometeu publicamente a melhorar suas práticas. Porém, isso deve se dar em todos os âmbitos, inclusive nas relações de trabalho. Uma vez que as posições mais precárias do mercado de trabalho são ocupadas majoritariamente pela população negra, combater o racismo estrutural no Brasil passa necessariamente também por não adotar práticas de precarização do trabalho como, por exemplo, o desvio de função e a terceirização irrestrita”, acrescenta. 

Banco Carrefour 

No Banco Carrefour, a situação não é diferente. O Sindicato tem conhecimento e já cobrou o banco quanto a terceirização irrestrita na empresa, irregularidades em algumas contratações e as demissões em plena pandemia de Coronavírus.

Existem também relatos de trabalhadores em desvio de função, que passaram a desenvolver tarefas de maior complexidade, mas sem receber, como lhes foi prometido, o pagamento adequado. 

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Outro problema apontado em denúncias recorrentes são as dificuldades enfrentadas pelos funcionários no trabalho remoto, no qual são cobrados por metas pelo banco, que por sua vez não proporciona a estrutura adequada ao trabalhador. 

“Já passou da hora do grupo Carrefour respeitar os trabalhadores brasileiros, que tanto lucro dão a empresa. A sucessão de casos trágicos envolvendo o Carrefour no Brasil não é uma coincidência, e sim o resultado da precarização das relações de trabalho nas empresas do grupo”, conclui Neiva.